Estudo aponta que a genética está diretamente ligada a contração de malária
Em 2011 mais de 61 mil pessoas foram infectadas pela malária no Amazonas, segundo dados da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS)
| Dr. Marcus Lacerda coordena o estudo pela UEA e Fundação de Medicina Tropical |
Parece
impossível, mas não é: algumas pessoas podem ser imunes à malária.
Independente da transmissão feita pelo mosquito, algumas pessoas não
contraem a doença por que não têm predisposição genética para isso. É o
que indica um estudo realizado por um grupo de pesquisadores da
Universidade do Estado do Amazonas (UEA) em parceria com a Fundação de
Medicina Tropical (FMT).
A
pesquisa indica que a possibilidade de identificar as pessoas que
possuem maiores chances de contrair ou não a doença está diretamente
ligada ao tipo sanguíneo, o que pode facilitar, daqui a alguns anos, um
tratamento mais efetivo para a doença.
Durante
cinco anos, aproximadamente 800 pessoas de uma comunidade localizada no
município do Careiro Castanho (a 83 quilômetros de Manaus) tiveram
amostras de sangue retiradas para contribuir com o estudo.
O doutor em Medicina Tropical pela Universidade de Brasília em parceria
com a Universidade de Nova York, Marcus Lacerda, que coordena o
projeto, explica que a tipificação do sangue é o primeiro passo de uma
longa caminhada de estudos.
Para
isso, ele usou uma tipificação diferente do sistema ABO Rh, mais
conhecido pela população. A tipificação Duffy, explica Lacerda, não tem
relação direta com a mais usual e facilita o estudo da contaminação
da célula pelo vírus. Segundo estudos anteriores, os portadores de
sangue Duffy Negativo não contraem malária do tipo Plasmodium Vivax,
espécie mais comum no Brasil, devido à sua característica sanguínea. “As
pessoas que possuem Duffy negativo tem uma espécie de ‘tranca’ na
célula que impossibilita a contaminação do vírus”, explica o
pesquisador.
O
tipo Plasmodium Vivax é o mais comum em Manaus. Dados da FMT apontam
que 99% dos casos registrados na capital amazônica no ano passado são
desse tipo. O restante – 1% - é do tipo Plasmodium Falciparum. Estes são
os dois vírus causadores da malária mais comuns da região Amazônica. O
site do Ministério da Saúde aponta ainda a existência de outros dois
tipos de vírus: a Plasmodium Malarie, pouco frequente no País; e a
Plasmodium Ovale, que só existe na África.
Segundo
o pesquisador, “há casos de pessoas que moram em áreas de contaminação,
que possuem sangue Duffy Negativo, que nunca tiveram a doença e
possivelmente não a terão”. Ele alerta sobre os outros fatores que podem
propiciar a contaminação pela picada do agente transmissor da doença, o
mosquito Anopheles como o cheiro que a pessoa exala, a idade que
possui, entre outros fatores. “Atualmente estamos estudando apenas a
questão genética do indivíduo”, conclui.
A
próxima etapa do estudo, segundo o pesquisador, consiste em avaliações
de tratamentos durante a aplicação de dois tipos de remédios nos
moradores de Careiro Castanho que contraíram a doença.
Ocorrência mundial
Cerca
de 300 milhões de novos casos de malária e um milhão de mortes, a
maioria em crianças com menos de cinco anos e grávidas africanas, são
registrados no mundo a cada ano, conforme dados do Ministério da Saúde.
Novo tipo?
Segundo
ele, apesar da característica peculiar das células do sangue tipo Duffy
Negativo, estudos recentes apontam que algumas pessoas com esse tipo de
sangue estão sendo contaminados pelo vírus e estamos tentando entender o
porquê, diz Lacerda.
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