Eleita a mais votada para o posto em uma lista tríplice, Ilmair Siqueira pediu exoneração do cargo após ser acusada de mudar regras para favorecer colega
| Corregedora Ilmar Siqueira promoveu alterações no relatório que controla a produtividade dos defensores públicos |
Ausente
em 97% dos municípios do Amazonas, a Defensoria Pública do Estado
(DP-AM) se ocupou na última semana em administrar briga de defensores
por promoção em Manaus, que acabou resultando no pedido de exoneração da
corregedora-geral do órgão, Ilmair Siqueira.
A
corregedora entregou o posto depois da recusa do defensor-geral Ricardo
Trindade em apontar os defensores que estariam acusando-a de tentar
beneficiar o subcorregedor-geral, Clóvis Barreto, em processo de
promoção dentro do órgão.
Ilmair
estava há um ano no cargo. Eleita a mais votada para o posto em uma
lista tríplice, a corregedora, de 62 anos, assumiu a corregedoria pelas
mãos de Trindade, que chegou ao comando da DP-AM no mesmo período, março
de 2012.
Uma das tarefas da corregedora era receber os relatórios mensais de produtividade
dos colegas de trabalho. Este ano, Ilmair decidiu alterar a composição
do relatório, defendendo melhoria da qualidade das informações prestadas
nos documentos.
Segundo
o defensor-geral, a medida de Ilmair, que segundo ele não tinha o
respaldo dele e nem do Conselho Superior do órgão, foi criticada. Ainda
este ano, a DP-AM vai realizar processo de promoção de defensores de 2ª
classe para a 1º classe.
De
acordo com Trindade, uma das alterações feitas por Ilmair no relatório,
como a retirada da informação do número de petições iniciais, que foi
substituída pela informação de “número de ações ajuizadas”, favorecia
defensores que trabalham em fóruns. E prejudicaria os profissionais que
prestam serviços fora dos fóruns. A produção é um dos pontos analisados
no processo de promoção por merecimento.
Trindade
disse que a interpretação feita pela categoria foi a de que o defensor
Clóvis Barreto, subcorregedor de Ilmair, seria beneficiado com a mudança
no relatório. Barreto presta atendimento na área criminal, no fórum
Henoch Reis. Pela prerrogativa do posto, teria a possibilidade de ter um
número de ações ajuizadas maior que os demais.
Avisada
por Trindade da insatisfação dos colegas, a corregedora-geral exigiu
que o corregedor-geral instaurasse um procedimento investigatório e
apontasse quem a acusava de favorecer o subcorregedor.
Durante reunião do conselho da DP–AM,
no dia 13, Trindade negou o requerimento de Ilmair para abrir a
investigação. Irritada, a corregedora-geral entregou o cargo. Barreto
também pediu exoneração.
O
defensor-geral informou que, em um mês, o órgão realizará eleição para
escolher um novo corregedor-geral. O cargo de subcorregedor foi ocupado
pelo defensor Ulisses Falcão.
Defensora pública Ilmar Sigueira: “Tinha defensor que não entregava o relatório”
A
defensora Ilmair Siqueira disse que desde que assumiu o posto, tenta
corrigir falhas no órgão. Uma delas era as informações prestadas pelos
colegas no relatório de produtividade. “Tinha defensor que não entregava
o relatório há dois anos. E nem culpo eles, porque talvez eles não
fossem nem cobrados por isso na administração passada”, disse a
ex-corregedora.
Segundo
Ilmar, a suspeita sobre o trabalho dela não tem fundamento. A defensora
disse lamentar que o defensor-geral, Ricardo Trindade, com quem mantém
amizade há 30 anos, tenha se recusado a abrir processo para apurar se
ela estava cometendo algum ilícito.
“Ele
foi omisso. Mas vou continuar respeitando o meu colega. Ele é um homem
digno e correto. Apenas lamento que tenha dando ouvido a conversas de
pessoas anônimas”, disse Ilmar.
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