Populações tradicionais da Amazônia dizem que não foram ouvidas em carta que vai para Rio+20
As discussões sobre
temas que serão abordados na Conferência das Nações Unidas sobre o
Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) aconteceram no auditório Eulálio
Chaves, na Universidade Federal do Amazonas (Ufam).
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| Alzira Almeida: “Continuamos com os mesmos problemas sociais, como falta de água e degradação do meio ambiente” |
Debate
feito na manhã desta terça-feira (5) entre representantes de
comunidades, instituições de ensino, representantes de movimentos
ambientais e do Governo sobre temas que serão abordados na Conferência
das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), revelou
que não há consenso sobre a representatividade do Estado na Conferência
que acontece entre 13 e 22 de junho no Rio de Janeiro, e que as
populações ribeirinhas não sentem o efeito prático das decisões
políticas.
As discussões aconteceram
no auditório Eulálio Chaves, na Universidade Federal do Amazonas (Ufam).
Para o diretor do Serviço de Ação, Reflexão e Educação Social (Sares),
Guillermo Cardona, as decisões são tomadas “à margem” do que a sociedade
precisa.
“Quando falamos em
território, a reflexão vai além do espaço geográfico. Por exemplo, o
Teatro Amazonas. Quem se atreve a mudar sua localização? Ele é mais que
um espaço de eventos, ele tem um significado enorme para a cidade e o
Estado. Idolatramos esse monumento. O mesmo deveria acontecer com os
espaços ocupados pelos ribeirinhos, indígenas, o povo da floresta”.
O
diretor do Museu da Amazônia, Ennio Candotti, acredita que todos devem
contribuir para o conhecimento da Amazônia. “Devemos conhecer floresta e
muitos cientistas, intelectuais, políticos e cidadãos de Manaus não
sabem. Eu gostaria de aprender”.
O
representante do Sindicato dos Trabalhadores Rurais dos Municípios do
Careiro, Manaus e Iranduba (STTR-CMI), Alexandre Victor, disse que a
Carta da Amazônia, documento concluído na sexta-feira e que será
apresentado à ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, “não reflete
o pensamento da sociedade”. “Quem melhor conhece a floresta é quem vive
nela. Trazer modos de vida diferentes é uma prática de autoritarismo
imposto por países que um dia, desmataram suas florestas”.
Para
Alzira Almeida, presidente da Associação da comunidade Nova Luz do Bom
Destino, situada no Tarumã, os recursos financeiros destinados ao meio
ambiente “não beneficiam o caboclo”. “Posso afirmar que a Amazônia é
rica, acolhedora e está no centro das atenções do mundo, mas, na
prática, nós não sentimos esses efeitos”.
Princípios
Entre os aspectos que contempla a Carta da Amazônia, está o de reconhecer os direitos humanos e o papel das populações amazônicas nas decisões; valorizar os diferentes caminhos para o desenvolvimento sustentável, segundo as condições históricas, geográficas e culturais e assegurar a reprodução do conhecimento tradicional.

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