Agora, é a vez das bandas Rockaholics e Piracuí Com Farinha mostrarem versões exclusivas para algumas das canções que há décadas vêm embalando os foliões
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Piracuí Com Farinha e Rockaholics se enfrentam
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Confira nesta reportagem mais detalhes deste novo capítulo da
disputa musical e carnavalesca. E não deixe de assistir aos vídeos dos
concorrentes em seu smartphone ou tablet, por meio dos QR Codes nesta página!
ESTILO
BEIRADÃO
Estreante no cenário musical e adepta dos ritmos amazônicos, a
banda Piracuí Com Farinha elegeu dois clássicos que agitam o Carnaval
brasileiro desde a década de 1930: “O teu cabelo não nega” (1931) e “A
jardineira” (1938). As composições de Lamartine Babo e Irmãos Valença, e de
Benedito Lacerda e Humberto Porto, respectivamente, surgem num pot-pourri
marcado pela sonoridade da chamada música de beiradão.
“Nós nos identificamos com os ritmos dessas músicas, pois elas
se encaixam melhor na linguagem musical do beiradão. E as letras nos permitiam
também usar o sotaque característico dessa sonoridade”, destaca Gonzaga
Blantez, que faz voz e violão ao lado dos parceiros Araújo (saxofone), Félix
Aranha (voz/percussão) e João Paulo Ribeiro (percussão).
Ritmo e
alegria
Na versão da Piracuí, as marchinhas mantêm a alegria, o ritmo e
a energia, com acréscimos dignos de um show de beiradão ao vivo – com Blantez
“comandando” a festa, com gritos de “Segura, parente!”. Também se destaca o
saxofone de Araújo, dando o tom na abertura e no fecho da performance. O
instrumento, vale dizer, é típico da música ribeirinha, e também remete a um
ícone da sonoridade, o saxofonista Teixeira de Manaus.
A Piracuí Com Farinha é um novo rebento da Casa do Parente,
espaço dedicado à preservação e à difusão da arte e da cultura amazônicas,
mantido por Blantez. Não por acaso, de lá saiu o Cordão do Marambaia, também
devotado às sonoridades regionais e do qual Blantez é integrante. Há poucos
dias, o espaço no Parque das Laranjeiras se tornou um centro cultural, com
mostras de arte, encontros de gastronomia e música e por aí vai.
Cachaça e
rock
Para uma banda batizada de Rockaholics, não é de se estranhar
que a marchinha escolhida tenha algo a ver com birita: “Cachaça Não é Água”
ganhou uma versão na linha punk hardcore, com bastante peso nas guitarras e
bateria acelerada. Quem fez a proposta inicial foi o baixista Marcelo Lima, que
conhece muito bem o perfil de seus companheiros de palco.
“Todo mundo na banda gosta de encher a lata, o nome não é à toa.
Quem sai pra curtir um rock sempre está com uma cervejinha na mão. Então não
pensei duas vezes, porque sabia que todo mundo ia se identificar”, disse.
Clássico da década de 50, “Cachaça Não é Água” é de autoria de
Mirabeau Pinheiro, Lúcio de Castro e Heber Lobato, ecoando até hoje nas festas
de Carnaval por um motivo muito similar ao apresentado por Lima – a cachaça é
um dos símbolos brasileiros.
De acordo com o guitarrista Beto Ladeira, um dos responsáveis
pelo arranjo, o resultado ficou - no mínimo - divertido.
“É música bem fácil no sentido de notas. Fizemos uma introdução
no ritmo carnavalesco, mas com as guitarras. Na terceira estrofe, mudamos um
pouco. E a bateria está bem tribal”, explica.
O fato é que o ritmo carnavalesco está deveras distante do
gênero adotado pela Rockaholics - que tem como influência o som de bandas como
Led Zeppelin, Black Sabbath, Rush, Slayer, Sepultura, Pantera e outras mais.
Para Ladeira, misturar o rock com marchinha não foi tão esdrúxulo, pois
enquanto músico, ele reconhece a necessidade de se transitar entre os ritmos.
“Ouço jazz, rock’n’roll, rock clássico, instrumental, MPB.
Acredito que esse leque de opções ajuda na criatividade do músico. Explorar
outros horizontes é crucial”, diz, numa forma de incentivar o ecletismo.

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