A campanha também chama a atenção para a mulher que ocupa espaços
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De acordo com a Conceição Sampaio, a patrulha certamente é mais um (Foto: Aleam) |
Na data em que se comemora o Dia Internacional de Luta contra a
violência à Mulher, 25 de novembro, instituída pela Organização das Nações
Unidas (ONU), a deputada estadual Conceição Sampaio (PPS) destaca a importância
da data inserida na campanha mundial dos 16 Dias de Ativismo e das diversas
atividades promovidas pelos Movimentos Sociais de Mulheres para coibir a
violência doméstica e familiar, bem como todos os tipos de violência. E aponta
que a campanha inicia no Brasil no Dia da Consciência Negra, 20 de novembro, e
encerra no Dia Internacional dos Direitos Humanos, 10 de dezembro, justamente
para marcar a luta pelas desigualdades e violência sofridas por mulheres e
homens.
“No Brasil temos uma boa legislação, que é a Lei Maria da Penha, que
coíbe a prática dessa violência, já em seu oitavo ano de aplicação, com vários
mecanismos de defesa da vida da mulher já criados. O Amazonas já tem vários
serviços oferecidos em rede, não se pode deixar de reconhecer, mas ainda vemos
a deficiência na prestação desses serviços, onde as mulheres ainda não se
sentem bem acolhidas”, avalia a parlamentar. E ressalta entre os avanços a
Patrulha Maria da Penha, criada pelo Poder Executivo em 2014, com o nome Ronda
Maria da Penha, a partir de uma indicação feita pela própria deputada, para
atuar na prevenção à violência doméstica e familiar contra a mulher.
De acordo com a Conceição Sampaio, a patrulha certamente é mais um
importante instrumento, criado para que de fato a mulher se encoraje a fazer
uma denúncia de agressão, como também tenha a certeza de que na hora que
precisar, terá um mecanismo de alerta à delegacia mais próxima de sua
residência e ter sua vida resguardada.
Empoderamento
Os 16 Dias de Ativismo, explica Conceição Sampaio, serve também para o
empoderamento da mulher. “E não só a mulher que está hoje fora de casa, mas a
mulher que está em casa, para que se sinta respeitada, como dona de casa, como
trabalhadora de qualquer atividade que tenha escolhido para realizar”,
ressalta.
E acrescenta que a campanha também chama a atenção para a mulher que
ocupa espaços de poder. “Temos uma mulher presidente, reeleita, o que sinaliza
que a população brasileira quer o país sendo conduzido por uma mulher. Mas por
outro lado, os parlamentos estaduais ainda não conseguem reproduzir na prática,
mesmo sendo as mulheres mais de 52 % do eleitorado brasileiro”, enfatiza.
E cita o exemplo da Assembleia Legislativa do Amazonas que em 2007 tinha
três deputadas, em 2010 contava com duas mulheres e para 2015 terá apenas uma
parlamentar, apesar de todo o trabalho que a Comissão dos Direitos da Mulher
tem procurado fazer ao longo de oito anos de sua criação.
“Será preciso fazer um estudo para avaliar essa questão, pois mulher
vota em mulher sim; mulher gosta de política sim. Só que ainda não temos o
despertar dos partidos políticos para fazer com que de fato essas candidaturas
de mulheres não se limitem ao papel ou às cotas, mas com possibilidades
concretas, com direito aos investimentos dos partidos. A reforma política é
necessária, tem de acontecer”, alerta a deputada.
Contribuição parlamentar
Eleita deputada federal em 2014, com 71.878 votos, para ocupar um
das oito vagas do Amazonas para a Câmara Federal, em Brasília, Conceição
Sampaio adianta que recebeu um convite da Procuradoria da Mulher, da Câmara
Federal, para participar de forma ativa no Congresso Nacional na luta pelos
direitos não somente das mulheres, mas de toda a sociedade brasileira, que
precisa vivenciar a democracia como algo pertencente a homens e mulheres.
“Quando não se tem mulheres tomando decisões também em uma casa legislativa,
não se tem a sociedade totalmente representada, e a decisão não será plena”,
destaca Conceição Sampaio.
A deputada lembra que quando assumiu em 2007, na Assembleia Legislativa,
era o primeiro ano da Lei Maria da Penha, o presidente Lula havia sancionado a
Lei 11.340. Para a parlamentar, trata-se de uma lei importante, decisiva para o
estado brasileiro de direitos, quando se mudou a percepção do país em relação
ao crime de violência contra a mulher. E ressalta que até então, a violência
era tida como lesão corporal, o agressor pagava uma cesta básica como pena e a
mulher voltava para casa muito mais humilhada e machucada do que os próprios
hematomas sofridos. “Mas a lei precisa ser cumprida, pois não adianta termos
uma lei eficiente se a mesma não for cumprida”, frisa.
E o país precisa avançar, adianta a deputada federal eleita: “Ainda
encontramos pessoas que procuram justificar a violência contra a mulher no
próprio comportamento das vítimas, seja pela atitude ou pela vestimenta, como
motivação para os abusos. Nada justifica a violência. E o estado brasileiro não
pode ficar omisso diante das agressões sofridas pelas mulheres”, alerta
Conceição Sampaio. E acrescenta que o estado agiu em função dos movimentos de
mulheres, da própria organização internacional, senão o país ainda não teria
uma legislação suficiente para coibir essa violência.
O Amazonas se enquadra com alguns avanços importantes, avalia Conceição
Sampaio, mas aponta que o interior do estado não conseguiu sentir que existe
essa política pública. “O que existe são serviços pontuais que vão até o
interior. E os movimentos de mulheres já estão presentes em muitas cidades e
conseguem dar visibilidade às questões sofridas pelas mulheres”, explica. Para
contribuir na solução dessas questões, a deputada tem planos de participar da
Comissão de Seguridade Social e Família, a qual aborda temáticas relacionadas à
mulher, família, idoso, deficiente.
Texto: Assessoria da Deputada

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