sexta-feira, 27 de abril de 2012

Clientes estão frustrados com juros ofertados por redes bancárias no AM

Clientes estão indo a agências bancárias com uma expectativa (gerada pelo anuncio de redução nos juros) e saindo delas visivelmente frustrados com o que ouvem

João Carlos não conseguiu beneficiar-se com a queda dos juros bancários
João Carlos não conseguiu beneficiar-se com a queda dos juros bancários (Luiz Vasconcelos)

Passados quatro dias da aplicação da nova política de juros, clientes estão se deparando com realidades distintas daquelas anunciadas em propagandas feitas pelos bancos públicos e privados. Por isso, economistas reforçam a necessidade de o cliente, antes de tomar empréstimo, conferir o juro de fato embutido no financiamento.
O industriário João Carlos Batista, que tem renda familiar de R$ 1,2 mil, quer sair do aluguel. Para isso, definiu duas estratégias: financiar uma casa ou tomar um empréstimo e pagar o imóvel à vista. Ontem, ele foi a uma agência da Caixa Econômica Federal. Com a renda que possui se encaixa no programa “Minha Casa, Minha Vida”, e pode ser subsidiada pelo governo Federal até R$ 17 do valor do imóvel que custa R$ 100 mil. Mas ele teria que dar uma entrada de R$ 16 mil. “Opção descartada. Se eu quero financiar o imóvel, não tenho como dar entrada”, disse.
Carlos pediu então que o gerente calculasse seu limite no crédito pessoal. Nessa modalidade, com as novas taxas, os juros variam de 1,80% a 3,88%. O industriário pode comprometer somente 30% de seu rendimento. Resultado: pode tomar emprestado R$ 8.440 que deverão ser pagos em, no máximo, 36 meses, com parcelas de R$ 360. A surpresa está no fato de que nos seis primeiros meses os juros cobrados serão de 1,80%, porém, a partir do sétimo mês os juros sobem para 2,39%. De acordo com o gerente do banco, este é o método novo, que esta sendo aplicado em toda a rede da Caixa.
NO HSBC
Carlos também esteve no HSBC, banco onde recebe seu salário. Nesse banco, com as novas taxas, ele pode tomar emprestado até R$ 6.550, divididos em 36 parcelas de R$ 323. “Os juros são de 3% ao mês, que vão representar anualmente uma taxa duas vezes maior do que a a Selic (hoje em 9%). Este não é um bom negócio”, avaliou o consultor econômico Renilson Santos.
Outro caso é o do professor Rossi Almeida Silva, que há dois anos tomou emprestado no banco Bradesco R$ 5 mil para quitar em 60 parcelas de R$ 349,79. “Vi a propaganda de redução de juros e quero refinanciar a dívida. Mas o banco estava sem sistema e a gerente me orientou para retornar amanhã (hoje)”, disse ele.
Para Renilson, este foi um mau negócio. O cliente está pagando 3,5% de juros ao mês. Segundo ele, é necessário que o cliente exija e tome conhecimento dos juros efetivos que lhes serão cobrados. “Isso não é simples de ser calculado, mas assim o cliente sabe quanto pagará pelos serviços do banco, além dos juros da modalidade que está contratando”, acrescentou.
A secretária Cristina Almeida, mesmo não sendo cliente do banco do Brasil, esteve na instituição para tomar informações sobre cheque especial e cartão de crédito. “Se eu quiser ter acesso terei que passar a receber pelo BB e aderir ao pacote de adesão que varia de R$ 18 a R$ 38 ao mês”. Os juros estão menores, mais é necessário atenção antes de fechar negócios.

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