terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Sessenta municípios do interior do Amazonas não possuem defensor público


Em 60 dos 61 municípios do interior do Amazonas, um cidadão da classe mais pobre da população tem um promotor para o acusar, um juiz para julgá-lo, mas ninguém para defendê-lo. Nessa realidade vivem 1 milhão e 700 mil pessoas no Estado, residentes em cidades onde não há um único defensor público.

Pela legislação, por exemplo, um delegado de polícia é obrigado a comunicar à Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DP-AM), no prazo de 24 horas, a prisão de qualquer pessoa. Na teoria, isso garante, principalmente à população mais pobre, o auxílio de um advogado no início do inquérito policial, momento onde geralmente é comum ocorrer erros que levam a injustiças.

O problema é que, no Amazonas, dos 61 municípios, apenas em Presidente Figueiredo (a 107 quilômetros de Manaus) há um defensor público. A carência desses profissionais e a falta de investimentos no setor é um problema nacional. Para defensores ouvidos por A CRÍTICA, o maior obstáculo à universalização dos serviços das defensorias é a falta de autonomia financeira.

Por isso, no próximo dia 6, defensores públicos do Amazonas se unirão a outros 300 de todo o Brasil, em Brasília, para pressionar parlamentares a derrubarem veto da presidente Dilma Rousseff (PT) ao Projeto de Lei Provisório (PLP) nº 114/2011.

Transformado em lei, o projeto alteraria a 
Lei de Responsabilidade Fiscal. Na prática, os Estados seriam obrigados a aumentar os orçamentos das Defensorias Públicas. E os órgãos, por sua vez, teriam livre arbítrio para administrar o dinheiro. Assim como ocorre hoje com os tribunais de Justiça, de Contas e assembleias legislativas e procuradorias de Justiça.

“A defensoria passaria a dispor de mais recursos para investir na ampliação dos seus quadros. Para nomeação de mais defensores, pois há carência grande nos quadros. Além de poder melhorar a estrutura física do órgão, para abrigar defensores e população”, comenta o defensor-geral da DP-AM, Ricardo Trindade.

 G1



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