O óleo de Copaíba extraído do Lago do Atininga localizado na zona Rural de Manicoré foi destaque no Globo Rural, um programa da Rede Globo que está sendo apresentando durante comerciais de sua programação nacional
A principal fonte de renda da comunidade é o extrativismo(Arquivo) |
Formada por sítios pequenos, a comunidade de Lago do Atininga reúne 140 famílias de ribeirinhos. O lugarejo conta com luz elétrica, que foi instalada recentemente.
Tem igreja e escolinha para as crianças mais novas.
Os moradores se dedicam a pesca artesanal e tocam pequenas lavouras de mandioca.
A raiz serve pra fazer farinha, beiju e outros derivados.
A principal fonte de renda da comunidade é o extrativismo: o uso sustentável dos recursos da floresta. Baseadas num conhecimento tradicional, as famílias daqui exploram três produtos diferentes.
O primeiro é a castanha, fruto de uma das árvores mais altas da Amazônia, a castanheira.
O produto se desenvolve no topo, dentro de ouriços redondos.
Os ribeirinhos também coletam o látex, usado na produção de borracha.
A resina é extraída com a sangria das seringueiras nativas.
A atividade que vem mais crescendo nos últimos anos é extração do óleo de copaíba.
A coleta ocorre o ano todo em lugares distantes, na mata.
A tarefa é difícil e, às vezes, até perigosa: entrar na floresta fechada em busca das copaibeiras – as árvores que produzem o óleo.
O que chama a atenção é a diversidade de plantas numa área de mata primária, numa das regiões mais preservadas da Amazônia.
O trabalho com copaíba exige resistência. Isso porque as copaibeiras costumam ficar espalhadas na imensidão da floresta – distantes umas das outras.
Estudos indicam que uma copaibeira chega a viver mais de 300 anos na floresta. Existem várias espécies no Brasil. Na Amazônia, a mais comum é a copaifera multijuga, também conhecida como copal e pau de óleo.
Formado por muitas substâncias, o produto é eficiente no combate a germes e tem qualidades aromáticas. Por isso, entram na fabricação sabonetes, xampus, cremes, perfumes.
O manejo, feito com cuidado, não prejudica a saúde da árvore.
Em cerca de um ano, a copaibeira recupera o mesmo volume de óleo.
Com o serviço terminado, os produtores fecham o furo com um pedaço de madeira.
Num dia de floresta, eles exploram entre 15 e 20 copaibeiras.
Apesar de ser tradicional, essa atividade só começou a ganhar fôlego nos últimos anos.
Foi quando os ribeirinhos fundaram uma cooperativa e firmaram contrato com uma indústria de cosméticos – que passou a comprar o óleo de maneira regular.
Nessa fase, os produtores receberam assistência técnica e apoio de entidades como a Agência de Desenvolvimento Sustentável do Amazonas, do governo estadual.
Atualmente, toda produção de óleo é levada para o galpão da cooperativa, em Manicoré.
Assim que chega, o produto é pesado, coado e o pagamento é feito na hora, em dinheiro vivo. Para cada quilo de óleo o produtor recebe R$ 17.
A coleta da copaíba faz parte do dia-a-dia de quarenta cooperados. Em 2012, a venda do óleo gerou uma receita de R$ 1.200 para cada um.
Um dinheiro extra, que complementa o rendimento de atividades consagradas como castanha e borracha.
Globo Natureza e Globo Rural
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