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terça-feira, 22 de maio de 2012

Delta receberá R$ 19 milhões por obra na BR-174

Na soma de valores de empenho e restos a pagar a empreiteira, investigada por ter ligações com o contraventor Carlinhos Cachoeira, receberá R$724 milhões por obras em andamento em todo o País

Rodovia que liga Manaus a Boa Vista (RR) rompe depois de forte chuva, em março de 2011
Rodovia que liga Manaus a Boa Vista (RR) rompe depois de forte chuva, em março de 2011 (acritica.com)

A Delta Construções S/A deve receber cerca de R$ 724 milhões da União em restos a pagar e valores empenhados e não liquidados em 2012, dos quais R$ 429,2 milhões, equivalente a 59,3%, serão pagos pelo Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte (Dnit), os quais incluem obras na BR-174, que liga Manaus (AM) a Boa Vista (RR), no valor de R$ 19,7 milhões. As informações foram postadas no site Contas Abertas.
Segundo o site, neste ano, foram R$ 229,5 milhões, dos quais R$ 8,0 milhões foram liquidados, além de R$ 504,5 milhões de exercícios anteriores. Além de recursos da Região Nordeste, a empreiteira também vai receber recursos relativos a obras da BR-110, na divisa entre o Rio Grande do Norte e Paraíba, no Ceará (R$ 21,3 milhões), na BR-174 no estado do Amazonas (R$ 19,7 milhões) e na BR-242 no estado da Bahia (R$ 9,8 milhões), todas tocadas pelo Dnit. Alguns dos valores correspondem à época em que o senador pelo Amazonas, Alfredo Nascimento (PR), dirigia o Ministério dos Transportes, órgão ao qual o Dnit é vinculado.
Além dos ministérios da Integração e dos Transportes, o da Saúde também pagará à empreiteira, em restos a pagar, R$ 15,4 milhões para a implantação da nova sede do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia, no Rio de Janeiro. Conforme o site, as obras em andamento estão em todas as regiões do país, já que se trata da maior empreiteira do Programa de Aceleração do Crescimento.
A Delta é investigada por supostas ligações com o contraventor Carlinhos Cachoeira, o qual tem a ligação com políticos, identificadas por grampos telefônicos efetuados pela Polícia Federal (PF), durante a operação Monte Carlo, analisada por uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) no Congresso Nacional.

ACRITICA

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Viaturas do Ronda no Bairro usam placas frias em Manaus

Viaturas alugadas pelo Governo do Amazonas da Delta Construções não estão registradas no Departamento de Trânsito

Contrato com a empreiteira prevê aluguel de 252 veículos com equipamentos eletrônicos para programa de segurança Viaturas alugadas pela Secretaria de Segurança
Contrato com a empreiteira prevê aluguel de 252 veículos com equipamentos eletrônicos para programa de segurança Viaturas alugadas pela Secretaria de Segurança (Divulgação)

Pelo menos nove carros da empreiteira Delta Construções, alugados para o Governo do Amazonas como viaturas do programa Ronda no Bairro, circulam na cidade de Manaus com placas “frias”. A empresa, que é suspeita de contratos irregulares e envolvimento com o bicheiro Carlinhos Cachoeira, venceu licitação no valor de R$ 143,8 milhões, para alugar veículos à Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP).
A diretora presidente do Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas (Detran-AM), Mônica Melo, confirmou que os veículos não estão no nome da Delta Construções. A CRÍTICA enviou para o Detran-AM imagens de 11 carros. Nove caracterizados como viaturas do Ronda no Bairro, e duas do grupamento Rondas Ostensivas Cândido Mariano, a Rocam.
Uso irregular
Segundo Mônica Melo, as 11 viaturas estão registradas, mas com “placa de segurança”. E que as placas deveriam ser usadas em veículos descaracterizados. A diretora do Detran-AM isentou o órgão de erro. “Você tem que procurar o coordenador do programa (Ronda no Bairro). Porque, a princípio, os carros chegaram aqui para ser emplacados como veículos que seriam usados em operações de inteligência, nos órgãos de inteligência da polícia. Se caracterizaram os carros depois, eu não tenho culpa. Não posso responder por isso”, disse a diretora.
Placa “fria” ou “de segurança” é um termo comumente utilizado para denominar placas que não têm cadastro no Departamento Estadual de Trânsito (Detran). A prática é usada por infratores e criminosos para não serem localizados. A polícia também usa o artifício, mas somente em carros descaracterizados, a serviço de órgãos de inteligência. O objetivo seria evitar que os policiais sejam descobertos durante investigações.
A assessoria de Mônica Melo informou que o fato dos veículos estarem registrados com “placa de segurança” não isenta os responsáveis de pagar os impostos e seguros obrigatórios.
No artigo 116, o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) estabelece que os veículos de propriedade da União, dos Estados e do Distrito Federal, devidamente registrados e licenciados, somente quando estritamente usados em serviço reservado de caráter policial, poderão usar placas particulares, obedecidos os critérios e limites estabelecidos pela legislação que regulamenta o uso de veículo oficial. A assessoria de imprensa da Secretaria de Estado de Segurança Pública informou, nessa quarta-feira (25), que, por ter recebido os questionamentos da reportagem às 16h40, só poderia fazer o levantamento das informações solicitadas por A CRÍTICA hoje.
Consórcio faturou R$ 143 mi
Em quatro contratos que a Delta Construções conquistou para alugar viaturas ao Governo do Amazonas, a quantia empenhada pela SSP é de R$ 143,8 milhões. O dinheiro tem como destino pagar um consórcio encabeçado pela empreiteira, batizado de Consórcio DPV, para aluguel de 252 veículos da marca Mitsubishi.
O contrato do Governo do Amazonas com a Delta é, de acordo com a própria empresa, uma “adesão” ao contrato que a empreiteira mantém como o Governo do Pará. O Ministério Público Estadual do Pará move ação na Justiça para derrubar o contrato de locação de viaturas entre a Delta e o Estado, por considerar a ata de adesão de preços (utilizada de um contrato com o Estado de Goiás) “viciada”.
Mônica Melo Diretora presidente do Detran-AM
“Os carros vieram para o Detran-AM como veículos de inteligência. O ofício enviado pela Secretaria de Segurança era para emplacar veículos para inteligência. Se quiser ter acesso ao registro pode vir aqui. Eles estão como placa vinculada. Autorizadas para polícias e órgão de inteligência. Se caracterizaram depois como viatura, quem tem que explicar é o coordenador do programa. Eu não tenho culpa. Não posso responder por isso. Carros alugados para o Governo têm placa normal. Mas os carros da polícia não têm problema de emplacar com placa vinculada”.
Coord. do “Ronda no Bairro” Amadeu Soares
O coordenador do programa Ronda no Bairro, o tenente-coronel Amadeu Soares, admitiu, nessa quarta, a irregularidade no emplacamento das viaturas. Segundo o coordenador, o erro ocorreu durante a caracterização dos veículos.
Segundo Amadeu Soares, todos os carros foram emplacados antes de serem caracterizados como viaturas. “Tínhamos feito o pedido para o Detran-AM emplacar alguns para uso descaracterizado, mas acabaram sendo caracterizados”, justificou o coordenador.
Segundo o tenente-coronel, o problema foi descoberto recentemente, e estaria sendo corrigido. O coordenador do Ronda no Bairro não soube informar quantas viaturas caracterizadas estão circulando com placa sem registro. “Três ou quatro já foram substituídas”, disse Amadeu Soares.

LÚCIO PINHEIRO