quarta-feira, 25 de abril de 2012

Pesquisa revela que população do Norte do País toma pouco cuidado com olhos

Pesquisa nacional mostra que 55% dos nortistas não fazem a consulta anual recomendada pelos oftalmologistas

Resultado da pesquisa Carl Zeiss indicou também que a população do Norte só procura um oftalmologista quanto está sentindo algum problema nos olhos
Resultado da pesquisa Carl Zeiss indicou também que a população do Norte só procura um oftalmologista quanto está sentindo algum problema nos olhos (Marcio Silva)

Uma pesquisa divulgada recentemente por um grupo alemão chamado Carl Zeiss, de tecnologia oftalmológica, que atua no Brasil, revelou que apenas 55% da população da Região Norte consulta o oftalmologista anualmente,  como indicado pelos especialistas. O resultado da pesquisa indica que a maioria dos mil entrevistados procura orientação médica apenas quando começam a sentir algum incômodo nos globos oculares, ou olhos.
“Os cuidados devem iniciar ainda na gestação, pois algumas doenças da mãe podem ocasionar doenças oculares no bebê. Ao nascer é indispensável o ‘teste do olhinho’ para diagnosticar se há alguma alteração. Na infância, durante a fase escolar, também é preciso ter um acompanhamento rotineiro do oftalmologista e que deve se estender pela fase da adolescência até a fase adulta. A cada fase da vida estamos sujeitos a alterações oculares que podem ser tratadas e, em muitos casos, evitar problemas graves como a perda de visão”, alerta o oftalmologista Paulo Roberto Magalhães. Porém, apenas 6% dos entrevistados declarou que nunca tinham feito testes de visão.
O risco de infectar o bebê com sífilis congênita, por exemplo, é grande, caso a mãe tenha sorologia negativa para a doença e se contamine durante a gravidez. No bebê, a doença causa alteração ocular grave com baixa de visão, alterações da retina a até cegueira.
Na adolescência, a microempresária Antonela Vasconcelos, 27, começou a se queixar da dificuldade que tinha para copiar conteúdos de sala de aula escritos na lousa. Mas ela e os pais por muitas vezes adiaram a consulta ao oftalmologista. “Como a dificuldade não era tão preocupante, eu comecei a sentar na primeira fileira de carteiras. Já que eu ficava bem próxima da lousa, conseguia copiar os conteúdos sem que as letras embaraçassem”, comentou.
Mas, o que para ela e para os pais parecia apenas ser um incômodo passageiro, foi diagnosticado como miopia. De acordo com especialistas, o problema, que é um dos mais comuns entre as pessoas, começa a aparecer na pré-adolescência e se estabiliza na adolescência. A miopia compromete a visão à distância ao fazer com que objetos distantes fiquem embaçados.
“Depois de um ano com essa dificuldade, meus pais me levaram ao oftalmologista e já estava começando a ficar avançada a miopia. Hoje tenho que usar óculos pra tudo que faço por ter começado a tratar o problema um pouco tarde”, disse microempresária.
O oftalmologista também reforça que, cada vez mais, adolescentes têm sido diagnosticados com problemas oculares. “Isso é o reflexo do início de um acompanhamento tardio”, salienta Paulo Roberto Magalhães.
Em meio à era da tecnologia, o mundo digital também tem comprometido a saúde dos olhos da população. A Síndrome dos Olhos, nos últimos anos, tem sido uma das doenças que comprometem a visão mais comum. O olho seco é uma doença crônica, caracterizada pela diminuição da produção de lágrima ou deficiência de seus componentes.
De acordo com Paulo Roberto Magalhães, uso prolongado do computador é uma das causas da Síndrome dos Olhos Secos. O oftalmologista aconselha a quem trabalha o dia todo em um ambiente fechado, com ar-condicionado ligado, a fazer pausas, podendo ser a cada uma hora, deixar o monitor abaixo da linha do olhar e sempre lembrar de piscar. “Essa síndrome também pode ser causada pelo tempo excessivo em frente à TV. Neste caso, é preciso ficar atento às crianças, pois muitos pais costumam deixá-las muitas horas em frente à TV”, alerta Paulo Roberto Magalhães.
Quando a síndrome não é diagnosticada e tratada corretamente, pode evoluir para uma lesão da superfície ocular e, em alguns casos, até levar à perda da visão, acrescentou o especialista.


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