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sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

PF investiga se empreiteiras da Lava Jato desviaram dinheiro da transposição do Rio São Francisco

Segundo as apurações, o esquema foi supostamente intermediado por empresas do doleiro Alberto Youssef e pode ter levantado 200 milhões de reais em fraudes


Polícia Federal deflagra operação que investiga superfaturamento em obras da transposição do rio São Francisco(Vagner Rosário/VEJA.com)


A Polícia Federal deflagrou na manhã desta sexta-feira uma operação que investiga o superfaturamento de obras de engenharia em dois dos catorze lotes da transposição do rio São Francisco. Agentes da PF cumprem, ao todo, 32 mandados judiciais, sendo quatro de prisão, quatro de condução coercitiva e 24 de busca e apreensão. Cento e cinquenta agentes foram acionados em nove Estados - Pernambuco, Goiás, Mato Grosso, Ceará, São Paulo, Rio de Janeiro, Rio grande do Sul, Bahia e Brasília.

Os investigadores apuram se um consórcio formado pela OAS, Galvão Engenharia, Barbosa Melo e Coesa utilizou empresas de fachada para desviar cerca de 200 milhões de reais das verbas públicas destinadas à transposição do rio, no trecho que vai do agreste pernambucano até a Paraíba. Os contratos investigados, até o momento, são da ordem de 680 milhões de reais.

Conforme confirmou o site de VEJA, algumas dessas empresas laranjas estão em nome do doleiroAlberto Youssef e do lobista Adir Assad, que já foram condenados por envolvido no escândalo de corrupção na Petrobras. Os investigados responderão pelos crimes de associação criminosa, fraude na execução de contratos e lavagem de dinheiro.

O nome dado à operação é Vidas Secas - Sinhá Vitória em referência ao personagem do livro de mesmo nome de Graciliano Ramos. Na obra, Sinhá Vitória é a mulher do vaqueiro Fabiano que o alerta sobre as trapaças do proprietário da fazenda onde ele trabalha. Apesar de terem alvos em comum, as apurações não são conduzidas pela força-tarefa da Lava Jato.

Veja.com


terça-feira, 17 de novembro de 2015

Polícia Federal investiga sítio usado por Lula

De acordo com o jornal Folha de São Paulo, o sítio é frequentado pelo petista e família

A Polícia Federal apura se a empreiteira OAS beneficiou familiares do ex-presidente Luiz Inácio


A Polícia Federal apura se a empreiteira OAS beneficiou familiares do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao pagar por obras feitas em um sítio no interior de São Paulo. De acordo com o jornal Folha de São Paulo, o sítio é frequentado pelo petista e família.
A investigação está inserida em um pedido de perícia contábil para saber se a OAS fez repasses de propinas para políticos, agentes públicos e partidos políticos em operações de lavagem de dinheiro.
O sítio está localizado na cidade de Atibaia (SP), tem cerca de 150 mil m², e está registrado em nome dos empresários Jonas Suassuna e Fernando Bittar – ambos sócios de Fábio Luís da Silva, filho do e­­x-presidente, refere a Folha.
A PF elaborou um requerimento para elaboração de laudo sobre o sítio, e também encaminhou na última quinta-feira (12) um ofício ao CREA-SP (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado de São Paulo) pedindo a documentação referente a obras feitas no imóvel, tecnicamente denominada ART (Anotação de Responsabilidade Técnica).
Revista
A Folha recorda que, em abril, a revista "Veja" divulgou que o ex-presidente da OAS Léo Pinheiro, então preso na Operação Lava Jato, realizou uma reforma no sítio de Atibaia a pedido de Lula.
Posteriormente, o STF (Supremo Tribunal Federal) liberou Pinheiro para se defender em liberdade e em seguida foi condenado a 16 anos de prisão pelo juiz federal Sergio Moro.
Segundo a "Veja", o ex-presidente costuma pescar na propriedade rural. Ainda de acordo com a revista, com base em informações a anotações feitas por Pinheiro no Complexo Médico Penal, em Curitiba, as obras teriam sido realizadas no primeiro semestre de 2011 e incluíram a reforma completa de duas casas, a construção de um pavilhão e de área para churrasqueira, a ampliação de uma piscina e a instalação de um campo de futebol, além da transformação de um antigo lago em tanques de peixe.
A "Veja" destacou, na ocasião, que os operários trabalharam em turnos de dia e noite, incluindo finais de semana, para acelerar a conclusão das obras e receberiam seus pagamentos em dinheiro vivo. Os trabalhos teriam sido coordenados pelo arquiteto Igenes Irigaray Neto, que, ainda segundo "Veja", teria sido indicado pelo empresário José Carlos Bumlai, outro amigo de Lula.
A revista citou também que as anotações do empreiteiro à época seriam o esboço de um possível acordo de delação premiada, o que não foi formalizado até hoje.
Sítio
A PF também irá analisar, na perícia que envolve o sítio, os contratos da OAS com a Petrobras de 2004 a 2014 e as transações financeiras entre a empreiteira e agentes públicos e partidos políticos nesse período, com base em quebra de sigilo fiscal e bancário. A Folha refere que o objetivo das investigações é descobrir eventuais operações de lavagem de dinheiro no âmbito da Operação Lava Jato.

Noticias ao Minuto

sexta-feira, 20 de março de 2015

Fifa fatura R$ 16 bilhões com a Copa no Brasil, lucro recorde para a entidade

Entre 2010 e 2014, enquanto o mundo pena para sair de sua pior crise 

Nenhum outro evento jamais se comparou aos ingressos gerados pelo Brasil (Foto: Internete)


Na Fifa, lucros recordes. No Brasil, estádios deficitários, fechados e até afetados pela Operação Lava Jato. A Copa do Mundo de 2014 garantiu para a entidade que controla o futebol mundial o maior resultado financeiro de sua história e milhões acima até mesmo do que a entidade previa.

O jornal O Estado de S. Paulo obteve com exclusividade o balanço comercial mantido em sigilo pela entidade que será revelado nesta sexta-feira e aponta que o Mundial rendeu à Fifa perto de US$ 5 bilhões (cerca de R$ 16 bilhões). Diante do recorde, jamais a entidade acumulou uma fortuna como a que hoje dispõe.

Entre 2010 e 2014, enquanto o mundo pena para sair de sua pior crise financeira em 70 anos, a Fifa segue um caminho radicalmente diferente graças aos contratos no Brasil. Apenas no ano de 2014, a renda foi de quase US$ 2 bilhões, um recorde absoluto com contratos comerciais, vendas de ingressos e direitos de televisão.

Nenhum outro evento jamais se comparou aos ingressos gerados pelo Brasil, e sem a cobrança de impostos. Para a Copa de 2010, na África do Sul, a renda chegou a US$ 4,1 bilhões. No ano de renda máxima na história da entidade, em 2006, os ingressos chegaram a US$ 249 milhões. Agora, os valores apontam para um salto de dez vezes.

A entidade argumenta que deixou parte dessa renda ao Brasil, com um pacote de US$ 100 milhões para o desenvolvimento do futebol no País. O que a Fifa não diz é que o volume é equivalente ao que paga, por ano, em salários a seus próprios cartolas. 

BURACO

Se a Fifa nada em dinheiro hoje, a situação dos estádios brasileiros nem sempre acompanha esses benefícios. Pelo menos seis dos 12 estádios da Copa estão com sérias dificuldades para se financiar.
Na Fonte Nova, em Salvador, o problema é o impacto dos escândalos de corrupção no Brasil e a Operação Lava Jato. A OAS, empresa que administra o estádio, teve suas ações bloqueadas pela Justiça e pode ser obrigada a se desfazer do investimento na arena.

Em Manaus, os times amazonenses têm evitado usar o estádio diante dos custos para os jogos do Estadual. A Arena Amazônia, que custou R$ 670 milhões, precisa de R$ 700 mil por mês em manutenção. Mas, entre o final da Copa e fevereiro deste ano, o estádio recebeu apenas sete partidas e o prejuízo supera a marca de R$ 2 milhões. Em média, o campeonato amazonense de futebol de 2015 tem recebido um público pagante de 659 pessoas por jogo.
Em Brasília, a falta de jogos no Estádio Mané Garrincha levou o governo do DF a levar parte de sua burocracia para ocupar o local. Hoje, seu buraco é de mais de R$ 5 milhões.

Em Natal, o ABC rompeu nesta semana um acordo com o consórcio que administra a Arenas das Dunas. Um contrato previa que os clássicos do Estado fossem realizados no estádio. Mas, no início do mês, a partida entre ABC e América foi disputado no Frasqueirão.
O América manteve seus jogos na Arena. Mas, em sete partidas, acumulou uma média de meros 3,5 mil pagantes por jogo - 10% da capacidade do estádio.

O Maracanã ainda luta para operar com lucros. Para que uma partida represente um benefício para os administradores, o estádio precisa contar com pelo menos 30 mil torcedores. No atual campeonato estadual, a média de público não passa de 3,6 mil por jogo. No caso do Flamengo, a média é de 16 mil.

Em janeiro, a Arena Pantanal foi obrigada a fechar suas portas para uma reforma “urgente”. Isso tudo apenas sete meses depois da Copa.

Fonte: Willian D'Ângelo