Em apenas seis anos, ela se formou no MIT, trabalhou na Microsoft e na Google e criou sua própria startup. Agora, Isabel Pesce, 24, conta sua experiência em livro
| Isabel Pesce vem de família de classe média, teve que trabalhar para pagar os estudos no MIT e trancou a pós-graduação |
O que uma moça de 24 anos tem a ensinar sobre
empreendedorismo? Muito, se a pessoa em questão for a paulistana Isabel
Pesce Mattos. Ela se formou em Engenharia Elétrica no Massachussets
Institute of Technology (MIT), trabalhou na Microsoft e no Google,
largou um cargo executivo na Ooyala, líder mundial em tecnologias de
vídeo, para criar sua própria startup, a Lemon, que desenvolve
aplicativos para controle das finanças.
Há três meses, ela lançou um livro - A menina do vale - onde
conta um pouco de sua curta, porém exitosa, carreira como empreendedora.
Mais de um milhão de pessoas fizeram o download.
Foi durante o curso no MIT que Pesce
descobriu a paixão por negócios e aprendeu uma das lições que cita no
livro: nunca é cedo ou tarde demais para empreender. Pouca gente sabe
que Roberto Marinho fundou a Rede Globo aos 60 anos; Ray Croc tinha 52,
quando começou a transformar o McDonald‘s na maior rede de restaurantes
fast-food do mundo.
Por outro lado,
Catherine e Dave Cook eram adolescentes no Ensino Médio quando criaram o
MyYearBook, site onde os usuários registram os principais
acontecimentos do ano escolar, e que foi vendido em 2011 por US$ 100
milhões. Outra ideia desmontada por Pesce é a de que abrir uma empresa
seja algo glamuroso.
“Você geralmente
estará dormindo menos do que pensou ser humanamente possível, comendo
miojo no almoço e no jantar e passando mais tempo no escritório do que
em qualquer outro lugar”, afirma.
Mesmo
assim, completa, pode ser a melhor época da sua vida, especialmente se
você estiver se dedicando a algo com o que realmente se importa. No
início da empresa, um plano de negócios é uma ferramenta muito útil, mas
Pesce ressalta que há um pouco de exagero sobre esse tema. Ela afirma
que o mais importante sobre esses documentos não são eles em si, mas o
que se aprende durante sua elaboração: pesquisa de mercado, sondagem de
concorrentes, perfil de clientes, teste de estratégias, etc.
Além disso, os planos precisam ser
flexíveis e estar em constante evolução. Não podem ser manuais
monolíticos.
Às vezes dá
errado
O empresário faz o seu melhor, mas às vezes, isso
não é o bastante e as coisas dão errado. Não há problema, desde que se
possa aprender com isso e continuar crescendo. Ei, mas você já leu isso
em um livro de autoajuda!
O que
talvez você não tenha lido é que todos os grandes empreendedores de
sucesso têm isso em comum: cometeram muitos erros ao longo da criação de
suas companhias.
Mas aprenderam
rapidamente e se adaptaram. Foi assim com Yahoo!, Hotmail e muitos
outros.
Leitores ávidos
Um dos hábitos do bom empreendedor é ler vorazmente tudo que possa
melhorar sua preparação. Bel Pesce recomenda Startup Brasil, de Pedro
Melo; Perdendo Minha Vigindade, de Richard Branson; Steve Jobs: A
Biografa, de Isaac Walterson, entre outros.
E-book foi baixado cem mil vezes em uma semana
Quando resolveu escrever seu livro, Isabel Pesce não estava pensando em vendas, queria apenas compartilhar um pouco do que aprendeu sobre empreendedorismo com outras pessoas.
Quando resolveu escrever seu livro, Isabel Pesce não estava pensando em vendas, queria apenas compartilhar um pouco do que aprendeu sobre empreendedorismo com outras pessoas.
Tanto que o e-book foi disponibilizado de graça na internet: www.ameninadovale.com
Mas o sucesso foi surpreendente: mais de
100 mil downloads em apenas uma semana.
Como boa empreendedora, a jovem já transformou a ideia em
negócio. O livro acaba de ser lançado pela editora Casa da Palavra. Para
atrair leitores e convencê-los a pagar R$ 19,60 pela versão impressa, a
moça incluiu três novos capítulos aos 18 do e-book original: “Começando
com pouco capital”; “Encontrando necessidades reais” e “Peça conselhos e
ganhará investimentos”.
Ela conta
que se descobriu empreendedora no MIT, fazendo disciplinas opcionais.
Fez de tudo um pouco: coreografia, dança,
aulas de composição musical e até aulas de japonês, o que considerou
mais difícil. Entrou em contato com jovens obstinados por ideias
inovadoras e descobriu sua missão na vida: desenvolver do zero soluções
tecnológicas para ajudar as pessoas, por meio de sua própria startup.
“Paixão é uma das coisas que realmente
fazem você dar o melhor de si. Quando encontrar a sua, entenderá muito
melhor quem você é e será capaz de trabalhar no que realmente importa
para você. Ser capaz de se concentrar em suas paixões é um sentimento
incrivelmente maravilhoso. Certifque-se de senti-lo”, diz.
PontosTeste o
produto
Quando um negócio começa, há apenas a suposição de
que as pessoas querem o produto. O empreendedor pode buscar formas de
testar essa hipótese na prática. O Groupon, por exemplo, começou como um
blog, os cupons eram feitos com um gerador de PDF e enviados para lotes
de e-mails no fim do dia.
Peça
ajuda
Diante de problemas aparentemente sem resposta,
vale a pena conversar com outras pessoas. Se você pedir opiniões para as
pessoas certas, é bem possível que alguém tenha tido um problema
semelhante ao seu e possa ajudá-lo a seguir na direção certa. Busque
ajuda de quem conseguiu. Não tenha vergonha de mandar e-mails para
alguém que não conhece pessoalmente.
Seja
humilde
Humildade nos negócios parece básico. Mas não é
tão simples. Ser humilde é admitir que se pode aprender com os outros e
buscar esse aprendizado. Por outro lado, se você apenas tenta parecer
humilde com a intenção de arregimentar apoio, cedo ou tarde será
desmascarado.
Faça Networking
O networking está no coração do Vale do Silício e é responsável
por grande parte do que a região é hoje. Ser bom em conectar pessoas
pode ajudá-lo a encontrar um parceiro de negócios, um mentor e um
advogado. Pode ajudá-lo a levantar capital, divulgar a sua empresa e
muito mais. Seu sócio pode estar a duas apresentações de distância.
JOUBERT LIMA
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