Com
a crise no relacionamento entre o PT e a base aliada no Congresso,
expectativas de políticos e empresários sobre o futuro do modelo são
incertas
| Para o presidente da Cieam, Wilson Périco, o clima de ‘retaliação’ do PMDB em relação ao governo pode ser desastroso para a ZFM |
A
quatro dias da votação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) nº
506, que pede a prorrogação da Zona Franca de Manaus (ZFM) por mais 50
anos, a expectativa no meio político e empresarial é incerta. O
jornalista Neuton Corrêa, de A CRÍTICA, informou na manhã desta sexta
(14) que a PEC não será votada, e nem tem previsão de entrar em pauta
novamente.
Tudo
por causa da crise entre o Partido dos Trabalhadores, da presidente
Dilma Rouseff, e o PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro),
que era o principal aliado do governo, mas declarou independência na
última terça (12) e impôs uma derrota importante ontem, ao aprovar uma
investigação sobre contratos da Petrobras.
A
tentativa de conter a rebelião na base, somada aos esforços de
empresários de outros estados, principalmente do Sudeste do País, para
votar a Lei de Informática, que facilita a produção de componentes fora
da Zona Franca, lança ainda mais sombras sobre o futuro do modelo.
Procurado pela reportagem de A CRÍTICA, o senador Eduardo Braga, que iniciou ontem uma mobilização nas redes sociais
pela prorrogação da ZFM, descartou o adiamento da votação, por
acreditar que seria precipitado especular sobre o assunto, além de
acrescentar que a própria Lei de Informática pode servir para
“pacificar” os ataques à ZFM, facilitando a aprovação da PEC. O deputado
Átila Lins também foi procurado para se manifestar sobre o assunto, mas
a reportagem não obteve sucesso.
Já
o presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam),
Wilson Périco, acredita que o ambiente de ‘retaliação’ do PMDB no
Congresso pode ser desastrosa para a ZFM. “Não sou político, mas, pelo
que tenho acompanhado, talvez seja melhor adiar a votação e aguardar o
momento mais apropriado, ao invés de deixar para a próxima terça.
Ninguém vai querer investir na Zona Franca se não tiver certeza do
retorno dos investimentos a longo prazo, coisa que uma derrota na
aprovação da PEC poria a perder”, afirma.
Prorrogação é importante para a reeleição de Dilma
A prorrogação da Zona Franca de Manaus foi a principal bandeira da candidatura de Dilma Rousseff
à presidência no Estado. Em busca da reeleição, ela vem tentando
garantir a aprovação do projeto antes do término do mandato. A bancada
do Amazonas na Câmara dos Deputados e no Senado Federal também se
esforça para fazer “passar” a PEC, mas enfrenta a forte oposição das
bancadas do Sul e Sudeste do País.
Na
próxima semana, além da ZFM e da Lei de Informática, outra questão
polêmica também deve ganhar a pauta em Brasília: o Marco Civil da
internet.
* Com informações do repórter Antônio Paulo, de Brasília (DF).
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