quarta-feira, 25 de abril de 2012

Presidente da CMM é contestado por 'engavetar' PL que acaba com 'auxílio paletó' na Casa

Vereadoras afirmam que não concordaram com a decisão de engavetar o projeto que propõe o fim do benefício na CMM

Marise Mendes informou que sequer estava na reunião na sala da presidência
Marise Mendes informou que sequer estava na reunião na sala da presidência (Arquivo AC)

Causou polêmica, nessa terça-feira (24), na Câmara Municipal de Manaus (CMM) o engavetamento da matéria que propõe o fim do auxílio-paletó: três vereadoras contestaram a informação do presidente da Casa, Isaac Tayah, de que 35 dos 38 parlamentares votaram a favor do adiamento da proposta; o autor do projeto, Mário Frota (PSDB), disse que denunciará o caso à Justiça, e o vereador Paulo Nasser (PSC) prometeu apresentar projeto que reduz em 50% as verbas indenizatória e de gabinete.
Na manhã de segunda-feira (23), Isaac Tayah fez uma reunião secreta, no gabinete dele, com os demais vereadores, que durou mais de uma hora, para discutir o andamento do projeto que quer extinguir o auxílio-paletó. Ao sair do encontro, convocou a imprensa para anunciar que 35 vereadores tinham votado a favor do projeto só começar a tramitar após as eleições deste ano, em outubro.
A CMM divulgou que apenas os vereadores Mário Frota (PSDB), Luiz Alberto Carijó (PDT) e Homero de Miranda Leão (PHS) tinham votado contra o adiamento. O vereador Waldemir José (PT) justificou que, durante a discussão disse que acompanhava o autor da proposta, mas precisou sair da reunião antes da votação.
Nessa terça, as vereadoras Lúcia Antony (PCdoB), Socorro Sampaio (PP) e Marise Mendes (PDT) desmentiram a informação dada pelo presidente Isaac Tayah de que elas votaram a favor do adiamento. “Eu votei para que o projeto tramitasse de imediato, inclusive propus a discussão de todo o funcionamento da Casa, como verba de gabinete e a verba indenizatória”, afirmou Lúcia Antony, que ressaltou estar indignada com a divulgação do nome dela na lista dos que queriam “empurrar” a análise para outubro.
A vereadora Socorro Sampaio disse que a votação foi informal. “Alguns vereadores expuseram o seu ponto de vista e, no final, o presidente pediu que os parlamentares que estavam a favor levantassem a mão. A maioria concordou, no entanto, a sala estava muito cheia e não tinha como o presidente ver tudo mundo”, contou.
Já a vereadora Marise Mendes afirmou que sequer participou da reunião. “Eu tenho problema para me locomover. Fiquei em plenário aguardando a reabertura da sessão. Não poderia estar em dois lugares ao mesmo tempo”, enfatizou.
A reportagem procurou Isaac Tayah, na manhã de ontem, no gabinete dele, mas foi informada de que ele estava em uma reunião. À tarde, a reportagem tentou contato por telefone, mas o parlamentar não atendeu as ligações.
Frota promete ir à Justiça
O vereador Mário Frota (PSDB) afirmou, ontem, que ingressará com mandado de segurança no Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM) para garantir que o projeto do fim do auxílio-paletó seja analisado. O parlamentar informou que pretende entrar com o recurso na próxima semana.
“Em nenhum parlamento do País, a presidência pode adiar a tramitação de um projeto. O que poderia acontecer era enviar para a Comissão de Constituição e Justiça e ela vetar”, explicou Frota.
No ano passado, Frota e Waldemir José (PT) usaram o mesmo recurso para dar segmento a projetos na CMM. O Ministério Público do Estado (MPE) deu parecer favorável, mas a Justiça ainda não emitiu decisão definitiva.
Para justificar o adiamento, o presidente Isaac Tayah disse que o Congresso Nacional está analisando o caso, e que se for aprovada a extinção, a Casa deverá adotar a mesma postura. Além disso, ele disse que o projeto pode configurar propaganda eleitoral antecipada.
Paulo Nasser propõe corte de verbas
O vereador Paulo Nasser (PSC) afirmou, ontem, que na quarta-feira da próxima semana, apresentará um projeto de resolução para reduzir em 50% o valor da verba de gabinete e da Cota para Exercício da Atividade Parlamentar (Ceap).
Os parlamentares da Câmara Municipal de Manaus (CMM) recebem salário de R$ 9,2 mil, verba de gabinete de R$ 40 mil para pagamento de funcionários e cota cobrir despesas com transporte, alimentação, impressos no valor de R$ 8 mil para despesas com o mandato.
“Se é para moralizar, vamos moralizar mais ainda”, afirmou o parlamentar, referindo-se ao projeto do vereador Mário Frota (PSDB) que propõe o fim do pagamento do auxílio-paletó. Ele defende que a proposta de redução das outras verbas seja analisada junto com a de Frota, após as eleições deste ano.
Nasser disse que a iniciativa está sendo feita em conjunto com o vereador Mário Bastos (PRP) e informou que aguarda a análise da assessoria jurídica para coletar as 13 assinaturas necessárias para apresentação.
1,3 milhão
De reais é o valor que os vereadores desta legislatura receberão de auxílio-paletó. O benefício de R$ 9,2 mil - valor do salário - é pago a cada parlamentar da Câmara Municipal todo início de ano para compra de paletó e despesas com o mandato.


FABÍOLA PASCARELLI

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