Clientes estão indo a agências bancárias com uma expectativa (gerada pelo anuncio de redução nos juros) e saindo delas visivelmente frustrados com o que ouvem
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| João Carlos não conseguiu beneficiar-se com a queda dos juros bancários |
Passados
quatro dias da aplicação da nova política de juros, clientes estão se
deparando com realidades distintas daquelas anunciadas em propagandas
feitas pelos bancos públicos e privados. Por isso, economistas reforçam a
necessidade de o cliente, antes de tomar empréstimo, conferir o juro de
fato embutido no financiamento.
O
industriário João Carlos Batista, que tem renda familiar de R$ 1,2 mil,
quer sair do aluguel. Para isso, definiu duas estratégias: financiar
uma casa ou tomar um empréstimo e pagar o imóvel à vista. Ontem, ele foi
a uma agência da Caixa Econômica Federal. Com a renda que possui se
encaixa no programa “Minha Casa, Minha Vida”, e pode ser subsidiada pelo
governo Federal até R$ 17 do valor do imóvel que custa R$ 100 mil. Mas
ele teria que dar uma entrada de R$ 16 mil. “Opção descartada. Se eu
quero financiar o imóvel, não tenho como dar entrada”, disse.
Carlos
pediu então que o gerente calculasse seu limite no crédito pessoal.
Nessa modalidade, com as novas taxas, os juros variam de 1,80% a 3,88%. O
industriário pode comprometer somente 30% de seu rendimento. Resultado:
pode tomar emprestado R$ 8.440 que deverão ser pagos em, no máximo, 36
meses, com parcelas de R$ 360. A surpresa está no fato de que nos seis
primeiros meses os juros cobrados serão de 1,80%, porém, a partir do
sétimo mês os juros sobem para 2,39%. De acordo com o gerente do banco,
este é o método novo, que esta sendo aplicado em toda a rede da Caixa.
NO HSBC
Carlos
também esteve no HSBC, banco onde recebe seu salário. Nesse banco, com
as novas taxas, ele pode tomar emprestado até R$ 6.550, divididos em 36
parcelas de R$ 323. “Os juros são de 3% ao mês, que vão representar
anualmente uma taxa duas vezes maior do que a a Selic (hoje em 9%). Este
não é um bom negócio”, avaliou o consultor econômico Renilson Santos.
Outro caso é o do professor Rossi Almeida Silva, que há dois anos tomou emprestado
no banco Bradesco R$ 5 mil para quitar em 60 parcelas de R$ 349,79. “Vi
a propaganda de redução de juros e quero refinanciar a dívida. Mas o
banco estava sem sistema e a gerente me orientou para retornar amanhã
(hoje)”, disse ele.
Para
Renilson, este foi um mau negócio. O cliente está pagando 3,5% de juros
ao mês. Segundo ele, é necessário que o cliente exija e tome
conhecimento dos juros efetivos que lhes serão cobrados. “Isso não é
simples de ser calculado, mas assim o cliente sabe quanto pagará pelos
serviços do banco, além dos juros da modalidade que está contratando”,
acrescentou.
A
secretária Cristina Almeida, mesmo não sendo cliente do banco do
Brasil, esteve na instituição para tomar informações sobre cheque
especial e cartão de crédito. “Se eu quiser ter acesso terei que passar a
receber pelo BB e aderir ao pacote de adesão que varia de R$ 18 a R$ 38
ao mês”. Os juros estão menores, mais é necessário atenção antes de
fechar negócios.

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