Tudo que você precisa saber antes de entrar em uma sala de cirurgia
Eles nos cortam, removem tumores,
refazem as formas do corpo, nos dão novos órgãos. Mas, apesar de
entregarmos nossa vida aos bisturis dos cirurgiões, muitos de nós
sabemos mais a respeito dos profissionais que cortam nossos cabelos do
que sobre aqueles que “abrem” nosso corpo. Você sabia, por exemplo, que
alguns recebem “incentivos” para escolher determinado equipamento em
suas cirurgias ou prescrever menos dias de internação no pós-operatório?
Use as dicas abaixo, colhidas de profissionais tão renomados quanto
sinceros, para ser um paciente mais sagaz e mais saudável.
Escolha o melhor cirurgião
1
“Ninguém acerta 100% das cirurgias, só quem não opera. Mas, se você, em
um grande hospital em que atuam 40 cirurgiões, ouve os profissionais
repetindo o nome de um determinado médico e descobre que ele realiza um
número considerável de cirurgias, isso sinaliza que ele é bom no que
faz.”
Dr. Jorge Ribas Timi,
cirurgião vascular e endovascular do Instituto da Circulação (Curitiba) e advogado atuante em Direito Médico
2
“A indicação de um cirurgião por parte de seu médico particular pode
ser duvidosa. O costume entre os profissionais é indicar um primo, um
cunhado, um amigo a quem se deve algum tipo de favor.”
Dr. Maurício Peregrino,
cirurgião em Criciúma (SC) e autor de Verdades e mentiras sobre médicos,entre outros livros
Antes de ir para a sala de cirurgia...
3 “As
pessoas chegam ao hospital para uma cirurgia e não sabem se ele é bem
equipado e como vão ser os cuidados no pós-operatório, um período em que
os riscos de infecções e outros problemas graves são grandes. Não
adianta operar com o Dr. Fulano, um grande especialista, e não ter os
devidos cuidados depois da cirurgia. Você deve perguntar sobre o
pós-operatório bem antes de ir para o centro cirúrgico.”
Dr. Maurício Peregrino
4
“Um processo muito importante é ‘marcar o lado’ do órgão que será
operado. Esse procedimento deve ser feito – pelo médico – antes que o
paciente saia do quarto para o centro cirúrgico. O acompanhamento de um
familiar do paciente nesse momento é indispensável para reduzir o risco
de erros.”
Dr. S.A.,
cirurgião e gestor hospitalar em São Paulo
O que os cirurgiões não gostam… Que você saiba
5
“Os pacientes, muitas vezes, estão sedados, mas ouvem tudo o que
falamos na sala de cirurgia. Depois, nos descrevem o que ouviram
enquanto imaginávamos que eles estivessem dormindo. Por isso, sempre
tomo cuidado com tudo o que digo, por mais demorada que seja a
cirurgia.”
Dr. Bruno Zilberstein,
cirurgião em São Paulo e autor de 17 livros, entre eles Cuidados pré e pós-operatórios em cirurgiadigestiva e coloproctologia
6
“Um colega cirurgião, uma vez, me chamou para mostrar a cicatriz em uma
paciente que ele havia operado de apendicite. A incisão não tinha mais
do que dois centímetros. Naquele tempo, seria impossível realizar aquela
cirurgia dessa forma, ou seja, foi uma farsa. A paciente estava feliz
porque poderia usar biquíni e o colega ria à toa. A frequência de
cirurgias desnecessárias é bem maior do que se imagina.”
Dr. Maurício Peregrino
A cirurgia é mesmo necessária?
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“Quando surge uma novidade na medicina, o uso se espalha rápido. Os
fabricantes de equipamentos enviam para os médicos estudos sobre as
vantagens dos seus produtos. Os stents são um exemplo disso. Hoje, o paciente recebe um stent;
daqui a um ano, outro e mais outro em sequência. Na verdade, a maior
parte desses casos deveria ter sido tratada ou com uma cirurgia
conservadora ou apenas com medicação e acompanhamento médico. Os stents acabam se deteriorando com o tempo e criam novos problemas.”
Dr. Lauro Sérgio Pereira,
cardiologista no Hospital Barra d’Or, no Rio de Janeiro, e autor de Nem todos os médicos são deuses
8
“Lutamos, nas faculdades e nos cursos de atualização, para evitar que
as operações de fimose sejam feitas em crianças. A maior parte desses
casos se resolve espontaneamente, sem cirurgia. Nos Estados Unidos, eles
operam todos os casos, por interesse puramente financeiro. Como nossa
medicina está muito próxima à dos americanos, acabamos reproduzindo essa
tradição cultural. Mas a operação não é realmente necessária, ainda que
as próprias famílias resistam a essa noção.”
Dr. Clécio Piçarro,
cirurgião pediátrico e professor do Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais
Fique seguro após a cirurgia
9
“O prontuário médico é um documento que contém todas as informações
relacionadas ao paciente durante sua internação: história clínica, exame
físico, prescrição de medicamentos, informações relacionadas à evolução
diária, resultado de exames, relato cirúrgico, etc. E o paciente tem
acesso irrestrito a esse documento.”
Armando de Oliveira e Silva,
presidente do Colégio Brasileiro de Cirurgiões
O que os hospitais e planos de saúde não querem que você saiba
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“Os planos de saúde não pagam ao cirurgião pelas visitas pós-cirurgia.
E, algumas vezes, distribuem premiações para o médico que prescreve
menos dias de internação. Isso pode representar um risco grave para o
paciente.”
Dr. S.A.
11 “Os
planos pagam R$ 40 por uma consulta. O médico só tem tempo de pedir
exames, tentando atender o máximo de pacientes por dia. O paciente faz
os exames, a maior parte inúteis, e o médico se omite de tomar a decisão
sobre uma cirurgia. Muitas dessas indicações atendem a interesses que
não são dos pacientes.”
Dr. José Geraldo de Castro Amino,
ex-presidente da Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio de Janeiro
Verdades sobre equipamentos médicos
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“Existem médicos que usam a medicina como comércio. Exigem a compra de
equipamentos, como implantes, de um determinado fornecedor que cobra
sobrepreços de 40% (valor extra que irá para o cirurgião). Isso encarece
os custos que, no fim, pesarão no bolso do paciente. O Conselho
Regional de Medicina e as comissões de ética dos hospitais estão atentos
a isso.
Dr. S.A.
Nosso lado mais humano
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“A gente tenta criar um bloqueio para poder ajudar melhor, mas acaba
sofrendo junto. Aconteceu muitas vezes de eu operar uma criança com
câncer e, ao chegar em casa e ver meus filhos saudáveis, sofrer demais
pensando no destino daquela criança e daquela família. Por isso, mesmo
que não tenha como resolver uma situação, tento dar todo o
apoio.”
Dr. Clécio Piçarro
Todos cometemos erros
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“Durante uma cirurgia de histerectomia (retirada do útero), tínhamos
acabado de fechar o abdome de uma paciente quando, seguindo minha
rotina, perguntei quem havia tirado cada uma das três compressas que
usávamos nesse tipo de procedimento. Eu tinha tirado uma, o primeiro
auxiliar outra. Onde estava a terceira? No abdome da paciente.
Imediatamente abrimos outra vez e retiramos. Se fosse alguém que não
tivesse rotina, talvez tivesse deixado a compressa lá dentro.”
Lizette Lins,
cirurgiã e professora aposentada de Ginecologia e Obstetrícia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Cirurgia cadíaca mais segura
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“Antes de se submeter a uma cirurgia, sempre pergunte ao médico qual é o
problema e por que a cirurgia é imprescindível. Ter um bloqueio em uma
artéria não significa que você tenha de “entrar na faca”, ainda mais
quando não há sintomas. Muitas vezes é possível fazer um tratamento
clínico, que envolve medicação, mudança de hábitos e reabilitação
cardíaca.”
Dr. Carlos Eduardo F. Domingues

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