Campanha nacional para abolir os andadores ou andajás já começou. O motivo para a eliminação dos aparelhos é o grande número de acidentes
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| Muitos pediatras consideram o andajá um acessório extremamente perigoso para as crianças |
O
governo do Canadá vetou a comercialização de andadores - também
conhecidos como andajás - para bebês, determinando a total proibição
de sua venda, revenda, propaganda e importação, no ano de 2007. Agora,
em 2013, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) também está na marcha
contra o aparelho.
A
campanha nacional para abolir os andadores já começou e o motivo mais
importante para a eliminá-los é o grande números de acidentes. A maioria
das crianças que se acidentou com andajás sofreu traumatismo craniano
e, em alguns casos, faleceram.
“Já
atendi vários pacientes que se acidentaram pelo uso do andajá. É muito
comum que tenham rolado escada abaixo, ou encontrando um pequeno
desnível pelo caminho terem virado”, conta a Kátia Rates, pediatra há 14
anos. Ela também afirma que os acidentes são de gravidade considerada
de moderada à alta. “Normalmente, a cabeça é a primeira parte projetada
quando a criança sofre uma queda, por isso o alto índice de traumatismo
craniano”, alerta.
A
creche “Pequenos Brilhantes” (inf.: 3304-2802) atende crianças de 4
meses até 5 anos. E, de acordo com a coordenadora pedagógica, seguindo
recomendações dos pediatras, eles não utilizam andajás. “As crianças não
pisam com o pé inteiro, só com a ponta, podem ficar com a perna
arqueada. Não é aconselhável, não temos aqui”, explica Simone Beatriz
Verbine.
Armadilha
Os
pediatras asseguram que os andadores podem causar ou acentuar uma
deformidade (deixar a perna torta, por exemplo) e proporcionar um
deslocamento inadequado. É uma armadilha dentro de casa. Além de
aproximarem as crianças de produtos químicos/tóxicos, remédios, objetos
pontiagudos, cortantes, fogões, escadas, piscinas.
Na
creche “Escola doce começo” (Inf.: 3584-5310), o uso do aparelho é
liberado. “Não está na nossa lista de materiais, mas as mães podem
trazer. Em dois anos de creche nunca tivemos uma acidente por conta dos
andajás. Aqui tem um área plana e segura para as crianças usarem”,
garante a diretora. Ela sabe a opinião dos pediatras sobre o aparelho e
prefere deixar a decisão para os pais. “É um recurso que alguns
especialistas são contra, mas cada criança tem sua forma de ser
estimulada”, declara Daniela Silva, diretora da creche.
Dependência
Simone
Bargas, contadora, é mãe do Eduardo de 1 ano e 1 mês. Ela era contra o
uso do andador, mas quando seu filho ganhou um de presente ela se
rendeu. “O andajá tem seu lado positivo e o lado negativo. Primeiro que a
criança aprende a andar mais rápido, mas precisa sempre da minha
supervisão. Conheço bem os riscos, o Dudu só vai para o andajá se tiver
acompanhado. Hoje, ele já anda, mas só consegue correr no aparelho,
sozinho não tem autoconfiança e cai. Ficou dependente, isso foi
negativo”, opina a mãe.
Os
médicos são unânimes: andajás são equipamentos capazes apenas gerar
prejuízos. O indicado é esquecer os andadores e ajudar as crianças da
forma tradicional, segurando na mão, apoiando, até que ela consiga andar
com suas próprias pernas, conforme Kátia Rates. “A natureza é perfeita.
Primeiro a criança aprende a sentar, depois engatinha e finalmente,
anda. Tentar pular uma dessas fases acarreta em malefícios”, conclui.

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