terça-feira, 10 de julho de 2012

Amazonas registra déficit comercial de US$ 6 bilhões

Historicamente, Estado importa mais insumo do que exporta manufaturados

Indústrias locais importam grande volume de insumos, principalmente da Ásia
Indústrias locais importam grande volume de insumos, principalmente da Ásia (Luiz Vasconcelos)

Em seis meses, o Amazonas registrou um déficit de US$ 6,01 bilhões na balança comercial, alta de 5,32% em relação a igual período do ano anterior, conforme dados do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic). No mês de junho, o Estado anotou seu terceiro pior resultado do ano, com saldo negativo de US$ 998,68 milhões. O Estado teve uma queda de 13,41% no número de produtos enviados ao exterior, depois de registrar o melhor desempenho quanto ao volume de exportações em 2012, com cifras correspondentes a US$ 88,85 milhões em maio.

Com base no levantamento, o resultado de importações foi o terceiro mais alto anotado no ano, embora tenha sido 14,72% inferior ao de mês imediatamente anterior. Enquanto no quinto mês do ano, a quantia de dólares oriunda de mercadorias enviadas para fora do mercado interno foi de US$ 1,26 bilhão, em junho, estas cifras foram de US$ 1,07 bilhão. Embora com a valorização do dólar, o professor de economia da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Renilson da Silva, analisou que a alta deve refletir no desempenho do indicador apenas no segundo semestre, tendo em vista as encomendas antecipadas e, consequentemente, o estoque das indústrias da região.

Apesar dos possíveis reflexos da elevação da moeda americana nos resultados do segundo semestre, Silva lembrou que o Amazonas não é tradicionalmente conhecido por exportar, por isso as mudanças não resultariam em grande impacto. Ele detalhou que uma das opções para impulsionar a sinalização de dados positivos é a instalação de indústrias de semicondutores no País, impedindo a grande demanda de componentes eletrônicos importados. “Se isto acontecesse, poderíamos inverter essa performance da balança comercial”, apontou.
O vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Nelson Azevedo, comentou que o Amazonas não é “eminente exportador”, mas este saldo deve melhorar com a procura de fornecedores de componentes nacionais. “Especialmente quando a importação de componentes caros influi diretamente no preço do bem final, o que significa a perda de competitividade na região”.

Dados Nacionais

Entre os dias 2 e 6 de julho, a balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 623 milhões. No acumulado, o saldo é de US$ 7,69 bilhões, com exportações de US$ 122,57 bilhões e importações de US$ 114,88 bilhões.


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