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segunda-feira, 30 de junho de 2014

Procissão fluvial em homenagem a São Pedro é cancelada neste domingo (29)

Cortejo dos fiéis acabou impedido pela forte chuva que caiu pela manhã; manifestação no Puraquequara marcada para a tarde, porém, aconteceu normalmente 

Procissão de São Pedro em 2014, que reuniu mais de 20 mil fiéis (Foto: A Crítica)


A tradicional procissão fluvial de São Pedro, onde barcos desfilam em cortejo em homenagem ao padroeiro dos pescadores, foi cancelada nesta manhã (29) após a forte chuva que caiu em Manaus. A Arquidiocese da capital, que organiza o evento, acabou optando pelo cancelamento, mesmo sem consultar a Capitania dos Portos, devido à preocupação com a segurança dos fiéis.
Marcada para acontecer simultaneamente em dois pontos – o Educandos, na Zona Centro-Sul de Manaus, de onde o cortejo principal iria sair, e o lago do Puraquequara, na Zona Leste, onde a paróquia local pretendia realizar uma grande manifestação por segurança e policiamento –, a cerimônia acabou restrita às missas e ao protesto no Puraquequara. O cancelamento frustrou muitos dos fiéis, uma vez que a procissão deste ano seria a primeira em décadas a sair da Igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, no Educandos, local das primeira aglomerações em homenagem a São Pedro, no início do século passado.
O ato no Puraquequara foi organizado para pedir reforços para a segurança do local, devido à grande incidência de assaltos e tentativas de homicídio contra pescadores e navegadores da comunidade. Ao longo da manifestação, representantes do bairro pediram aos presentes que participassem de um abaixo-assinado, que será entregue ao Comando Geral da Polícia Militar e ao Ministério Público, pedindo providências para conter a criminalidade.
Fonte: Jornal A Crítica

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Em busca de fiéis, Igreja quer reativar as CEBs


No Brasil, um dos primeiros efeitos do novo papado, é a decisão da CNBB de revalorizar as Comunidades Eclisiais de Bases


As CEBs foram incentivadas pelo Concílio Vaticano 2º (1962-1965)(Reprodução)



Histórico militante das Comunidades Eclesiais de Base e um dos fundados desse movimento na década de 1980, o padre Umberto Guidotti, afirma que a retomada das CEBs, no papel, já aconteceu outras vezes. Mas na prática, a Igreja Católica tem esvaziado a pauta. 

“A retomada das CEBs, no papel, faz um bocado de ano. Desde 2007, quando o Papa Bento 16 veio ao Brasil e se falou dessa retomada”, disse o religioso.

Na 51º Assembleia Geral dos bispos, realizada em Aparecida (SP), na semana passada, a Conferência Nascional dos Bispos do Brasil (CNBB), incluiu as CEBs entre as iniciativas para recuperar a presença da Igreja Católica nas áreas pobres, onde perde fiéis para evangélicos.

As CEBs foram incentivadas pelo Concílio Vaticano 2º (1962-1965) e pela Teologia da Libertação. 

São comunidades organizadas em torno das paróquias, capelas, centros sociais ou associações comunitárias por iniciativa de leigos, padres ou bispos.

Ligadas à Igreja Católicas e atentas às questões sociais e políticas, nos anos de 1970 e 1980, quando se espalharam pelo Brasil e a América Latina, as CEBs se caracterizaram pela união de princípios cristãos e uma ótica de esquerda.

Para Umberto Guidotti, um dos obstáculos à retomada das CEBs reside na falta de identificação dos próprios religiosos com os princípios norteadores das comunidades. 

“Enfrentamos uma dificuldade agora: mudaram praticamente todos os bispos brasileiros no Vaticano; Os padres atuais são jovens que têm os mesmos vícios da juventude moderna. 

São consumista e individualista. No papel é fácil mas, na prática, a maioria dos padres não está convencida”, afirmou o padre que por mais de 20 anos atuou no Amazonas e, hoje, divide o sacerdócio em atividades em São Raimundo das Mangabeiras e São Luiz, no Maranhão.

Para o religioso, se a igreja der mesmo atenção às CEBs, será um avanço. “Mas é bom retomar às CEBs. 

Porque não voltar as CEBs? Os pobres vão continua desamparados, e a igreja  perdendo espaço. 

Sempre fui a favor das comunidades. 

E fui um dos fundadores dela”, disse Guidotti.

As CEBs, de acordo com o padre, passaram por um período de sofrimento nos papados de João Paulo 2º e de Bento 16. Porque eles preferiram os novos movimentos carismáticos, a Opus Dei. E as CEBs não receberam apoio porque foram acusadas de seguir linha política social”, afirmou Umberto Guidotti.

Para o padre, não há dúvida (que Igreja Católica perdeu espaço). 

“E a culpa é da igreja católica, sobretudo da hierarquia da igreja. Os pobres foram para periferia e a igreja não foi. Foram os pastores. Os pobres foram para a Amazônia, e os padres não. O único apoio foi a capelinha dos pastores”, disse.

Tentativa é parta identificar falhas

A evasão de fiéis católicos para outras religiões e o porcentual dos que dizem ter “perdido a fé” - tema recorrente nas reuniões da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) há mais de dez anos - voltaram à pauta da 51ª Assembleia Geral da entidade, em Aparecida, no Vale do Paraíba (SP), para responder uma pergunta: onde a Igreja falha?

Mais do que as deserções, também vistas como conversões, preocupa a Igreja Católica a quantidade de fiéis que justificam a mudança com o argumento de que encontraram em outras comunidades um Jesus que o apostolado católico não lhes mostrou. 

Ou, ainda, o número dos que declaram não ter nenhuma religião.

Dos 64,4% da população que professa a fé no catolicismo,de acordo com levantamento do Censo 2010, do Instituto Brasileiros de Geografia e Estatística (IBGE), 72,2% estão no Nordeste, 70,1% no Sul e 60,6% no Norte. Os católicos são mais numerosos entre os devotos com mais de 40 anos, atingindo 75,2% na faixa de 80 anos ou mais. 

Quanto à porcentagem restante, a análise mostra que 22,2% declaram-se evangélicos, 8% sem religião, 3% seguidores de outros credos e 2% espíritas.



LÚCIO PINHEIRO