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terça-feira, 17 de abril de 2012

Famílias afetadas pela cheia no Amazonas ainda não receberam ajuda do governo

 Prejudicada pela subida da água dos rios há quase dois meses, população ainda aguarda recursos serem liberados

Cerca de 30% do território de Anamã, no Solimões, está embaixo d’água; Em 2009, quase 100% da sede da cidade foi afetada
Cerca de 30% do território de Anamã, no Solimões, está embaixo d’água; Em 2009, quase 100% da sede da cidade foi afetada (Bruno Kelly - 15/ mar /2012 )

Os prejuízos causados pela cheia que atinge o Amazonas já duram quase dois meses e a população, principalmente do interior, ainda não recebeu a ajuda de R$ 8 milhões, anunciada pelo Governo Federal no final de março.
De acordo com a Secretaria de Ações de Defesa Civil do Amazonas (Subcomadec), os recursos já estão à disposição do Estado e dependem da operacionalização do próprio Governo para serem liberados.
Até o momento, 11.178 famílias da calha do rio Juruá e de parte do Purus foram cadastradas. Ainda faltam 18.738. No início do período de cheia, a Defesa Civil identificou 27.599 famílias afetadas, agora já são 29.916 prejudicadas.
A previsão dada pela Subcomadec é de que até a semana que vem as famílias já identificadas como prejudicadas pela cheia, comecem a receber o valor de R$ 400, por meio do cartão “Amazonas Solidário”.
O benefício foi concedido pelos Governos Estadual e Federal. Enquanto isso, a Defesa Civil do Estado informou que dará continuidade ao cadastramento das famílias atingidas nas demais regiões do Amazonas, o que constitui a segunda fase do socorro emergencial.
As famílias mais atingidas serão beneficiadas com R$ 8 milhões, inseridos no total de R$ 82 milhões em recursos do Governo Federal e Estadual para atendimento a essa problemática no Amazonas.
Além do Cartão Amazonas Solidário, os investimentos serão divididos no projeto de recuperação de encostas em municípios mais atingidos pelas cheias dos rios; e R$ 44 milhões, para o programa “Água para Todos”, de acesso à água potável, sendo R$ 40 milhões com recursos federais e R$ 4 milhões de contrapartida estadual.
A demora na liberação da primeira remessa dos recursos, segundo a Defesa Civil do Estado, foi por conta da confecção dos cartões, chegada dos mesmos no Estado e envio das remessas ao interior para serem entregues para aos beneficiados.
Mais atingidos
Neste final de semana, mais seis cidades do interior do Estado entraram na lista de municípios em situação de emergência em virtude da cheia sendo, no médio Solimões, os Municípios de Careiro da Várzea  e Caapiranga; Uricurituba, no médio Amazonas; Nova Olinda do Norte, no Madeira; Itacoatiara, no médio Amazonas e Tapauá, na calha do Purus, totalizando 25 municípios atingidos.
Mais cidades prejudicadas
De acordo com o comandante da Defesa Civil, coronel Roberto Rocha, a previsão é de que, no total, 31 cidades decretem situação de emergência no Amazonas por conta das cheias. Até o momento, as 25 cidades atingidas representam o quantitativo de 29.916 famílias atingidas.
Os municípios de Envira, Eirunepé, Guajará, Ipixuna, carauari, Itamarati e Juruá, na calha do Juruá; e Boca do Acre, Lábrea, Pauini, Canutama, na calha do Purus, já estão recebendo atendimento humanitário. Já os Municípios de Atalaia do Norte, Benjamin Constant, Tabatinga, São Paulo de Olivença, Tonantins, Santo Antonio do Içá, Amaturá, na calha do Solimões; e, Borba, na calha do rio Madeira, ainda vão receber ajuda humanitária.
“As inundações maiores ocorrem, atualmente, em Atalaia do Norte, Tabatinga, e São Paulo de Olivença. Enviamos mais de 1.500 cestas básicas e kits de higiene. Nessa região que estamos atendendo, no Alto Solimões, há 4.200 famílias atingidas”, disse Rocha.
Previsão
Ainda nesta semana, o nível do Rio Negro, em Manaus, pode atingir a marca emergencial de  28,90 m. Ontem, chegou 28,49 m. Nos dois meses restantes de cheia, a subida dos rios pode  se intensificar, também no interior,  com chuvas ocorridas nas bacias da Amazônia e o curso d’água do Peru, elevando os níveis do Solimões, no Brasil.
Em 2009, ano em que o Amazonas registrou a maior enchente desde 1953,  um total de 58 municípios do Amazonas foram atingidos. Cerca de 335 mil habitantes, principalmente das calhas dos rios Solimões  e Juruá, que em 2012, apresentam os  maiores índices, foram prejudicadas pela subida dos rios. Desse total, 59,5 mil tiveram que sair de suas casas. Em 2012, essa mesma história poderá se repetir. Isso porque quase 11 municípios estão próximos de chegar à marca atingida em 2009.

MARIA DERZI

segunda-feira, 26 de março de 2012

Cheia do rio Amazonas preocupa moradores de Parintins

Moradores de áreas de várzea, na zona rural, começam a mudança; na zona urbana, réguana Cidade Garantido ‘dá o alerta’

Regiões do Paraná do Limão, do Espírito Santo, de Parintins e Itaborai são as regiões que apresentam os primeiros impactos; Defesa Civil vai sugerir ‘emergência’
Regiões do Paraná do Limão, do Espírito Santo, de Parintins e Itaborai são as regiões que apresentam os primeiros impactos; Defesa Civil vai sugerir ‘emergência’ (Pedro Freitas/ Divulgação)

O Município de Parintins se depara com a grande cheia anunciada. A elevação das águas do rio Amazonas já é supera em seis centímetros a cota de 2009, conforme aferição da régua fluviométrica da Capitania dos Portos, registrada na última sexta-feira (23). A Defesa Civil do Município deverá apresentar, esta semana, um relatório ao prefeito Bi Garcia (PSDB) e sugerir que Parintins decrete situação de emergência.
Na grande enchente de 2009, o novo porto da Ilha Tupinambarana alagou e a Cidade Garantido também foi inundada, obrigando os artistas a terminarem as alegorias para o Festival Folclórico, na área de concentração do Bumbódromo. No dia 23 de março de 2009, o nível do rio marcava 8 metros e na última sexta-feira alcançou a marca de 8,06 metros, de acordo com os dados fornecidos pela Defesa Civil Municipal.
No início deste mês, a equipe de Defesa Civil passou uma semana na zona rural de Parintins e visitou 28 comunidades. As regiões do Paraná do Limão, Paraná do Espírito Santo, Itaborai e Paraná de Parintins são as localidades de várzea que sofrem os primeiros impactos da cheia. “No Paraná do Limão, que é uma das primeiras regiões atingidas pela cheia do rio, as famílias começam a fazer a mudança para as áreas de terra firme”, disse o coordenador da Defesa Civil, Sebastião Teixeira.
“Estamos nos mudando porque a marca daquela grande enchente já chegou e não vamos ficar esperando alagar tudo. Temos vizinhos que já fizeram até assoalho. Lamentamos é que vamos perder toda a nossa plantação”, disse o pescador José Alfaia, de 49 anos.
Cidade Garantido
Em 2011, a régua media 6,33 metros e em 2010 assinalava um dado mais baixo ainda: 5,60 metros. Ainda no ano de 2011, o último registro do volume de subida das águas do rio Amazonas foi marcado no dia 2 de junho, quando a régua marcou 8,50 metros.
O instrumento de medição da Capitania dos Portos está instalada no porto da Cidade Garantido, que alagou em 2009 e já começa a vivenciar o mesmo processo este ano. Se tiver que se mudar para o Bumbódromo novamente, a diretoria pretende fazer a transferência com planejamento, bem antes de a água chegar aos galpões da agremiação.
Preparação Na sede, os bairros que ficam na margem dos lagos da Ilha também estão sendo invadidos pelas águas. “Estamos precisando de uma ponte de madeira nova aqui no nosso beco”, relatou a dona de casa Maria das Graças Silva, 58, moradora do bairro Itaguatinga.
“Fazemos o monitoramento de todas essas áreas e contamos com a ajuda dos agentes municipais de saúde. Já conversamos com esses moradores e estamos nos preparando para enchente. Vamos contar com a ajuda da Prefeitura e do Governo do Estado para realizar esse trabalho de prevenção e preparação”, disse Teixeira.
Prejudicados
O balanço da segunda fase de previsão de impacto da cheia elaborado com dados da Defesa Civil Estadual mostra que os municípios de Anamã, Anori, Autazes, Barreirinha, Boa Vista do Ramos, Borba, Caapiranga, Careiro, Careiro da Várzea, Coari, Codajás, Iranduba, Itacoatiara, Manacapuru, Manaquiri, Manaus, Maués, Nhamundá, Nova Olinda do Norte, Novo Airão, Novo Aripuanã, Parintins, Urucará e Urucurituba serão prejudicados. Em Parintins a previsão é de que 10.852 famílias sejam atingidas.


sábado, 24 de março de 2012

Comunidades afetadas pela cheia recebem visita do Idam

As visitas foram feitas com objetivo de conhecer a situação dos agricultores familiares residentes na área de várzea

Com a cheia, o agricultor Raimundo da Silva Batista, 48, começou a apresentar perdas na sua produção de juta
Com a cheia, o agricultor Raimundo da Silva Batista, 48, começou a apresentar perdas na sua produção de juta (Bruno Kelly)

A Unidade Local do Idam/Tefé em parceria com a Secretaria Municipal de Produção e Abastecimento (Sempa) e Defesa Civil do Município visitou esta semana, as comunidades afetadas pela cheia do rio Solimões no município de Tefé (a 575 km de Manaus).

De acordo com o gerente local do Idam, Sidney Araújo, as visitas foram feitas com objetivo de conhecer a situação dos agricultores familiares residentes na área de várzea (terreno às margens de um rio que é inundado em época de enchente).O gerente ressaltou também, que o Idam junto aos órgãos municipais, vai traçar estratégias para que, nesse período, a qualidade de vida deles não seja afetada.


As comunidades de várzea, que receberam as visitas dos órgãos competentes foram, Novo Porto, São Luis do Macari, São Francisco do Aratamã, São Francisco do Piranhal, Santa Cruz e Santa Maria.

Durante as visitas, foi entregue, a cada uma das famílias das comunidades, um purificador de água. Outro destaque foi o incentivo dado aos moradores no cultivo de hortaliças em canteiro suspenso, devido às terras estarem alagadas para o cultivo de hortaliças no solo.

Segundo a secretária municipal de Produção e Abastecimento, Josianne Pedrosa, o apoio dado pelo governo do Estado tem sido fundamental. "A preocupação do município é, principalmente por conta da qualidade da água, que nesse período prejudicada pela enchente, podendo até comprometer a saúde da população", enfatizou.
As atividades são voltadas não somente para o período da cheia, mas também durante a estiagem (vazante dos rios), por conta da escassez de alimentos. No Amazonas, os rios (considerados um dos mais importantes meios de transportes dos agricultores da várzea) ficam intrafegáveis, deixando isoladas centenas de comunidades ribeirinhas no Amazonas.
Com informações da assessoria.


fonte:ACRITICA.COM