O MPF também vai investigar outras irregularidades no município de São Gabriel da Cachoeira, onde já esteve ouvindo moradores, além de abrir inquérito referente a denúncias de exploração sexual infanto-juvenil
| Descaso com crianças e adolescentes vítimas de exploração sexual resultou em procedimento do MPF-AM |
O
Ministério Público Federal (MPF) do Amazonas instaurou inquérito civil
para investigar denúncias da existência de uma rede de exploração sexual
de adolescentes indígenas em São Gabriel da Cachoeira – município
localizado a 858 quilômetros de Manaus, conforme reportagem publicada no
acritica.com e no jornal A Crítica, no último dia 8 de setembro.
A desestruturação dos órgãos públicos responsáveis pela tutela das populações indígenas naquela região, também denunciada na reportagem será alvo da apuração, segundo o MPF.
Entre
os dias 5 e 7 deste mês, o procurador da República Júlio José Araújo
Junior se reuniu com diversas entidades da sociedade civil de São
Gabriel da Cachoeira para tratar de assuntos referentes aos povos
indígenas.
A
visita do procurador da República ao município teve por objetivo
principal buscar informações e verificar in loco situações apuradas em
procedimentos administrativos já em tramitação no MPF-AM, como é o caso
da lixeira a céu aberto existente na comunidade Boa Esperança, desde
2004.
Durante
a estada no município, o procurador também se reuniu com representantes
da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn). A invasão
de terras indígenas por empresas de turismo e a relação do Exército
Brasileiro com as comunidades foi a principal pauta do encontro.
Na
ocasião, o procurador também colheu relatos de pacientes no Hospital de
Guarnição de São Gabriel da Cachoeira e conversou com a direção da
entidade (HGU-SGC). Júlio Araújo, que é titular do ofício cível do
MPF/AM responsável pelas questões indígenas, também visitou a Casa da
Saúde Indígena (Casai).
O
procurador identificou também outras situações irregulares, como o
abandono da Casa de Apoio Yanomami, que serve de abrigo para indígenas
da etnia Yanomami que vão a São Gabriel da Cachoeira, além das condições
precárias do presídio da cidade e a falta de assistência jurídica aos
presos. Todas as informações obtidas serão analisadas para definição das
providências a serem adotadas no âmbito do MPF/AM.
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