Considerado um dos solos mais férteis do mundo, a terra preta do índio, de acordo com pesquisas, apresentam grande disponibilidade de nutrientes
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| No Amazonas as pesquisas com terra preta do índio são realizadas em comunidades do Iranduba |
Até
a próxima sexta-feira (13), Manaus, sedia dois eventos sobre Terra
Preta de Índio solos altamente férteis encontrados na Amazônia e que são
alvo de interesse para diversas pesquisas voltadas para a temática da
sustentabilidade na agricultura.
Um
dos aspectos de interesse sobre as terras pretas é por serem
consideradas entre os solos mais férteis do mundo. As pesquisas
realizadas atestam que esses solos apresentam grande disponibilidade de
nutrientes como cálcio, magnésio, zinco, manganês, fósforo e carbono e
além disso, conservam sua fertilidade e resiliência por longo tempo,
uma vez que sua origem está relacionada a ação humana de povos
indígenas ancestrais pré-colombianos, e mesmo onde foram utilizadas ao
longo do tempo não perderam sua fertilidade.
Os
eventos sobre Terra Preta de Índio que ocorrem em Manaus nesta semana
são realizados em parceria pela Wageningen University (Holanda), Empresa
Brasileira de Pesquisa Agropecuária - por meio das Unidades Embrapa
Amazônia Ocidental e Embrapa Solos - e Instituto Nacional de Pesquisas
da Amazônia (Inpa).
Simpósio aberto ao público
Na
quarta-feira (11), será realizado o “Simpósio Terra Preta de Índio”
aberto a pesquisadores, estudantes e demais interessados no tema. O
objetivo do simpósio é apresentar conhecimentos sobre o passado, o
presente e o futuro das pesquisas sobre terra preta. O simpósio será
realizado no auditório da Ciência, no Bosque da Ciência, Campus I do
Inpa, no bairro Aleixo, Zona Centro-Sul de Manaus, das 8h30 às 18h.
Na
programação do simpósio estão previstas onze palestras, agrupadas em
três tópicos: Conversas sobre o Passado, Conversas sobre o presente e
Conversas sobre o futuro.
Na
abordagem sobre o passado, estão previstas as seguintes palestras : "O
programa Terra Preta e reflexões sobre a relação entre terra preta e
biocarvão", pelo Dr. Thom Kuyper, Universidade de Wageningen);
"Paisagens domesticadas na Amazônia: características topográficas, uso
do espaço, e a formação de solos antrópicos (terra preta) em
assentamentos pré-históricos" , pelo Dr. Morgan Schmidt, Museu Paraense
Emilio Goeldi ; “Como as Terras Pretas podem ter sido formadas a partir
da ocupação humana pretérita” Dra. Dirse Kern, do Museu Paraense Emílio
Goeldi ; "Terra Preta na Amazônia: uma perspectiva histórica sobre as
Terras Pretas de Índio na Amazônia Central", pela Dra. Helena Lima, da
Universidade Federal do Amazonas (Ufam).
Na
abordagem sobre o presente, constam as seguintes palestras: “Terra
Preta de Índio na África”, pelo Dr. James Fraser da Universidade
Javeriana (Colombia) e University of Sussex (Inglaterra); “Efeitos da
Terra Preta de Índio na composição, abundância e distribuição de
samambaias, ervas e palmeiras de sub-bosque de uma floresta amazônica na
Bolívia”, por Estela Quintero, doutoranda da Universidade de Wageningen
e do Instituto Boliviano de Investigacion Forestal; e “A Microbiota de
terra preta e seu carvão vegetal”, por Dra. Siu Miu Tsai, da
Universidade de São Paulo (USP) e “As dimensões políticas entre terra
preta e biochar – atores, interesses e estratégias” por Joana Bezerra
(Unicamp/Fundação Getúlio Vargas)
Nas
conversas sobre o futuro, serão apresentadas as palestras: “Biocarvão
como um fator chave para a criação de Terra Preta Nova”, pelo Dr. Newton
Falcão (Inpa); “Nanoestruturas de carbono da Terra Preta de Índio”,
por Dr. Carlos Alberto Achete ( Inmetro) ; e “ ‘Receitas’ não estão
criando Terra Preta: o que está faltando?” , pelo Dr. Wenceslau
Teixeira ( Embrapa Solos).
Workshop Internacional
No
período de 9 a 13 de julho serão realizadas atividades do II Workshop
Internacional do Programa Terra Preta, a fim de compartilhar os
progressos realizados, tanto pelo programa quanto por pesquisadores que
realizam pesquisas de doutorado sobre o tema. Parte da programação do
workshop acontece no auditório da Biblioteca, Campus I do Inpa (Aleixo) e
em trabalhos de campo onde são encontrados os solos de terra preta em
sítios arqueológicos no campo experimental da Embrapa, no Caldeirão, e
na localidade Costa do Laranjal, ambos áreas rurais do município de
Iranduba – a 34 quilômetros de Manaus.
A
programação do workshop é restrita a pesquisadores das diversas
instituições ligadas ao programa internacional Terra Preta, que tem a
participação de pesquisadores da Universidade de Wageningen, da Holanda,
e de diversos pesquisadores de instituições do Brasil, Bolívia e
Colômbia.
Os grupos de pesquisa com a
terra preta da Embrapa Amazônia Ocidental (Manaus), Embrapa Solos (Rio
de Janeiro) e do Inpa estão colaborando com o programa de pós-graduação
em terra preta da Universidade de Wageningen, Holanda, bem como com a
rede nacional e internacional dessas pesquisas.
O
programa Terra Preta é um programa internacional e interdisciplinar, é
um programa interdisciplinar da Universidade de Wageningen, Holanda, com
foco em solos com alta fertilidade encontrados na bacia amazônica. O
programa Terra Preta combina uma estrutura interdisciplinar que liga as
ciências naturais e sociais com uma abordagem comparativa, trabalhando
em vários países (Bolívia, Brasil e Colômbia) que diferem em condições
ambientais e aspectos sociais.
O
objetivo geral do programa Terra Preta é contribuir para a melhoria da
subsistência de agricultores que vivem na Amazônia, através de
informações sobre o uso sustentável e a conservação da Terra Preta e a
criação de solos semelhantes. O programa conta com a participação de
diversas instituições de pesquisa do Brasil, Colômbia e Bolívia. No
total, o programa envolve 40 pesquisadores, 8 alunos de doutorado e um
de pós-doutorado
Pesquisa
Na
Embrapa, atualmente, é desenvolvido o projeto “As Terras Pretas de
Índio da Amazônia: o entendimento de sua formação e evolução”, com o
objetivo de criar um modelo de formação e evolução desses solos focando
os estoques e a dinâmica do carbono, fósforo e cálcio.
Este
projeto é nacional e tem a liderança da Embrapa Amazônia Ocidental e a
parceria de outras unidades da Embrapa (Embrapa Solos, Embrapa Acre,
Embrapa Amazônia Oriental, Embrapa Rondônia, Embrapa Amapá, Embrapa
Florestas) além das seguintes instituições: Universidade do Estado do
Amazonas (UEA); Universidade Federal do Amazonas (Ufam); Serviço
Geológico do Brasil (RJ e AM), Museu de Arqueologia e Etnologia da
Universidade de São Paulo (Mae-USP), Museu Paraense Emílio Goeldi,
Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq - USP), Centro de
Energia Nuclear na Agricultura (Cena-USP), Universidade Federal do Pará,
Universidade Federal de Santa Catarina e Universidade de Wageningen
(Holanda).
De acordo com o
pesquisador da Embrapa Amazônia Ocidental, Orlando Paulino, que coordena
esse projeto, a partir dessas pesquisas pretende-se se inspirar no
modelo das Terras Pretas de Índio para reproduzir semelhante fertilidade
em outras áreas e poder contribuir para melhorar os solos para a
agricultura. Este projeto integra o Macroprograma 2 da Embrapa, para
projetos relacionados a “Efeito das Mudanças Climáticas Globais nos
Sistemas Produtivos, Sequestro de Carbono e Emissões de Gases de Efeito
Estufa (GEE)”.

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