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segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Florestas no sul do AM estão mais vulneráveis a incêndios

Florestas no sul do Amazonas estão mais vulneráveis a incêndios, aponta pesquisa do Inpa

A área que foi afetada por incêndios florestais em 2005  é de aproximadamente  86.600 hectares de floresta e equivale  a cerca de  124 mil campos de futebol

A área de floresta afetada pelo fogo nesses municípios equivale a 124 mil campos de futebol levando em consideração as medidas oficiais estabelecidas pela Federação Internacional de Futebol (Fifa
A área de floresta afetada pelo fogo nesses municípios equivale a 124 mil campos de futebol levando em consideração as medidas oficiais estabelecidas pela Federação Internacional de Futebol (Fifa) (Tabajara Moreno (Acervo Ascom/Inpa))
Uma pesquisa feita pela engenheira agrônoma Sumaia Vasconcelos, aluna de doutorado do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), revelou que uma área de aproximadamente 86.600 hectares de floresta em pé nos municípios de Boa do Acre e Lábrea, sul do Amazonas, estão mais propícias a incêndios florestais recorrentes. A constatação foi feita após coleta de dados no campo e análises de imagens de satélite referente a 11 anos da história de fogo na área.

A área de floresta afetada pelo fogo nesses municípios equivale a 124 mil campos de futebol levando em consideração as medidas oficiais estabelecidas pela Federação Internacional de Futebol (Fifa). De acordo com Vasconcelos, o local  foi impactado por grandes incêndios florestais ocorridos durante a seca de 2005.

Ela explica que incêndios florestais geralmente são causados pela prática humana de atear fogo em áreas já cultivadas (como cultivos agrícolas e pastagens) que saem do controle e invadem a floresta.  Vasconcelos disse que se o clima mudar como previsto por modelos de circulação global (MCG) na região, aliado ao uso descontrolado do fogo pelo homem, podem ocasionar novos incêndios florestais de maior magnitude.

“Hoje Lábrea e Boca do Acre concentram mais de 86.600 hectares de floresta em pé que foram afetadas pelo fogo (incêndio florestal) e que estão mais propícias a queimarem novamente. Nesse caso, o impacto pode ser duas vezes maior que no primeiro incêndio. No incêndio de 2005 a estimativa de carbono comprometido para emissões foi de 1,8 e 2,2 milhões de toneladas, um e quatro anos depois do fogo”, disse.

O estudo revelou também que a região sul do Amazonas concentra 60% dos focos de calor (indicador de queimada) de todo o Estado. Além de Lábrea e Boca do Acre, Apuí, Novo Aripuanã, Manicoré, Humaitá e Canutama também registram alto índice de focos de calor. Segundo Vasconcelos os picos de focos de calor ocorrem em período de menos chuva.

“Essa região concentrou cerca de 60% dos focos de calor detectados no Amazonas no período de 2000 a 2010. Ao longo desses 11 anos esses municípios foram os campeões de queimadas. A maior ocorrência de focos de calor incidiu em área com precipitação de chuva inferior a 100 milímetros por mês. É uma região mais seca, comparado ao norte e noroeste do Amazonas, mas na Amazônia além do fator meteorológico o fogo, para existir, geralmente precisa ter o homem como fonte de ignição. Há forte pressão do uso da terra nessa região afirmou.

Clima Global

Para o pesquisador do Inpa, Philip Fearnside, que foi o orientador da tese de doutorado de Vasconcelos, a ação humana gera impactos ambientais na região. “Essas ações geram um grande impacto e isso vem aumentando. Há 30 anos não se ouvia falar em incêndios florestais na Amazônia. Outro fator é a mudança climática. O ano de 2005 foi preocupante e não era ano de El Niño. O El Niño causou incêndios florestais em Roraima nos anos de 1998 e 2003, mas ele afeta a parte norte da Amazônia. A parte sul do Amazonas tem muito menos influência do El Niño”, mas secas provocadas por aquecimento no oceano Atlântico, como aconteceu em 2005 e novamente em 2010, representam uma ameaça grave para essa região. Essas secas são previstas a aumentar com mais aquecimento global”, destacou.

ACRITICA.COM*
* Com informações da assessoria de comunicação do Inpa

terça-feira, 17 de abril de 2012

Construção de hidrelétricas no Amazonas é repetição de “erros cometidos” durante o regime militar, diz cientista

O atual diretor do Museu da Amazônia, Ennio Candotti alerta para o perigo que as hidrelétricas representa ao patrimônio amazônico

Cachoeira no rio Aripuanã poderá virar uma usina Hidrelétrica conforme estudo realizado pela Empresa de Pesquisa Energética que está para ser aprovado na Agência Nacional de Energia Elétrica. Serão sete novas usinas nessa bacia
Cachoeira no rio Aripuanã poderá virar uma usina Hidrelétrica conforme estudo realizado pela Empresa de Pesquisa Energética que está para ser aprovado na Agência Nacional de Energia Elétrica. Serão sete novas usinas nessa bacia



A construção de hidrelétricas na bacia do rio Aripuanã, que compreende os Estados do Amazonas e Mato Grosso, é a repetição do governo federal dos “erros cometidos durante o regime militar”. Esta é a avaliação do diretor geral do Museu da Amazônia (Musa), Ennio Candotti, um dos mais conceituados cientistas do país.
“O governo está considerando a Amazônia um grande reservatório de energia e mineral. Mas esquece que o grande patrimônio amazônico é o da biodiversidade, de suas florestas e águas. Também desconhece a dimensão humana, pois estas regiões são ocupadas por comunidades e terras indígenas”, disse Candotti.
Os estudos do potencial energético da bacia e que resultaram na proposta de construção de sete usinas hidrelétricas no Amazonas e Mato Grosso estão há quase em avaliação pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A Aneel já aprovou o estudo, embora ainda não tenha divulgado a medida oficialmente. No Amazonas, serão construídas quatro usinas para serem incorporadas ao Sistema Interligado Nacional (SIN). A geração de energia não atenderá o Estado nem os Municípios onde as usinas serão localizadas (Novo Aripuanã e Apuí).
Desafios
Ennio Candotti descreveu como “tecnocratas” os estudos realizados sobre o potencial da Amazônia. Para ele, são observados apenas os parâmetros de ocupação e de extensão de um território, sem levar em consideração os significados simbólicos e de preservação ambiental.
“Precisamos parar com essa mania de encontrar soluções superficiais para as questões da Amazônia. Não é assim que se tomam as decisões importantes. Precisamos definir um plano de estudos e pesquisa à altura dos desafios amazônicos. Se isto não for feito, resultado em confusões e conflitos”, alertou.
Engano
O coordenador da Fundação Vitória Amazônia (FAV), Carlos Durigan, disse que vê com bastante preocupação a construção das hidrelétricas. Ele alertou para a ausência de discussão e o desconhecimento da sociedade acerca do projeto. “Os órgãos precisam promover debates, esclarecer a sociedade quando o projeto está sendo idealizado”, disse.
Durigan lembrou que, muitas vezes, o poder público recorre a uma “publicidade enganosa”, dizendo que os empreendimentos vão melhorar a vida da população. “Na verdade, não é isso. Os empregos gerados são transitórios e nem sempre são para a população local”, comentou.
Alerta
O presidente da Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALEAM), deputado estadual Luiz Castro (PPS)  criticou a “visão desenvolvimentista do governo Dilma” em relação ao modelo energético. Ele afirmou que após ler a publicação da notícia no jornal A CRÍTICA decidiu alertar a bancada federal do Amazonas no Congresso Nacional e iniciar uma série de questionamentos junto aos órgãos federais, como é o caso do Ministério de Minas e Energia.
“O planejamento energético para a Amazônia e para o Amazonas só traz passivo ambiental. O Estado não vai receber benefícios. A construção dessas usinas não faz sentido para a nossa região, pois elas destrói a região, mas a geração de energia é para o Sul e Sudeste. É um erro ambiental e uma grande injustiça o Amazonas”, comentou.
A reportagem procurou a Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SDS), por meio da assessoria de imprensa, mas esta não retornou até a conclusão desta matéria.
Estudos
A assessoria de imprensa da Aneel informou, por email, que o órgão é responsável apenas pela análise técnica. Segundo a assessoria, a sociedade civil, Ongs e associações tiveram conhecimento do assunto.
Disse também que a Aneel não abre esse tipo de processo para contribuições em audiências e consultas públicas. Conforme a assessoria, o processo está no início que “ainda tem muita coisa para acontecer”, como estudos de viabilidade, além da licença ambiental do Ibama.