De autoria da senadora Vanessa Grazziotin o projeto prevê que médicos detentores de diploma estrangeiro - em especial formados em Cuba -, não precisam ser submetidos à revalidação do diploma em território brasileiro
| Categoria médica e acadêmicos de Medicina pretendem realizar outras manifestações na cidade FOTO: Divulgação |
Categoria médica e acadêmicos de Medicina pretendem realizar outras manifestações na cidade
FOTO: Divulgação
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O
projeto de lei da senadora Vanessa Grazziotin (PC do B) que trata sobre
a revalidação automática dos diplomas de médicos formados fora do
Brasil foi alvo de um protesto nesta terça-feira (24), pela manhã, no
bairro Cachoeirinha, Zona Sul de Manaus, promovido pelo Sindicato dos
Médicos do Amazonas (Simeam) e os diretórios acadêmicos das três
faculdades de Medicina de Manaus, UEA, Ufam e Nilton Lins.
Munidos de faixas e cartazes, professores e acadêmicos de Medicina, médicos e alguns parlamentares participaram do protesto.
O
projeto nº 015/2012 prevê que médicos detentores de diploma estrangeiro
- em especial formados em Cuba -, não precisam ser submetidos à
revalidação do diploma em território brasileiro. Os mesmos iriam atuar
no interior dos Estados, sem a necessidade de testes ou exames sobre o
que foi apreendido fora do País.
“Queremos
chamar a atenção da sociedade para um problema que afeta não só a
categoria médica, mas toda a categoria de Saúde e a sociedade. Que tipo
de profissional estará sendo enviado para cuidar da saúde de quem se
encontra no interior”, salienta a diretora de Comunicação do Simeam, a
médica Patrícia Sicchar.
Segundo ela,
a revalidação dos diplomas se faz necessário pois as grades
curriculares das faculdades do exterior são totalmente diferente daquilo
que é ministrado nas academias brasileiras. A médica também chama a
atenção para o fato de que, em qualquer lugar do mundo, qualquer
profissional que queira exercer a sua função tem que ser submetido a
avaliação.
Ela salienta que a
revalidação dos diplomas como vem sendo feita atualmente por meio do
Revalida - uma espécie de prova organizada pelo Ministério da Educação
(MEC) -, se mostra eficiente, apesar do mesmo ter sofrido algumas
alterações em sua segunda edição. A média para aprovação de 7,0 foi
reduzida para 6,0.
Ainda de acordo
com Sicchar, o projeto também se mostra uma manobra politiqueira uma vez
que a maioria dos estudantes que foram para Cuba cursar medicina, só o
foram devido o vínculo com algum partido político.
Ela
estima que um total de 400 mil profissionais e 200 mil acadêmicos de
Medicina, em todo o País estão fazendo mobilizações contra o projeto
apelidado no meio acadêmico como”Fronteiras Abertas”
“O
médico não é contra atuar no interior, o que falta é dar suporte, criar
uma carreira dentro do Estado, como ocorre no Ministério Público e no
Tribunal de Justiça, em que os juízes e promotores começam atuando no
interior do Estado, até virem para a capital por critérios como
merecimento ou idade”, observa Patrícia Sicchar.
Para
o acadêmico de Medicina e finalista do curso, pela Universidade do
Estado do Amazonas (UEA), Bruno Braga, 27, o projeto vai prejudicar quem
passou anos em uma universidade – a média de um curso de Medicina nas
academias brasileiras é de 6 a 7anos -, já que os principais
beneficiados, os acadêmicos de Cuba, passaram bem menos tempo que isso.
“Tenho amigos que estão em Cuba e não são contra o Revalida. Muito pelo contrário são contra o ‘Fronteiras Abertas’”, opina.
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