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segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Em eleição tranquila Adelson Albuquerque é eleito presidente do boi Garantido

A apuração das dez urnas atravessou a noite de domingo (31) e só acabou na madrugada do do dia 1º de setembro, e confirmou a vitória da chapa "Sempre serei Garantido" como vencedora. O novo mandatário do boi vermelho e branco ficará no cargo pelos próximos três anos


Adelson Albuquerque é eleito como novo presidente do boi-bumbá Garantido.(Divulgação/Site Boi Garantido)


Adelson Albuquerque, da chapa “Sempre serei Garantido”, foi eleito presidente da agremiação boi-bumbá Garantido, em eleição ocorrida neste domingo (31), em Manaus e Parintins simutaneamente. Foram apuradas dez urnas, sendo quatro do colégio eleitoral de Manaus e outras seis do pleito acontecido na cidade do interior do Amazonas. O eleito para o triênio 2015/2016/2017 terá pela frente a luta pelo tricampeonato do festival folclórico parintinense no ano em que o evento completa meio século de existência.
A eleição tanto em Manaus, como em Parintins teve início às 8h da manhã de domingo, encerrando o pleito na capital às 15h. A votação na Ilha Encantada seguiu até às 17h, e assim que as urnas vindas de Manaus chegaram na Cidade Garantido, local da apuração, começou a contagem dos votos.
De acordo com os organizadores da eleição, cerca de 50% dos 4,6 mil sócios da agremiação aptos a votar eram esperados nos locais de votação. A eleição em Parintins foi realizada na Cidade Garantido, onde a quantidade de eleitores é maior do que na capital, por isso o número maior de urnas no interior.
Logo na abertura da primeira urna oriunda de Parintins, se percebeu que a confirmação da eleição do empresário Adelson Albuquerque era uma questão de tempo. A cada nova contagem de votos, a vantagem da chapa "Sempre serei Garantido" aumentava em relação ao segundo colocado, Fred Goes, da chapa "Garantido Vencedor".
Após a apuração da sexta e última urna da terra natal do boi da Baixa do São José ser concluída, a diferença para o candidato Fred Goes era de mais de 400 votos. As outras quatro urnas vindas de Manaus, no pleito realizado no Centro de Convivência do Idoso, no bairro Aparecida, na Zona Sul da capital, apenas ratificaram a vitória de Adelson.
Antes mesmo que a décima urna fosse aberta, os eleitores da chapa "Sempre serei Garantido" já faziam a festa nas ruas da Ilha Encantada. Em 2015, primeiro ano da gestão de Adelson Albuquerque, o Festival Folclórico de Parintins completa 50 anos. E a expectativa dos fãs do bumbá Garantido é que o boi vermelho e branco conquiste o tão sonhado tricampeonato.  
ACRITICA.COM

segunda-feira, 30 de junho de 2014

A grandiosidade dos números da 49° edição do Festival Focllórico de Parintins destrinchados

Quem assiste as apresentações dos bois na arena não imagina o que gira em torno do evento, como as 3,5 toneladas de fogos usadas pelo boi-bumbá Caprichoso nas três noites ou as 112 toneladas de ferros utilizadas pelo Garantido 

As maiores alegoarias do festival chegam a 22 metros (Euzivaldo Queiroz)



Uma festa de tamanho colossal no meio da Amazônia e que atrai milhares de pessoas do País e do mundo, o Festival Folclórico de Parintins, com toda a sua exuberância, é uma festividade que possui números impressionantes.

Juntos, os  bois Caprichoso e Garantido receberam  cerca de R$ 15,5 milhões do Estado, sendo R$ 12 milhões referente ao patrocínio, R$ 1,5 milhão para a organização da Festa dos Visitantes e outros R$ 2 milhões para serem investidos na conservação da cidade. Mas estes não são os únicos números grandiosos da festa.  A CRÍTICA fez um levantamento de outros dados que fazem do 49º Festival Folclórico de Parintins uma das principais manifestações culturais do Brasil.
Para o diretor geral da Comissão de Artes do bumbá Garantido, Fred Góes,  o festival é um evento grandioso que já conquistou o Brasil e o mundo. Mas para que nada dê errado na arena durante os três dias de apresentação, também é preciso ter cabeça fria para administrar as crises.  “Esse evento é  grandioso e precisamos estar atentos para gerenciar as crises e não permitir  que os problemas interfiram nas nossas apresentações”, disse o experiente diretor, que está à frente do espetáculo há mais de 13 anos.
Já para Zandonaide Bastos, membro da Comissão de Arte do Caprichoso, o festival é feito de detalhes que fazem a diferença dentro do Bumbódromo. Ainda segundo o diretor de galpão do Boi Azul e Branco, Augusto Balão, são esses detalhes que fazem do bumbá vitorioso. “O Caprichoso  está sempre inovando e esse ano não poderia ser diferente. As pessoas vão se surpreender com o que vão assistir nas apresentações”, destacou, sem dar muito detalhes sobre as surpresas do Touro Negro.
Segundo a Prefeitura de Parintins, este ano, aproximadamente 80  mil turistas são aguardados para participarem das três noites do festival, e vão disputar os  16,5 mil lugares referentes à capacidade do Bumbódromo, que foi reformado no ano passado. “O Festival de Parintins tem um nível artístico altíssimo. Trabalhamos para atender esse nível de qualidade”, destacou o secretário de Estado de Cultura (SEC), Robério Braga.
ILUMINAÇÃO E SOM
A iluminação do Bumbódromo foi ampliada em 40 vezes, com equipamentos de alta tecnologia utilizados em grandes espetáculos dos Estados Unidos. A sonorização além de moderna, faz parte da estrutura fixa do Bumbódromo. Todos os equipamentos de som e iluminação estão montados em uma estrutura metálica suspensa a mais de 21 metros do chão. A armação metálica lembra a cabeça de um boi e possibilita a montagem cênica dos bumbás.
SEGURANÇA
A segurança no município também foi reforçada. Cerca de 800 policiais militares foram enviados à Parintins e vão trabalhar em 25 viaturas, 16 motos e um helicóptero. Outros 76 servidores da Polícia Civil também estão na cidade para ajudar no registro de ocorrências, além de 162 bombeiros .
MATÉRIA-PRIMA
Para dar vida aos personagens das toadas, o Garantido precisa   de 112 toneladas de ferro, 9 toneladas de isopor e 8 toneladas de tecidos, dentre outros materiais, para a confecção das alegorias.
ALEGORIAS
Cerca de 300 operários se empenharam na criação e montagem das alegorias do Boi da Baixa do São José.  As maiores medem 22 metros de altura. Outros 150 operários trabalharam na parte dos rituais indígenas.
LANCHE
Foram mais de 450 lanches distribuídos para os operários  diariamente nos galpões do Garantido. Já para os três dias de apresentação no festival, o Bumbá vai distribuir até 8,4 mil garrafinhas de águas por noite.
MAIS ANTIGA
Maria do Carmo Monteverde, 76 anos, filha de Lindolfo Monteverde (fundador do Bumbá),  é uma das integrantes mais antigas do Garantido. Todos os anos ela faz questão de sair na linha de frente da Batucada.
BALDES DE TINTAS
Para deixar as alegorias do Caprichoso impecáveis em termos de pintura, foram necessários 13 mil litros de tinta do tipo PVA para pinturas básicas, mais tintas  vinilicas  e fluorescentes para fazer o acabamento perfeito.
QUEIMA DE FOGOS
A queima de fogos de artifícios também surpreendeu os brincantes caprichosos. De acordo com o diretor de galpão do Bumbá, Augusto Balão, vão ser usados cerca de 3,5 toneladas de fogos nas três noites.
PESO 
As fantasias foram confeccionadas com matérias-primas regionais, mas também importadas do Rio de Janeiro e São Paulo. As
peças pesam em média 20kg, mas podem chegar a 60kg, como as dos Tuchauas.
NÚMEROS
- 80 mil: Essa é a expectativa de turistas aguardados pela Prefeitura de Parintins  e Amazonastur, que projeta um aumento do público estrangeiro no festival, em razão de Manaus ter sido uma das subsedes da Copa do Mundo .
- 16,5 mil: É a capacidade de brincantes no Bumbódromo, que foi reformado ano passado, quando os bois Garantido e Caprichosos comemoraram o Centenário.
- 2,5 mil: É o numero total  de artistas que fazem parte do Bumbá Garantido dentro e fora da arena. Eles participaram de toda a execução do projeto 2014, que vai defender o tema “Fé”. O trabalho está sendo posto em prática há mais de 90 dias.


sábado, 23 de fevereiro de 2013

Ingressos esgotados para a gravação do DVD do Boi Garantido

Telões serão instalados na Cidade Garantido para evitar superlotação no espetáculo do centenário do bumbá vermelho e branco

Gravações vão acontecer na Cidade Garantido, em Parintins
Sebastião Junior vai cantar 18 músicas inéditas do boi vermelho, além de outras 24 toadas clássicas (Arquivo AC)
Os ingressos para a festa de gravação do DVD e Red-Ray do boi Garantido neste sábado (23) à noite, em Parintins, estão esgotados. Para evitar superlotação na Cidade Garantido, a organização do evento providenciou a instalações de dois telões na área onde se encontra hasteado o pavilhão do boi. Por isso a festa funcionará com dois ambientes, proporcionando a venda de entradas de pista do curral a R$ 20 e de ingressos da praça do mastro que começou a ser vendido ao preço de R$ 10. Torcedores já lotavam os ensaios técnicos das últimas noites. A venda de camarotes e frisas foram encerradas há duas semanas.

O show deste sábado à noite começa a partir das 22h. O palco será um teatro, em constante transformação, por causa da alternância de quadros que ocorrerá durante todo o show. “Essas transformações ocorrerão de acordo com as encenações. Ora terá ambientação cabocla, ora tribal e folclórica”, comenta o artista Junior de Souza, membro da Comissão de Artes. O cenário terá 33 metros de boca de cena, com 18 metros de profundidade. O ápice do megaespectáculo será a chegada do boi Garantido, o astro maior do evento.

Inéditas

O repertório é composto por 18 toadas inéditas e 24 clássicas, escolhidas a dedo, que marcaram os festivais, informa Fred Góes, diretor geral do show. “As toadas antigas serão pot-pourris. Teremos um total de duas horas de show”, completa. Depois, de acordo com Goés, a festa prosseguirá mais solta com repertório variado de grandes sucessos do boi.

“Serão vários estilos de coreografias, desde o bailado tradicional ao mais alto nível da dança primitiva e contemporânea”, avisa o diretor de teatro Chico Cardoso. Nos ensaios o apresentador Israel Paulain, o levantador Sebastião Junior, a cantora Márcia Siqueira e o amo do boi, Tony Medeiros se revezavam no palco. A festa do DVD e Red-Ray, que será gravado pela TV A Crítica, emissora afiliada a Rede Record, terá ainda a estreia da porta-estandarte Verena Assis. Na noite de hoje o Garantido trará convidados especiais.

“Fizemos dois ambientes porque limitamos a venda de ingressos este ano. Mas, quem não conseguir espaço no curral ficará na área da bandeira com toda infraestrutura montada com uma praça de alimentação, telões e banheiros químicos”, diz o diretor de eventos, Jean Jorge Rodrigues. Em 2011, quando o Garantido gravou seu primeiro DVD no curral, o Corpo de Bombeiros teve muito trabalho por causa da superlotação. No ano passado, a festa aconteceu no Bumbódromo, que este ano está em obras.

JONAS SANTOS 

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Márcia Siqueira canta um ‘Ritual’ legitimamente amazônico

O quarto CD da cantora foi lançado no palco do Teatro Amazonas, durante o 3º Festival Amazonas de Música, em um show que fez lembrar a Techno Macumba de Rita Ribeiro e as encenações do Festival Folclórico de Parintins

 Eclética, Márcia Siqueira canta estilos variados e se consagrou como uma das únicas mulheres cantoras de boi-bumbá, no Amazonas
Eclética, Márcia Siqueira canta estilos variados e se consagrou como uma das únicas mulheres cantoras de boi-bumbá, no Amazonas (ALEXANDRE FONSECA/ACRITICA)

A união de composições inspiradas no folclore caboclo e no lendário indígena, o emprego de metais, instrumentos de percussão e corda, arranjos cheios de melodia e uma voz privilegiada fizeram do CD “Ritual” – da regionalmente consagrada cantora amazonense Márcia Siqueira – um trabalho novo e cheio de qualidade. Interpretações que merecem ganhar o Brasil, pois em nada devem (e em muito superam) toadas que fizeram sucesso e expuseram o “exótico amazônico” mundo a fora, como: Vermelho, Tic Tic Tac e Bumba Bumbum Bumbá.  

“Ritual” foi lançado no palco do Teatro Amazonas, durante o 3º Festival Amazonas de Música, nessa sexta-feira (28), em um show que fez lembrar a Techno Macumba de Rita Ribeiro e as encenações do Festival Folclórico de Parintins. A apresentação contou com um staff de aproximadamente 50 profissionais, entre músicos, dançarinos e produtores, e mesmo com um orçamento disponível apertado conseguiu emocionar. Cerca de 500 turistas, fãs da cantora e pessoas que não conheciam sua música fizeram parte da plateia, aplaudiram de pé e dançaram durante o evento.       

Há cantores que mostram todo o seu talento em produções gravadas, conseguem produzir CDs de extrema qualidade, mas deixam a desejar quando se apresentam ao vivo. Esse, definitivamente, não é o caso de Márcia Siqueira. Quem ouve e o CD e assiste ao show tem certeza de que se trata de uma intérprete legítima, merecedora dos títulos adquiridos nos vários festivais que já venceu.

Segundo a própria cantora, “Ritual” é uma homenagem justa aos compositores amazonenses. Entre eles: Rui Machado, Sidney Rezende, Pereira, Emerson Maia, Paulinho Dú Sagrado.



O CD reúne romantismo, caboclitude e folclore de modo harmônico, sem tornar a música exótica, ou comercial em demasia. Com propriedade, Márcia interpreta – com os traços físicos, gestual e indumentária indígena estilizada – a legitima música amazônica e o próprio boi-bumbá de Parintins.  Movimento esse que, mesmo após cerca de 10 anos de contribuição ativa, não dá o merecido valor para essa artista ímpar, que tecnicamente supera muitos dos cantores de toada regionais.     

Biografia

Márcia Siqueira ganhou destaque ao vencer o prêmio Canta Nordeste, realizado pela Rede Globo em 1995. Ela já realizou apresentações na Alemanha (durante a Expo 2000, em Hannover, e na Mostra do Cinema Brasileiro, em Munique); participou do projeto Pixinguinha; venceu como melhor interprete vários festivais no Brasil. Márcia foi também a primeira mulher a cantar no Festival Folclórico de Parintins. Eclética, a intérprete canta vários estilos, entre eles: MPB, toadas de boi-bumbá, blues, samba rock e pop. Já lançou os CDs: “Canto de Caminho”, “Márcia Siqueira”, “Nada a declarar” e “Ritual”.  Em março de 2011 chegou a ser vítima de censura e impedida de subir ao palco por não apresentar a carteira da ordem dos músicos.

Escute a música  “Povo de alma vermelha” (Paulinho Dú Sagrado) e “Eterno Amor” (Kleber Paiva) 

LEANDRO TAPAJÓS

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Comemoração do centenário dos boi de Parintins está sob suspeita


Bois-bumbás se acusam mutuamente de não completar cem anos em 2013

Pesquisadores apontam evidências de que bumbás talvez não tenham a idade que alegam
Pesquisadores apontam evidências de que bumbás talvez não tenham a idade que alegam (AC)

Faz uma semana que o 47° Festival Folclórico de Parintins chegou ao fim, mas os bumbás Garantido e Caprichoso já estão pensando em seus centenários – ambos comemorados em 2013. O problema é que tanto os torcedores do boi da Baixa de São José quanto do boi da Francesa e Palmares afirmam que seus adversários não têm um século de fundação. A polêmica de que o Garantido não teria cem anos surgiu pelo fato de Lindolfo Monteverde (criador do boi do coração) ter feito uma promessa a São João Batista em 1920, quando tinha 18 anos. Ele prometeu que, se se curasse de uma grave doença, realizaria anualmente uma ladainha e uma festa de boi em sua homenagem. Ou seja, se a promessa que deu origem ao bumbá foi feita em 1920, o Garantido vai completar 93 anos de idade em 2013.
 A evidência é sustentada pela toada “Sonho de liberdade”, que diz numa de suas estrofes: “Boi Garantido, é histórico, é sabido/ Que mestre Lindolfo Monteverde/ Aos 18 anos de idade contigo sonhou/ Boi Garantido, sonho de Lindolfo Monteverde/ Do poeta a oitava maravilha/ Se realizou”. A última prova seria um trecho do livro “O magnífico folclore de Parintins”, de autoria de Tonzinho Saunier, da década de 70. A obra traz uma entrevista de Lindolfo Monteverde, concedida no dia 21 de junho de 1970 e publicada no jornal “A Tribuna”, que circulava no município de Parintins, na qual o próprio diz o seguinte: “Eu tinha 18 anos em 1920, quando coloquei pela primeira vez o novilho, que completa este ano (1970) 50 anos de existência e por isso estou alegre. O Garantido sucedeu o boi Fita Verde, do meu compadre Izídio Passarinho, do Aninga (região de Parintins)”.

Família
 
A despeito disso, Raimundo Monteverde, neto de Lindolfo, afirma que o bumbá vermelho e branco vai completar cem anos em 2013, e que seu avô já brincava com um boi feito de curuatá (invólucro das flores das palmeiras) aos 11 anos. Contudo, só oficializou o Garantido com 22 anos. “Eles dizem isso porque, conforme a idade de Lindolfo em 1913, ele não colocava o boi. Nessa época, não podia brincar com os adultos, mas Lindolfo brincava no terreiro com os irmãos, com amigos. Quando adulto ele fez o boi (Garantido)”, diz o neto Monteverde. “Isso é uma forma de igualar o Caprichoso com o Garantido, só que isso não existe, porque o Garantido brincava de boi com o Galante, Fita Verde, Tira Prosa, entre outros, e não com o Caprichoso”, complementou.

 Provas orais
 
 Provas de que o boi da Francesa e Palmares teria cem anos são poucas, em sua maioria são apenas relatos de pessoas mais antigas. Segundo a pesquisadora Odnéa Andrade, torcedora do Caprichoso, quando começou a participar da vida ativa do boi, entrou em contato com esse público e coletou informações. “Tenho um depoimento da dona Maria Laura, casada com um dos filhos (todos já falecidos) de Roque Cid (fundador do bumbá), que afirma que o Caprichoso tem cem anos”, informa. Ela conta, também, que desenvolveu um projeto, intitulado “Oh! Que delícia de rua”, que envolvia as ruas Sá Peixoto e Cordovil (ambas de Parintins), onde possivelmente haveria ocorrido o nascimento do Caprichoso, em que os moradores mais antigos dizem que o bumbá completará dez décadas. A obra “O magnífico folclore de Parintins” discorda quanto Roque Cid ser o fundador do Caprichoso. Segundo um trecho da publicação, o boi surgiu em 1913, trazido de Manaus pelo Sr. Emídio Vieira.

Pesquisa não comprova
 
Larice Butel, do Conselho de Arte do Caprichoso, está fazendo uma pesquisa sobre o centenário do boi da Francesa junto com os outros integrantes do grupo. O estudo começou em janeiro desse ano, mas até agora ela diz ser complicado afirmar que o Caprichoso tenha cem anos. Contudo, pelo que já foi apurado, é possível que o Boi da Estrela seja mais antigo que o Boi do Coração.
Ela aponta, ainda, que Parintins não era dividida em cores e que os bumbás brincavam em ruas específicas do município. “São vários relatos de que aconteciam muitas brigas. Só que ainda estamos tabulando essas informações. (...) Precisamos concluir essa pesquisa até agosto, porque ela vai gerar um documentário e um livro”, contou. O cineasta carioca Silvio Da-Rin também já começou a coletar informações para fazer um documentário sobre o centenário do boi Garantido, a ser lançado em 2013.

RAFAEL SEIXAS 

sábado, 7 de julho de 2012

Registro de direitos autorais para alegorias de Parintins

Profissionais do ramo de propriedade intelectual de Manaus, tentam orientam os artistas a registrarem suas obras para que tenham o direito de receber royalties pelo uso de suas músicas, alegorias e artes cênicas

Ritual do bumbá Caprichoso na última noite do festival
Ritual do bumbá Caprichoso na última noite do festival (Márcio Silva )

Várias peças presentes nas apresentações dos bumbás Garantido e Caprichoso no Festival Folclórico de Parintins poderiam ter o devido registro de propriedade intelectual, como toadas, encenações de rituais e até o maquinário utilizado para dar movimento às alegorias.
De acordo com a analista de propriedade intelectual da Fundação Centro de Análise, Pesquisa e Inovação Tecnológica (Fucapi), Sonia Tapajós, num festival desse porte é possível encontrar vários itens passíveis de proteção, o que poderia garantir aos compositores ou grupos folclóricos o direito sobre a reprodução de suas obras.
“Pela nossa experiência com o Núcleo de Propriedade Intelectual e Inovação (NUPI) da Fucapi, pioneiro na região, não temos conhecimento de muitos registros dessas músicas. Os grupos de forró são bem mais atuantes nesse sentido. Diferente do registro de propriedade industrial, a música tem o aspecto de proteção a partir do momento em que ela é difundida, a simples difusão tem em si uma certa proteção, mas só o registro garante ao autor o direito de poder receber os royalties e oferece uma garantia maior de que as obras estão sendo protegidas”, explica.


Artes cênicas
Os rituais folclóricos poderiam ser registrados como peças de teatro, como explica a líder do Nupi, Francisca Dantas. “Não vemos muito a preocupação, nem mesmo dos grupos de teatro locais. Atendemos mais registros de obras literárias, até porque há uma preocupação muito grande, com o advento da Internet, de que essas obras sejam reproduzidas sem a devida autorização. Mas as peças, assim como os livros, também podem receber o registro”, disse.
“No caso das encenações ocorridas no Bumbódromo, podemos dizer que são peças de teatro, as coreografias utilizadas são criações intelectuais passíveis de proteção pelo direito autoral”, complementa.

Procedimento
Para fazer o registro do conjunto de uma obra musical, como por exemplo dez músicas de um mesmo autor, é necessário que ele prepare uma espécie de dossiê, com as letras e/ou partituras, com uma folha de rosto com todos os dados sobre composições que deseja registrar e anexe cópias autenticadas de sua documentação (RG e CPF).

Documentos
J
á no caso de livros e peças de teatro, o texto da obra deve ser reunido, também com uma capa e folha de rosto, com os dados e documentos dos autores. O pedido é enviado ao Escritório de Direito Autoral, da Fundação Biblioteca Nacional, que fica no Rio de Janeiro. O Nupi (av. Governador Danilo de Mattos Areosa, 381, Distrito Industrial) faz todo o acompanhamento do registro. O custo desses serviços, incluindo a taxa cobrada pela Biblioteca Nacional, é de R$ 395.


quarta-feira, 20 de junho de 2012

Produção dos carros alegóricos dos bois entram na reta final em Parintins (AM)

As alegorias do Garantido já estão na concentração do Bumbódromo e cupam uma área de 18 mil metros, tomando ainda parte da praça dos bois. O boi Caprichoso, tradicional por suas inovações na área mecânica, promete alegorias com movimentos inéditos na Arena deste ano.

O boi Caprichoso, tradicional por suas inovações na área mecânica, promete alegorias com movimentos inéditos na Arena deste ano
O boi Caprichoso, tradicional por suas inovações na área mecânica, promete alegorias com movimentos inéditos na Arena deste ano (Euzivaldo Queiroz )

A nove dias da grande disputa entre Caprichoso e Garantido os trabalhos na área de produção dos carros alegóricos dos bois entram na reta final. A direção do boi vermelho avisa que até o sábado (23), todo o projeto estará 95% concluído. No Caprichoso a previsão de término das alegorias é de apenas três dias antes do festival.

As alegorias do Garantido já estão na concentração do Bumbódromo e ocupam uma área de 18 mil metros, tomando ainda parte da praça dos bois. O boi está terminando os serviços aqui porque os galpões da Cidade Garantido alagaram com a enchente do Rio Amazonas. São 240 artistas da agremiação que trabalham na construção de 110 módulos, que formarão 12 alegorias. Algumas dessas estruturas alegóricas medirão 19 metros de altura e ficarão acima do nível do Bumbódromo. Em outras palavras, o boi está bem maior do que o festival de 2012.

De acordo com o coordenador da Comissão de Artes, Fréd Goés, para cada noite serão apresentadas quatro alegorias, que vão representar
momentos marcantes do espetáculo do boi. “No ano passado, apresentamos alegorias com transfigurações em que, por exemplo, em uma mesma estrutura acontecia a evolução da figura típica regional e de uma lenda amazônica. Este ano, a celebração folclórica, lenda, ritual e figura típica foram concebidos individualmente para seus momentos na arena”, completa Goés.

O artista-diretor de cenotécnica do Garantido e membro da Comissão de Artes, Junior de Souza, disse que os artistas entrarão agora na fase de pintura, revestimento e de adereços. “Já vamos começar a desmontar  as tendas industriais instaladas aqui na concentração para que possamos ter espaço para montar as peças das alegorias e fazer os testes de movimentos”, afirmou o artista que está produzindo o ritual Yanomami, de uma das noites.

O projeto “Tradição 2012” tem ao todo 13 artistas de ponta, número também maior que o ano passado. Fréd diz que o Garantido teve ainda um atraso de duas semanas, por conta da falta de recursos financeiros e problemas com Justiça do Trabalho de Parintins, que já foram sanados. "Mas estamos dentro do tempo programado", disse. O projeto de arena do Garantido esta orçado em R$ 7 milhões.

Alegorias

O boi Caprichoso, tradicional por suas inovações na área mecânica, promete alegorias com movimentos inéditos na Arena deste ano. As informações são de Zandonai de Bastos, Coordenador de Concentração do Caprichoso que alerta a torcida: os carros também virão maiores do que os anos anteriores.

Inovação é a palavra de ordem nos galpões do Caprichoso. A confecção das nove alegorias e dos outros monoblocos – carros que se montam durante a evolução – ainda está em fase de pintura e montagem, mas, segundo os membros do Conselho de Arte do boi, prometem tirar o fôlego dos brincantes.

Zandonai afirma que este ano os artistas do boi se superaram na área mecânica das alegorias e estão preparando movimentos nunca antes visto durante o festival. “Nós estamos preparando surpresas de movimento que chegam próximos aos movimentos naturais, humanos”, adianta.

Os carros, cujos valores ainda não foram calculados, prometem ser maiores que os dos anos passados e devem ficar prontos até a noite da próxima terça-feira (26). O Conselho de Arte do boi azul e branco decidiu manter total sigilo de suas alegorias, tanto que algumas delas vão estar escondidas dentro de espaços confeccionados pelos artistas do boi e só serão reveladas na hora de apresentação.

Para a criação dos carros cerda de 350 trabalhadores cumprem expediente em horário comercial somente no galpão principal do boi desde o mês passado. “Nós repassamos a alimentação e horas extras e todos os trabalhadores daqui possuem carteira assinada, conforme as exigências do Ministério do Trabalho”, afirma.

A maioria do material usado nas alegorias é comprada em São Paulo e no Rio de Janeiro, como os tecidos importados. As tintas e materiais mais simples são adquiridos em Manaus e os regionais, usados para criar texturas semelhantes a pelos e cabelos, são comprados em Parintins.

Zandonai afirma ainda que a Galera azul e branco terá muito orgulho das apresentações :“O caprichoso é um boi audacioso e o nosso torcedor pode esperar por uma apresentação cheia de riqueza em detalhes”, conclui.


MARIANA LIMA E JONAS SANTOS

Utilização de materiais regionais durante o Festival de Parintins gera economia de até 40%

As alegorias e fantasias usadas por Caprichoso e Garantido são cobertas por folhas de coqueiros, sementes, cipós, serragem, folhas, cuias, sementes, juta entre outros materiais da natureza amazônica 

A artesã de Parintins trabalha com atenção nos detalhes de cada fantasia
A artesã de Parintins trabalha com atenção nos detalhes de cada fantasia (Euzivaldo Queiroz )

A ilha de Parintins (localizada a 396 quilômetros de Manaus) inicia o clima de festas com seus tradicionais ensaios nos currais, conhecidos pelas coreografias copiadas por horas pelos brincantes apaixonados pelos bumbas, para fazer bonito durante as três noites. Em outros cantos da cidade, no entanto, há pessoas igualmente apaixonadas preparando os últimos detalhes para as fantasias e alegorias do festival. As grandes esculturas e as fantasias majestosas são ricas em detalhes regionais, características das alegorias de Parintins.

O artista plástico do boi vermelho, Junior Feijó trabalha há 15 anos no Garantido e há três é responsável pelas alegorias da Escola de Samba Vila Maria, em São Paulo. Junior é conhecido entre os artistas por usar poucos materiais de fora do Estado, o que além de aparentar uma característica mais rústica as alegorias trazem uma economia de até 40% de custo.

“Os artistas de fora nos questionavam porque aqui nós mostrávamos mais o luxo visto no Carnaval do sudeste do que os trabalhos regionais, feitos pelos caboclos. Tenho vindo com essa idéia há alguns anos e adequando o uso dos meus materiais. Este ano eu tive acesso à ideia do Garantido para as alegorias mais cedo e pude fazer o meu trabalho usando esses materiais. Para as pessoas do Rio de Janeiro e São Paulo o luxo não interessa e sim as idéias mais regionais mesmo”, conta o artista parintinense que atualmente mora em São Paulo.


As alegorias de Junior são cobertas por folhas de coqueiros, sementes, cipós, serragem, folhas, juta entre outros materiais da natureza. “Usamos ótimos materiais e duráveis sem prejudicar a natureza e é essa a nossa ideia”, afirma.

Galpão Azul

A artesã Gisele Costa estreia no trabalho do galpão do boi azul. A aluna do mestre do Caprichoso, irmão Miguel, afirma que passou muitos anos estudando desenho na escolinha do boi para levar os melhores detalhes ao festival. A ex-professora conta que nem percebe as horas passando quando está no galpão preparando os detalhes das fantasias:
“Estou trabalhando no boi que eu gosto e trabalho com muito amor. Não tenho noção de quantas horas eu passo aqui dentro, mas fazemos isso por amor. Faço questão de acordar cedo e chegar aqui às 8h toda vestida de azul e preparar este trabalho. É muito carinho, muita dedicação”, relata emocionada.

Gisele afirma que o desenho dos detalhes já vem encaminhado do Conselho de Artes do boi, mas os artesões acabam acrescentando mais detalhes nas roupas. As cuias, palhas, sementes da região como as de seringa e abil são os materiais mais usados, além de penas e outros acessórios confeccionados pelos artesões do próprio boi.

MARIANA LIMA