domingo, 5 de maio de 2013

Robô-mosca faz o primeiro voo controlado


Protótipo de robô do tamanho de moeda conseguiu repetir voo de moscas, um dos animais voadores mais ágeis que existe


(Image courtesy of Kevin Ma, Pakpong Chirarattananon)

Na imagem, cinco robôs-mosca são apresentados ao lado de uma moeda de 1 centavo de dólar

Uma mosca-robô do tamanho de meio clipe de papel lançou vôo, pela primeira vez. O protótipo bate asas 120 vezes por segundo, faz manobras e até paira no ar. Ele pesa menos que um décimo de um grama e não tem bateria.

O passeio, realizado no meio do ano passado, foi a primeira demonstração de vôo de um robô do tamanho de um inseto e de acordo com os pesquisadores da faculdade de Engenharia e Ciências Aplicadas da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, é uma prova de quão longe a engenharia pode chegar.

Leia também: Estudo mostra que seres humanos sentem empatia por robôs

Para conseguir imitar o plano de voo de um animal tão pequeno e ágil, os cientistas precisaram fazer uma série de adaptações.

A primeira foi que o robozinho não tem baterias.

Ele bate as asas a partir de um fenômeno chamado piezoeletricidade – a capacidade de cristais de gerar eletricidade como resposta por pressão mecânica.

No protótipo, pequenas tiras de cerâmica se expandem e se contraem quando o campo elétrico é aplicado, fazendo com que as "asas" entrem em ação.

Veja o voo do robozinho-mosca:

Além disso, outra grande dificuldade referente ao voo era o fato de que qualquer pequena mudança no fluxo de ar pode ter um efeito gigantesco na dinâmica do voo.

Portanto, o sistema de controle foi desenvolvido de modo a responder muito mais rapidamente, em comparação com outros robôs, para manter o equilíbrio do protótipo.

“O maior desafio deste projeto foi o tamanho milimétrico do robô, tivemos que fazer adaptações para tudo”, disse ao iG Kevin Ma da faculdade de Engenharia e Ciências Aplicadas da Universidade de Harvard, nos EUA, e um dos autores do estudo publicado no periódico científico Science.

“Robôs maiores podem funcionar a partir de motores eletromagnéticos.

Porém, em modelos menores é preciso buscar alternativas”, disse.

Kevin Ma afirma que o robô pode ser usado para operações de resgate e monitoramento ambiental, e também como agente polinizador de lavouras.

A falta de baterias impossibilita que ele seja usado como um drone – veículo aéreo não tripulado usado pelo exército de vários países.

“Ainda não pode ser usado, pois não tem bateria, mas nada impede de mudarmos o sistema”, afirma.

No entanto, Ma afirma que o grande objetivo do estudo está na capacidade de usar materiais e desenvolver técnicas capazes de copiar o voo de uma mosca, um dos animais voadores mais ágeis que existe.

A escolha dos materiais e do sistema também levou em conta a capacidade de repetir os protótipos para que eles possam ser fabricados em série.

“Conseguimos demonstrar quão longe a engenharia mecânica é capaz de chegar”, enaltece Ma.

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