Fórum realizado no Rio de Janeiro reuniu mais de 3.500 profissionais ligados à área de Geriatria, Dermatologia, Ginecologia, Endocrinologia e Urologia
| Médicos discutiram em Fórum terapias antienvelhecimento que não possuem comprovação científica |
O
uso de terapias como reposição hormonal e de vitamina e de hormônios
bioidênticos entre outros, como forma de retardar ou prevenir os efeitos
do envelhecimento foi discutido pelos profissionais que participaram do
Fórum que defendeu o envelhecimento saudável.
De
acordo com o Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG)
não há comprovação científica na literatura médica sobre a eficácia da
medicina “antienvelhecimento” como ferramenta para reverter ou minimizar
as incapacidades associadas a idade avançada, principalmente os
relacionados à estética e ao organismo saudável. Dentre os perigos
apontados pelos especialistas estão os efeitos da reposição de
nutrientes no organismo, que por conta da toxicidade de substâncias como
vitamina A, pode acarretar em câncer de pulmão em fumantes; outro
exemplo é o uso indiscriminado do hormônio do crescimento (GH),
receitado com frequência e que pode aumentar a incidência de diabetes,
de dores nas articulações e Síndrome do Túnel do Carpo.
Para
a médica Elisa de Franco, o uso indiscriminado de hormônios foi uma das
maiores preocupações do Fórum. “Estas substâncias não devem ser
indicadas quando não há deficiências ou indicações com comprovada
eficácia. Caso contrário, aumenta o risco de cânceres. Nessas situações a
relação custo-benefício, que deve nortear toda prescrição médica, fica
comprometida”. A geriatra salienta ainda que os estrogênios (hormônio
feminino) estão relacionados ao câncer de mama e útero, a testosterona
(hormônio masculino) ao câncer de próstata nos homens e também de mama
nas mulheres.
Também presente no
encontro, a presidente da Sociedade, Silvia Pereira, ressaltou que “a
população precisa saber que na verdade não há fórmula capaz de evitar os
impactos da idade além da mudança de hábitos de vida e acompanhamento
preventivo ou terapêutico, quando necessário”, defende a geriatra.
Após
as discussões, as sociedades chegaram ao consenso de que é necessário
desenvolver mecanismos para coibir o uso indiscriminado desses
artifícios por meio de uma resolução do CFM que indique diretrizes para a
prescrição de hormônios e vitaminas, principalmente.
O
geriatra americano, Thomas Perls, que também participou do Fórum,
contou que nos EUA a tentativa de restringir a prática da medicina
antienvelhecimento não obteve muito sucesso e parabenizou o Brasil pela
iniciativa. “Esse alerta é muito importante para chamar a atenção da
população e esclarecer sobre os riscos que essa prática envolve. E
espero que o objetivo seja alcançado e que o país consiga exterminar os
profissionais charlatões que fazem promessas impossíveis de serem
cumpridas e que ainda podem custar a saúde de um paciente”, finaliza
Perls.
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