Consumo em alta faz elevar preços em feiras e supermercados de Manaus nessa época, considerada tradicional para os cristãos
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| Na Manaus Moderna, a maior feira da capital, o tambaqui, o matrinxã, o jaraqui e o pirarucu são as espécies mais vendidas (Maris Sannes) |
Alimento
típico da dieta amazonense e item indispensável na mesa da Semana
Santa, o pescado deve sofrer um reajuste de até 40% nesse período. A
demanda faz crescer o consumo e elevar o preço do produto, que já pode
ser sentida nas principais feiras, mercados e supermercados de Manaus.
“O preço aumenta de 30% a 40%. Há uma especulação muito grande. Por
isso, estamos entrando com programação grande para conter isso”, disse o
secretário de Estado de Produção Rural, Eron Bezerra.
Hoje,
às 8h, na Feira do Coroado (alameda Cosme Ferreira), a Sepror fará o
relançamento do programa “Peixe Popular” para a Semana Santa,
disponibilizando mais de 100 toneladas espécies como jaraqui, pacú,
branquinha, além de 30 toneladas de matrinxã. O bacalhau da Amazônia
será vendido R$ 25.
O
Peixe Popular terá um ponto fixo na avenida Constantino Nery, Chapada, e
também funcionará com caminhões baús abastecidos de peixes, que vão
percorrer todas as Zonas de Manaus, neste mês.
Preços
O
tambaqui, por exemplo, custa em média R$ 10, o quilo, nos boxes da
feira Manaus Moderna, Centro, levando em conta que um peixe de dois
quilos sai por R$ 20. Os maiores, com três quilos ou cinco quilos,
custam R$ 30 e R$ 50, respectivamente, dependendo da preferência do
cliente. Nas feiras, os peixes são vendidos por tamanho.
Nos
supermercados DB e Carrefour, as duas maiores redes varejistas de
Manaus, o quilo do tambaqui roelo está sendo comercializado a R$ 8,90.
Em período promocional, o quilo chega a custar R$ 6,90.
Quase
totalidade do tambaqui consumido aqui é oriundo da piscicultura
(criação em tanques), produzido tanto no interior do Amazonas quanto nos
Estados vizinhos de Roraima Rondônia, Pará e Acre.
Peixe
nobre da culinária amazônida, o quilo do pirarucu é vendido a R$ 20. Já
o tipo salgado não sai por menos de R$ 17, nas feiras, podendo chegar a
R$ 22, nos supermercados.
No Hiper DB, o quilo do matrinxã é vendido a R$ 10,90. Na feira, a unidade custa R$ 10.
Feirante
há 20 anos, Márcio Coelho Porto, reclama que o peixe já está chegando
mais caro para o vendedor, que fica refém do produto importado de
Rondônia. “Nosso Estado é um fracasso. Nós somos a fonte de peixe. Não
fazemos criação em larga escala. Por isso que sai caro. Eu tiro R$ 3 a
R$ 5 de lucro em cada peixe. É que ele realmente chega caro pra gente”,
disse ele, que leva em conta o custo de transporte na hora de vender.
A
reclamação também vem da comerciante Flor Espírito Santo, que resolveu
fazer as compras da semana na Manaus Moderna. “Eu costumo comprar no
supermercado. Mas estou achando caro na feira. No Amazonas deveria ser mais barato porque temos muito peixe nos rios”.
O
feirante Jasson Douglas Bezerra resolveu vender “seu peixe”. “Não acho
que está caro. Aqui é a central das feiras. O freguês compra o peixe com
100% de qualidade”, atestou.
Meta é aumentar a produção de pescado
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O
Amazonas é, disparado, o maior consumidor de pescado do Brasil. Segundo
dados do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), nosso consumo per
capita chega a 54 quilos ao ano, enquanto no interior do Estado chega a
180 quilos. No Brasil o consumo per capita de não passa de 12 quilos,
mais abaixo ainda da média mundial que é de 7 quilos.
“Nós
somos os que mais comemos peixe, em função da fartura nos rios que se
tornou tradição na nossa mesa”, informou o secretário da Sepror, Eron
Bezerra.
A
produção anual do Amazonas é de 200 toneladas, de acordo com a Sepror,
sendo 180 toneladas de forma extrativa e 20 toneladas vindas da
piscicultura. A meta do programa Amazonas Rural, lançado em 2012, é
aumentar a criação de peixes em mais 80 toneladas, até 2015.
Mesmo
assim, a quantidade não é suficiente para atender à demanda de consumo
interno, uma vez que parte produzida aqui é exportada. Para dar conta do
mercado interno (consumidor domésticos, restaurantes), o Estado compra
peixes de Rondônia, Roraima e Pará.
No
ano passado, o Brasil exportou US$ 260 milhões em pescado e importou
US$ 1 bilhão (como bacalhau e salmão). “O detalhe é que exportamos a US$
6 e importou a US$ 3,5”, explicou Eron.
Sobre
os elevados preços, Eron credita isso ao mercado. “Importamos para
outros estados e para o exterior e importamos o que consumimos do Norte.
Esse é o chamado mercado, é a regra do capitalismo. O produtor não quer
saber se tem peixe aqui; quer saber de ganhar o dinheiro”, justificou.


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