Algumas comparações e uma pequena história
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(Foto: Internete) Um gato não interrompe ninguém nas cenas mais emocionantes da novela |
Fazia três semanas que Juliana
estava sem namorado e umas duas, já, que as amigas vinham tentando arranjar
outro para ela – um pior que o outro, todos horríveis – quando ela chegou a uma
conclusão: precisava era de um gato.
Um gato (ela acabou convencida
pela amiga Dalva) é sempre o melhor remédio para uma desilusão amorosa. Um gato
é uma companhia mais adequada que qualquer homem (a não ser, claro, que esse
homem se chame Johnny Depp, George Clooney ou pelo menos Javier Bardem).
Um gato não interrompe ninguém nas
cenas mais emocionantes da novela para pedir beijinhos e tentar outros avanços
no sofá. Um gato não diz frases como “você engordou um pouquinho” ou “isso aí
no seu rosto parece uma espinha”.
Essas vantagens, e outras tantas,
foram passadas a Juliana por Dalva, que não ficou só nessas recomendações e
nesses louvores aos gatos. Certa manhã, levou-lhe um, na verdade uma, chamada
Titi, cinzinha, lindinha, uma gracinha.
Já no primeiro dia, praticamente
no primeiro olhar trocado, Juliana e a gata se deram às mil maravilhas. Titi
era bem nova, alegre, brincalhona, e, quando se cansava das corridinhas e dos
pulos, pedia colo e ronronava amorosamente até dormir.
Ah, suspirava Juliana, como tinha
conseguido viver vinte e cinco anos sem um gato? E Dalva subiu rapidamente no
ranking das amigas, tornando-se a mais importante de sua vida.
Num domingo, Juliana tinha acabado
de acordar e estava dando ração a Titi quando a campainha do apartamento tocou.
Espiando pelo olho mágico, ela viu um rosto que lhe pareceu conhecido.
“Sou o Paulo, amigo da Dalva”, ele
disse, pedindo licença para entrar.
Assim que Juliana abriu a porta,
Titi saltou do sofá e correu para Paulo. Ele a pegou e puxou para o colo:
“Titi, minha querida. Que saudade,
que saudade.”
O espanto deixou Juliana sem
palavras. Quem falou foi Paulo. Juliana ouviu a amiga Dalva ser retratada como
uma bruxa cruel e vingativa que, tendo brigado com Paulo e sendo rejeitada por
ele, tinha feito o quê?
“Ela foi uma tarde ao meu
apartamento para pegar umas coisas dela e, quando eu cheguei lá, à noite, cadê
a minha querida?”
Ele abraçou mais forte a gata e
repetiu a pergunta:
“Cadê a minha querida? Aqui. Graças
a Deus. Ainda bem que eu te achei, Titi. A Dalva disse que tinha te jogado no
lixão.”
Nesse instante, os olhos verdes de
Paulo e os olhos azuis de Juliana se encontraram. Parecia o começo de alguma
coisa. Os meses seguintes confirmaram que era.

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