Pesquisa nacional mostra que 55% dos nortistas não fazem a consulta anual recomendada pelos oftalmologistas
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| Resultado da pesquisa Carl Zeiss indicou também que a população do Norte só procura um oftalmologista quanto está sentindo algum problema nos olhos |
Uma
pesquisa divulgada recentemente por um grupo alemão chamado Carl Zeiss,
de tecnologia oftalmológica, que atua no Brasil, revelou que apenas 55%
da população da Região Norte consulta o oftalmologista anualmente,
como indicado pelos especialistas. O resultado da pesquisa indica que a
maioria dos mil entrevistados procura orientação médica apenas quando
começam a sentir algum incômodo nos globos oculares, ou olhos.
“Os
cuidados devem iniciar ainda na gestação, pois algumas doenças da mãe
podem ocasionar doenças oculares no bebê. Ao nascer é indispensável o
‘teste do olhinho’ para diagnosticar se há alguma alteração. Na
infância, durante a fase escolar, também é preciso ter um acompanhamento
rotineiro do oftalmologista e que deve se estender pela fase da
adolescência até a fase adulta. A cada fase da vida estamos sujeitos a
alterações oculares que podem ser tratadas e, em muitos casos, evitar
problemas graves como a perda de visão”, alerta o oftalmologista Paulo
Roberto Magalhães. Porém, apenas 6% dos entrevistados declarou que nunca
tinham feito testes de visão.
O
risco de infectar o bebê com sífilis congênita, por exemplo, é grande,
caso a mãe tenha sorologia negativa para a doença e se contamine durante
a gravidez. No bebê, a doença causa alteração ocular grave com baixa de
visão, alterações da retina a até cegueira.
Na
adolescência, a microempresária Antonela Vasconcelos, 27, começou a se
queixar da dificuldade que tinha para copiar conteúdos de sala de aula
escritos na lousa. Mas ela e os pais por muitas vezes adiaram a consulta
ao oftalmologista. “Como a dificuldade não era tão preocupante, eu
comecei a sentar na primeira fileira de carteiras. Já que eu ficava bem
próxima da lousa, conseguia copiar os conteúdos sem que as letras
embaraçassem”, comentou.
Mas, o que
para ela e para os pais parecia apenas ser um incômodo passageiro, foi
diagnosticado como miopia. De acordo com especialistas, o problema, que é
um dos mais comuns entre as pessoas, começa a aparecer na
pré-adolescência e se estabiliza na adolescência. A miopia compromete a
visão à distância ao fazer com que objetos distantes fiquem embaçados.
“Depois
de um ano com essa dificuldade, meus pais me levaram ao oftalmologista e
já estava começando a ficar avançada a miopia. Hoje tenho que usar
óculos pra tudo que faço por ter começado a tratar o problema um pouco
tarde”, disse microempresária.
O
oftalmologista também reforça que, cada vez mais, adolescentes têm sido
diagnosticados com problemas oculares. “Isso é o reflexo do início de um
acompanhamento tardio”, salienta Paulo Roberto Magalhães.
Em
meio à era da tecnologia, o mundo digital também tem comprometido a
saúde dos olhos da população. A Síndrome dos Olhos, nos últimos anos,
tem sido uma das doenças que comprometem a visão mais comum. O olho seco
é uma doença crônica, caracterizada pela diminuição da produção de
lágrima ou deficiência de seus componentes.
De
acordo com Paulo Roberto Magalhães, uso prolongado do computador é uma
das causas da Síndrome dos Olhos Secos. O oftalmologista aconselha a
quem trabalha o dia todo em um ambiente fechado, com ar-condicionado
ligado, a fazer pausas, podendo ser a cada uma hora, deixar o monitor
abaixo da linha do olhar e sempre lembrar de piscar. “Essa síndrome
também pode ser causada pelo tempo excessivo em frente à TV. Neste caso,
é preciso ficar atento às crianças, pois muitos pais costumam deixá-las
muitas horas em frente à TV”, alerta Paulo Roberto Magalhães.
Quando
a síndrome não é diagnosticada e tratada corretamente, pode evoluir
para uma lesão da superfície ocular e, em alguns casos, até levar à
perda da visão, acrescentou o especialista.

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