As alegorias e fantasias usadas por Caprichoso e Garantido são cobertas por folhas de coqueiros, sementes, cipós, serragem, folhas, cuias, sementes, juta entre outros materiais da natureza amazônica
| A artesã de Parintins trabalha com atenção nos detalhes de cada fantasia |
A
ilha de Parintins (localizada a 396 quilômetros de Manaus) inicia o
clima de festas com seus tradicionais ensaios nos currais, conhecidos
pelas coreografias copiadas por horas pelos brincantes apaixonados pelos
bumbas, para fazer bonito durante as três noites. Em outros cantos da
cidade, no entanto, há pessoas igualmente apaixonadas preparando os
últimos detalhes para as fantasias e alegorias do festival. As grandes
esculturas e as fantasias majestosas são ricas em detalhes regionais,
características das alegorias de Parintins.
O
artista plástico do boi vermelho, Junior Feijó trabalha há 15 anos no
Garantido e há três é responsável pelas alegorias da Escola de Samba
Vila Maria, em São Paulo. Junior é conhecido entre os artistas por usar
poucos materiais de fora do Estado, o que além de aparentar uma
característica mais rústica as alegorias trazem uma economia de até 40%
de custo.
“Os
artistas de fora nos questionavam porque aqui nós mostrávamos mais o
luxo visto no Carnaval do sudeste do que os trabalhos regionais, feitos
pelos caboclos. Tenho vindo com essa idéia há alguns anos e adequando o
uso dos meus materiais. Este ano eu tive acesso à ideia do Garantido
para as alegorias mais cedo e pude fazer o meu trabalho usando esses
materiais. Para as pessoas do Rio de Janeiro e São Paulo o luxo não
interessa e sim as idéias mais regionais mesmo”, conta o artista
parintinense que atualmente mora em São Paulo.
As
alegorias de Junior são cobertas por folhas de coqueiros, sementes,
cipós, serragem, folhas, juta entre outros materiais da natureza.
“Usamos ótimos materiais e duráveis sem prejudicar a natureza e é essa a
nossa ideia”, afirma.
Galpão Azul
A
artesã Gisele Costa estreia no trabalho do galpão do boi azul. A aluna
do mestre do Caprichoso, irmão Miguel, afirma que passou muitos anos
estudando desenho na escolinha do boi para levar os melhores detalhes ao
festival. A ex-professora conta que nem percebe as horas passando
quando está no galpão preparando os detalhes das fantasias:
“Estou
trabalhando no boi que eu gosto e trabalho com muito amor. Não tenho
noção de quantas horas eu passo aqui dentro, mas fazemos isso por amor.
Faço questão de acordar cedo e chegar aqui às 8h toda vestida de azul e
preparar este trabalho. É muito carinho, muita dedicação”, relata
emocionada.
Gisele
afirma que o desenho dos detalhes já vem encaminhado do Conselho de
Artes do boi, mas os artesões acabam acrescentando mais detalhes nas
roupas. As cuias, palhas, sementes da região como as de seringa e abil
são os materiais mais usados, além de penas e outros acessórios
confeccionados pelos artesões do próprio boi.
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