Bois-bumbás se acusam mutuamente de não completar cem anos em 2013
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| Pesquisadores apontam evidências de que bumbás talvez não tenham a idade que alegam |
Faz
uma semana que o 47° Festival Folclórico de Parintins chegou ao fim,
mas os bumbás Garantido e Caprichoso já estão pensando em seus
centenários – ambos comemorados em 2013. O problema é que tanto os
torcedores do boi da Baixa de São José quanto do boi da Francesa e
Palmares afirmam que seus adversários não têm um século de fundação. A
polêmica de que o Garantido não teria cem anos surgiu pelo fato de
Lindolfo Monteverde (criador do boi do coração) ter feito uma promessa a
São João Batista em 1920, quando tinha 18 anos. Ele prometeu que, se se
curasse de uma grave doença, realizaria anualmente uma ladainha e uma
festa de boi em sua homenagem. Ou seja, se a promessa que deu origem ao
bumbá foi feita em 1920, o Garantido vai completar 93 anos de idade em
2013.
A evidência é sustentada pela
toada “Sonho de liberdade”, que diz numa de suas estrofes: “Boi
Garantido, é histórico, é sabido/ Que mestre Lindolfo Monteverde/ Aos 18
anos de idade contigo sonhou/ Boi Garantido, sonho de Lindolfo
Monteverde/ Do poeta a oitava maravilha/ Se realizou”. A última prova
seria um trecho do livro “O magnífico folclore de Parintins”, de autoria
de Tonzinho Saunier, da década de 70. A obra traz uma entrevista de
Lindolfo Monteverde, concedida no dia 21 de junho de 1970 e publicada no
jornal “A Tribuna”, que circulava no município de Parintins, na qual o
próprio diz o seguinte: “Eu tinha 18 anos em 1920, quando coloquei pela
primeira vez o novilho, que completa este ano (1970) 50 anos de
existência e por isso estou alegre. O Garantido sucedeu o boi Fita
Verde, do meu compadre Izídio Passarinho, do Aninga (região de
Parintins)”.
Família
A
despeito disso, Raimundo Monteverde, neto de Lindolfo, afirma que o
bumbá vermelho e branco vai completar cem anos em 2013, e que seu avô já
brincava com um boi feito de curuatá (invólucro das flores das
palmeiras) aos 11 anos. Contudo, só oficializou o Garantido com 22 anos.
“Eles dizem isso porque, conforme a idade de Lindolfo em 1913, ele não
colocava o boi. Nessa época, não podia brincar com os adultos, mas
Lindolfo brincava no terreiro com os irmãos, com amigos. Quando adulto
ele fez o boi (Garantido)”, diz o neto Monteverde. “Isso é uma forma de
igualar o Caprichoso com o Garantido, só que isso não existe, porque o
Garantido brincava de boi com o Galante, Fita Verde, Tira Prosa, entre
outros, e não com o Caprichoso”, complementou.
Provas orais
Provas
de que o boi da Francesa e Palmares teria cem anos são poucas, em sua
maioria são apenas relatos de pessoas mais antigas. Segundo a
pesquisadora Odnéa Andrade, torcedora do Caprichoso, quando começou a
participar da vida ativa do boi, entrou em contato com esse público e
coletou informações. “Tenho um depoimento da dona Maria Laura, casada
com um dos filhos (todos já falecidos) de Roque Cid (fundador do bumbá),
que afirma que o Caprichoso tem cem anos”, informa. Ela conta, também,
que desenvolveu um projeto, intitulado “Oh! Que delícia de rua”, que
envolvia as ruas Sá Peixoto e Cordovil (ambas de Parintins), onde
possivelmente haveria ocorrido o nascimento do Caprichoso, em que os
moradores mais antigos dizem que o bumbá completará dez décadas. A obra
“O magnífico folclore de Parintins” discorda quanto Roque Cid ser o
fundador do Caprichoso. Segundo um trecho da publicação, o boi surgiu em
1913, trazido de Manaus pelo Sr. Emídio Vieira.
Pesquisa não comprova
Larice
Butel, do Conselho de Arte do Caprichoso, está fazendo uma pesquisa
sobre o centenário do boi da Francesa junto com os outros integrantes do
grupo. O estudo começou em janeiro desse ano, mas até agora ela diz ser
complicado afirmar que o Caprichoso tenha cem anos. Contudo, pelo que
já foi apurado, é possível que o Boi da Estrela seja mais antigo que o
Boi do Coração.
Ela aponta, ainda,
que Parintins não era dividida em cores e que os bumbás brincavam em
ruas específicas do município. “São vários relatos de que aconteciam
muitas brigas. Só que ainda estamos tabulando essas informações. (...)
Precisamos concluir essa pesquisa até agosto, porque ela vai gerar um
documentário e um livro”, contou. O cineasta carioca Silvio Da-Rin
também já começou a coletar informações para fazer um documentário sobre
o centenário do boi Garantido, a ser lançado em 2013.

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