Indígena doente não teria sido removido em tempo hábil por falta de embarcação; Dsei/Vale do Javari rebate a denúncia
| Mortes foram confirmadas pela nova chefe do Dsei/Vale do Javari |
Um
indígena da etnia da região do Vale do Javari, no município de Atalaia
do Norte (a 1.138 quilômetros de Manaus) morreu nesta segunda-feira (25)
por falta de atendimento, segundo informações do Conselho Indigenista
Missionário (CIMI) e do presidente da Organização Geral dos Mayoruna
(OGM), Vítor Mayoruna.El
Sebastião
Mayoruna, cuja idade foi estimada em 60 anos (embora haja a versão de
que ele teria mais de 70) morava na aldeia Fruta Pão. Nesta terça-feira
(26), a assessoria de imprensa do CIMI em Manaus divulgou a morte,
afirmando que o caso“o estado precário em que vive o Distrito Sanitário
Especial Indígena (Dsei) de Atalaia do Norte".
De
acordo com divulgações do CIMI, moradores da aldeia Fruta Pão chegaram a
pedir a remoção do indígena doente, mas uma enfermeira identificada
como Rose teria dito que o Dsei de Atalaia do Norte estava sem
combustível para a embarcação.
“Na
última sexta-feira, 22/02, o técnico de enfermagem que estava na aldeia
Fruta Pão entrou em contato com o Dsei em Atalaia do Norte por
radiofonia e solicitou a remoção do indígena. A resposta dada pela
funcionária responsável, naquela ocasião, foi de que ele deveria
permanecer em tratamento na aldeia porque os barcos estavam quebrados e
não havia combustível”, diz trecho do relato enviado pela assessoria do
CIMI.
Segundo
o CIMI, com base em relato de Vítor Mayoruna, dentre o que ficaram sem
atendimento estava o filho do cacique Chico Preto, da Aldeia Lago
Grande. A criança apresentava vômito e diarréia e estava bastante
debilitada.
A reportagem do portal acrítica.com
ligou para Vítor Mayoruna, que confirmou a informação do CIMI. Segundo
Vítor, a notícia da doença de Sebastião foi divulgada na semana passada
por meio de radiofonia. Conforme Vitor, a remoção não ocorreu com a
alegação de que não havia barco para o deslocamento do doente. Ele
relatou também o caso de uma criança que “estava doente” que não recebeu
atendimento por falta de atendimento.
Procurado
pelo portal, o coordenador do Dsei do Vale do Javari, Heródoto Jean
Sales, confirmou a morte mas negou que o pedido de remoção tenha
ocorrido.
Sales
disse que foi informado nesta terça-feira que o indígena tinha “mais de
70 anos” e que este morreu de falência múltipla dos órgãos. “O
enfermeiro de lá disse que não foi pedida remoção alguma”, disse.
Indagado
se o Dsei/Vale do Javari tinha problemas nas estruturas, como falta de
combustível ou barco quebrado, ele também negou. “Nesses seis meses que
estou no distrito esse é o segundo indígena que morre. Não sei por que o
pessoal está fazendo confusão. Não sei por que a vigilância no Vale do
Javari. Morre índios em outros Dsei e ninguém fala nada”, afirmou.
Conforme Sales, “todos os índios que pedem remoção” são atendidos pelo
Dsei/Vale do Javari.
Nenhum comentário:
Postar um comentário