Para ONGs, a melhoria do Ministério Público passa por um bom atendimento público e a adoção de novas ferramentas
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| Audiência que acontece nesta terça-feira (24), no MPF, em Manaus, é para ouvir propostas de modernização na atuação do órgão |
Representantes
da sociedade civil ouvidos por A CRÍTICA, nessa segunda-feira (23),
prometem cobrar, nesta terça-feira (24), do Ministério Público Federal
no Amazonas (MPF), rapidez na apuração de denúncias, respeito no
tratamento com as lideranças populares e ferramentas para acompanhar o
andamento de ações por meio da Internet.
Desde
a última sexta-feira (20), o MPF realiza consulta pública em 21
capitais do País para ouvir sugestões de como a instituição pode
modernizar e melhorar o atendimento à sociedade. Em Manaus, a consulta
será realizada hoje, das 14 às 18h, no auditório da Justiça Federal, na
avenida André Araújo, no bairro Aleixo, na Zona Sul.
O
vice-presidente do Instituto Amazônico da Cidadania (Iaci), Luiz Odilo,
considera o MPF no Amazonas atuante. Mas diz lamentar a demora da
instituição na investigação de denúncias. “Parece que o MPF tem um
número limitado de procuradores. A crítica que fazemos é que o órgão não
perca os prazos para agir”, disse o ativista social.
Como
exemplo, Luiz Odilo citou uma denúncia que o Iaci fez contra o
ex-governador e hoje senador Eduardo Braga (PMDB), referente a compra de
viaturas sem licitação para a polícia de Parintins. O inquérito já dura
cinco anos. “Vamos conversar nessa consulta pública com os procuradores
para ver se há falta de procuradores no MPF, pois, do outro lado, os
corruptos e os corruptores estão muito bem assessorados”, comentou
Odilo.
Membro
do Fórum Popular da Copa 2014, Alexandre Simões afirma que as
lideranças de movimentos populares ainda não têm um tratamento
respeitoso por parte de alguns procuradores. “O primeiro passo é que nos
olhe como cidadãos. Sem nós, não existiria demandas para eles
trabalharem. Alguns deles nos observam como se fossemos a plebe da
cidade. E não somos. Temos estudos e o que fazemos é exercer 100% a
nossa condição de cidadão”, cobrou Alexandre Simões.
O
secretário executivo da Organização Não-governamental Conselho de
Cidadãos de Maués (Concima), José Antônio Fonseca, sugere ao MPF a
implantação de ferramenta de consultas de processos na Internet. O
procedimento é utilizado pelo Tribunal de Contas da União (TCU). “Quem
está no interior não tem como acompanhar o andamento das denúncias. Nem
sempre dá pra ir a Manaus somente para fazer as consultas. Como já
existe no TCU, acredito que não seja difícil de implantar no MPF”, disse
Fonseca.
A
partir desta consulta pública, o MPF procurará identificar os
principais temas em que pode melhorar sua atuação. Em Manaus, o órgão
pretende reunir cidadãos comuns e representantes da sociedade civil
organizada, de entidades públicas e privadas e de ONGs.
Improbidade gerou 68 ações civis
Em
2011, o Ministério Público Federal no Amazonas (MPF-AM) ajuizou 46
ações civis públicas de improbidade (desonestidade) administrativa. Este
ano, até a data de ontem, foram 22 ações.
Atualmente,
a estrutura física MPF-AM está dividida em duas unidades: a sede, em
Manaus, que atende a maior parte dos municípios amazonenses; e uma
unidade em Tabatinga (a 1.106 quilômetros de Manaus.
A
Procuradoria da República no Município de Tabatinga (PRM/Tabatinga) tem
a tarefa de atender os Municípios de Amaturá, Atalaia do Norte,
Benjamin Constant, Fonte Boa, Jutaí, Santo Antônio do Içá, São Paulo de
Olivença, Tabatinga e Tonantins.
Unidade da PRM em Tefé
Sem
data definida, a Justiça Federal no Amazonas promete instalar uma
Procuradoria da República no Município de Tefé (PRM-Tefé), a 520
quilômetros de Manus.
De acordo com a assessoria do Ministério Público Federal no Amazonas (MPF-AM),
a nova PRM de Tefé passará a atender os Municípios de Alvarães,
Carauari, Coari, Fonte Boa (que deixará de fazer parte da área de
atuação da PRM Tabatinga), Japurá, Juruá, Maraã, Tapauá e Uarini.
Com
a lotação de dois procuradores na PRM Tefé, que será implantada, e
outros dois procuradores na capital, o MPF-AM terá uma ampliação de 36%
no quadro de procuradores no Estado, informou a assessoria do órgão.
Segundo
publicação no Diário Oficial da União do último dia 23, o MPF-AM 15
procuradores. Enquanto o Estado do Pará tem 20 cargos. Hoje o MPF-AM tem
11 procuradores e 96 servidores, distribuídos nas unidades de Manaus e
Tabatinga. Os oito procuradores lotados na capital estão distribuídos em
nove áreas, mais a Procuradoria Regional Eleitoral. A área de Meio
Ambiente, Patrimônio Cultural e Consumidor está sem titular.
Luiz Odilo Vice-presidente do Iaci
“O
MPF tem papel muito importante” O Ministério Público Federal no
Amazonas (MPF) sempre foi um órgão que acata nossas demandas e dá
solução. É louvável a iniciativa de realizar a consulta popular. O MPF
tem um papel extremamente importante, e no campo eleitoral tem sido bem
atuante.
Lembro
que entramos com representação contra o ex-vereador de Manaus Luiz
Fernando, por uso do Sistema Único de Saúde para obter votos. Fizemos a
fiscalização, obtivemos provas, o MPF denunciou e o vereador perdeu o
cargo. O parlamentar recorreu em todas as instâncias, mas perdeu.
Outra
representação que o MPF nos atendeu foi contra o ex-governador Eduardo
Braga. Denunciamos o fato do ex-governador por ter comprado viaturas
para a Polícia em Parintins sem licitação. Hoje, tramita um inquérito
civil contra o ex-governador, atual senador.
Então,
o órgão tem atuado de forma brilhante. Mas comete o pecado de deixar o
processo prescrever. A crítica que fazemos é no sentido de o MPF não
deixar os prazos transcorrerem. Como guardião da sociedade, o MPF deve
cobrar o cumprimento dos prazos.
Vejo
que quando você leva uma demanda para ser investigada, demora. Parece
que tem um número limitado de procuradores. No caso da representação
contra o ex-governador (Eduardo Braga), passou cinco anos, e ainda não
foi denunciado, ainda está como inquérito civil. Daqui a pouco, esse
crime pode prescrever. E os culpados livres e impunes. Vamos conversar
com os procuradores para ver se há falta de procuradores no MPF.
Vice-presidente do Concima José Antônio Fonseca
“É
difícil acompanhar” Para o vice-presidente do Conselho de Cidadãos de
Maués (Concima), José Antônio Fonseca, a falta de estrutura do MPF no
interior do Amazonas dificulta o exercício da cidadania. “Nós temos hoje
várias ações tramitando no MPF. Mas, em função dessa distância, e da
falta de ferramentas para consultas na Internet, fica difícil acompanhar
o andamento”.
Uma
das representações que o Concima tem dificuldade para acompanhar a
tramitação no MPF é a que se refere à denúncia de fraudes na execução do
programa do Governo Federal Bolsa Família. “O Tribunal de Contas da
União constatou a irregularidade, determinou que o MPF e a Polícia
Federal identificassem os responsáveis pelas irregularidades. Fica muito
difícil de acompanhar, porque tem que ir até a sede do órgão e marcar
horário com procurador”, criticou José Antônio Fonseca.

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