Ocupação será mantida até que as sejam cumpridas as medidas para amenizar os efeitos negativos da construção para as populações indígenas
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| Em repúdio a construção da usina Belo Monte (PA), mais de mil pessoas entre indígenas e não indígenas fizeram um protesto com desenho humano, na praia do Flamengo (RJ) |
Cerca
de 350 índios de nove etnias que ocupam, desde o dia 21 de junho, o
canteiro de obras da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, em Altamira (PA),
só deixarão o local depois que as medidas para amenizar os efeitos
negativos da construção para as populações indígenas forem adotadas.
A
declaração foi feita nessa quinta-feira (5) pela liderança da etnia
Xikrin, Sandro Bebere Kayapó, mais conhecido como Mukuka, em entrevista
coletiva na capital paulista.
“Viemos
mostrar que o processo de licenciamento da hidrelétrica de Belo Monte
tem ocorrido de forma a atropelar o cumprimento das condicionantes”,
disse Mukuka. Ele participa em São Paulo da reunião anual da Associação
Brasileira de Antropologia (ABA).
Mukuka disse ainda que o descumprimento dos prazos indicados tem que levar à suspensão do licenciamento ambiental da obra.
“Vamos manter a ocupação até que as condições sejam cumpridas. Não
basta falar que vai fazer. Só vamos permitir que as obras voltem quando
as condicionantes forem atendidas”, declarou.
Condicionantes
são as medidas de mitigação dos impactos negativos da usina, exigidas
para a construção, com objetivo de compensar as populações que serão
afetadas direta ou indiretamente pela sua implantação.
O movimento de ocupação visa acelerar o cumprimento dessas providências.
Os
índios ocupam o canteiro de obras do Sítio Pimental. De acordo com
líder indígena, este é o principal canteiro, tendo em vista que é o
trecho da obra diretamente no Rio Xingu. “As atividades estão paradas.
Hoje mesmo uma balsa [com a qual se tentou retomar ao trabalho] foi
apreendida”, relatou. A empresa Norte Energia S.A., por outro lado,
informou que nenhuma atividade foi suspensa.
Dentre
as reivindicações, estão: criação de um comitê indígena para
monitoramento da vazão do rio; criação do Comitê Gestor Indígena;
estudos complementares do Rio Bacajá, que é um afluente do Rio Xingu; e
plano de proteção das terras dos índios. Segundo Mukuka, somente o
programa de comunicação foi cumprido, mas a proposta não atenderia às
necessidades das aldeias.
De acordo
com a antropóloga Sônia Magalhães, da Universidade Federal do Pará
(UFPA), a licença para instalação das obras da usina é condicionada ao
atendimento dessas ações, por isso cabe a suspensão da licença.
“A
construção de Belo Monte não está liberada. A licença que autorizou a
construção é condicional, é parcial. Legalmente, pode ser suspensa a
qualquer momento. A obra já começou, mas as condicionantes não foram
cumpridas nem antes, nem agora”, explicou a professora.
A
Norte Energia S.A. informou que uma nova reunião com índios está
marcada para o dia 9 de junho, na qual serão apresentadas as respostas
para as demandas. “Os pleitos de caráter geral e as demandas específicas
serão analisados de modo a encontrar uma relação com as ações que
integram o Plano Básico Ambiental [PBA] indígena”, diz a nota enviada
pela assessoria de imprensa. Na avaliação da empresa, a primeira
reunião, no dia 28 de junho, ocorreu em clima amigável.
Os
índios reclamam também que o PBA não foi aprovado por eles e que a
Fundação Nacional do Índio (Funai) apresentou um plano que não foi
discutido pelas tribos. Por meio de nota, a instituição informou que,
considerando a “situação emergencial em que se encontram as populações
indígenas impactadas pelo início das obras”, encaminhou, em 02/07/2012,
“ofício e parecer técnico ao Ibama dando anuência e recomendando o
início da execução do PBA indígena”.
Segundo
a Funai, embora o documento já tenha sido encaminhado, “será garantida a
sequência de reuniões sobre o PBA indígena nas aldeias onde estas ainda
não foram realizadas”.

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