Criação de jovens desenvolvedores de Brasília pode ser jogado por pessoas com – ou sem – deficiência visual
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| Juliano Ribeiro foi o analista de testes do jogo, desenvolvido por Bruno Kenj |
A
ausência e/ou dificuldade da visão deixaram de ser impedimento para
quem é fã de videogame. Três rapazes de Brasília desenvolveram um
produto no qual o deficiente visual usa os movimentos dos membros do
corpo para controlar o game. Criado por Bruno Kenj, Bruno Silva e
Ednaldo Souza, o jogo “Herocopter” já passou da fase de testes e a
partir de março estará disponível para compra. A aquisição poderá ser
feita via Internet, pelo site www.herocop.com.br.
Bruno
Kenj, de 29 anos, um dos donos de uma empresa que desenvolve games e
aplicativos para o console XBox (Microsoft) e um dos idealizadores do
“Herocopter”, conta que o jogo já foi testado e aprovado por pessoas da
Associação Brasiliense de Deficientes Visuais antes do produto chegar ao
mercado.
Quebrando barreiras
A
ideia de criar um videogame para deficientes visuais não surgiu apenas
para sofisticar a diversão de fãs do jogo. É resultado da percepção de
mundo do trio de desenvolvedores para a necessidade de se quebrar
barreiras sociais por meio do entretenimento. O personagem-chave desta
iniciativa foi um amigo em comum, Juliano César Ribeiro, 31 anos,
analista de testes e deficiente visual.
“Íamos
competir na Copa da Imaginação da Microsoft, a maior copa de tecnologia
para estudantes. Então, analisamos como a tecnologia poderia ajudar os
problemas atuais do mundo e vimos que poderíamos desenvolver um jogo
para o Juliano, que já trabalha na área de tecnologia. Isto, por si só,
já me impressionava. Até então havia apenas audiogame, que não tem
atrativo gráfico”, disse Bruno Kenj, em entrevista ao A CRÍTICA, por
telefone.
Antes do lançamento, o
“Herocopter” foi “validado” em testes durante nove meses. A “cobaia”,
claro, foi o próprio Juliano, até participou de todas as etapas que a
série fosse completada e aprovada. “Ele conseguiu superar até mesmo quem
tem visão normal”, disse.
Vertente a explorar
Kenj
conta que não tem conhecimento da existência de outro jogo destinado a
deficientes visuais controlado pelos movimentos do corpo no mundo. Ele e
seus sócios já pensam também em criar outros jogos, desta vez para game
acessível em celular. “É um mercado novo que a gente está querendo
explorar”, contou.
Conforme Bruno
Kenj, o mercado de game movimenta atualmente muito mais do que o cinema.
A maioria dos jogadores é da faixa etária entre 20 e 30 anos de idade.
“Este game, o ‘Herocopter’, é acessível a todas as idades. Pessoas
adultas e adolescentes podem jogar. Dei aulas durante dos anos no Senai e
sempre gostei de compartilhar. E quando a gente percebeu que poderia
ajudar não apenas o Juliano, tivemos uma experiência fora do comum”,
contou.
Em breve
A
previsão é de que “Herocopter” esteja disponível para venda pela
Internet a partir da segunda quinzena de março. O preço do game deverá
ser inferior a R$ 10.

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