Prestes a fixar residência novamente no Brasil, o diplomata Artur Neto (PMDB) promete intensificar as conversas que vão decidir os rumos dos tucanos nas eleições deste ano em Manaus
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| Ex-senador Artur Virgílio Neto |
Prestes
a fixar residência novamente no Brasil, após finalizar missão
diplomática em Portugal, o diplomata Artur Neto (PMDB) promete
intensificar as conversas que vão decidir os rumos dos tucanos nas
eleições deste ano em Manaus.
Na
entrevista a seguir, Artur Neto afirma que o partido tem encaminhado
suas alianças sem agonia, assim como o governador Omar Aziz (PSD) e o
senador Eduardo Braga (PMDB) tem agido no grupo que participam.
O
ex-senador garante que se importa mais em estar ao lado de um bom
projeto para Manaus do que propriamente ser o candidato. Ao falar de seu
desafeto político - Eduardo Braga, agora líder do Governo no Senado,
Artur Neto aconselha: “Se eu fosse ele, me dedicaria. Porque o lugar
onde ele está não é a Disneylândia, não é”.
Como o PSDB se prepara para a eleição deste ano?
Há
um anseio muito grande no meu partido por candidatura própria. Mas acho
que, agora, chegamos ao clima ideal. Porque havia muita especulação: é
fulano, beltrano. Isso, graças a Deus parou. Digo graças a Deus mesmo
porque era uma coisa que não ajudava. Não contribuía. Se dedicava mais à
precipitação daqui e de acolá sem acrescentar para a luta que o partido
vai travar. Nós (o PSDB) temos que analisar. A tendência é o partido
lançar candidatura própria, mas temos que analisar se é isso mesmo ou se
vamos coligar. E com quem. Vamos ver o que é mais conveniente.
Quais seriam os nomes do PSDB nessa disputa?
Penso
muito pouco em pessoas e mais em programa para Manaus. O candidato a
ser apoiado, do partido ou de fora dele, tem que apresentar um programa
para a cidade. Tem que ser mais que a vontade de ser candidato, se
tornar conhecido e crescer para outras eleições. Tem que ser muito claro
em relação aos problemas que a cidade vive. Prefiro dizer que vou
apoiar mais um programa do que propriamente um candidato. Estou cansado
de apoiar nomes.
Não percebemos muita movimentação no PSDB. As conversas dentro do partido estão atrasadas?
Vamos
lá: O PSD, do governador Omar Aziz, não se manifestou de maneira
concreta. O PMDB, do ex-governador Braga, não se manifestou de maneira
concreta. Há muita especulação, muitas pessoas se ensaiam, e é natural
que elas façam isso. Mas, diante do cenário, entendemos que estamos
dentro do timing correto. Nós podemos ter ainda algum tempo para
caminhar, maturar, elaborar projetos e nos prepararmos para discussões
em que o PSDB seria apoiado ou apoiaria. Dentro de uma proposta
realmente séria para a cidade de Manaus.
De fora do PSDB, quem o senhor apoiaria?
Não
adianta eu especular porque é muito cedo. A gente prefere uma
candidatura própria. Mas o importante para nós é o projeto. Estou
ouvindo muitos dizerem: ‘eu sou candidato’. Mas eu quero saber qual é o
projeto; e o que cada um pensa. Os temas estão aí muito claros. Então,
não é uma coisa que esteja na nossa pauta de urgência urgentíssima
(definir aliados), porque nós temos tempo. O governador não se
manifestou. O ex-governador não se manifestou. Eu não vejo porque o PSDB
teria que se manifestar agora.
O que muda na disputa com o senador Eduardo Braga fora, por ter assumido a liderança do Governo no Senado?
Ele
era favorito nas pesquisas, apesar de ter um índice de votos nas
pesquisas abaixo do que eu imaginava. Mas é claro que ele era favorito. E
é claro que ele não sendo candidato despertou mais ânimo em pessoas que
querem disputar a prefeitura. Temos o prefeito Amazonino que resolve
não se candidatar, pelo menos ele diz e se ele diz eu acredito. Então
ficou um quadro muito propício. A eleição vai ter segundo turno. No
primeiro turno, todos disputam com sua própria força e, no segundo, é
somar com os que comungam com suas ideias.
Para o senhor, o senador Eduardo Braga está descartado como candidato à Prefeitura de Manaus?
Não
tenho a menor ideia. Não tenho conversa com ele. Obviamente acho que
ele tem um trabalho muito grande. Tem que se impor aos seus liderados,
coordenar uma bancada complicada numa hora de crise. Sinto o governo
Dilma muito desarticulado politicamente. Uma maioria muito fugidia,
falsa. Então, o trabalho dele é se consolidar como líder do governo.
Isso exige uma dedicação ímpar. Fui líder por quase quatro anos. Passei
por testes muito exigentes. Desejo que ele tenha todo êxito na missão.
Mas se eu fosse ele me dedicaria à missão com o máximo de seriedade,
esquecendo as futricas locais, porque o lugar onde ele está não é a
Disneylândia, não é não. Ele está num lugar mais pantanoso.
O senhor tem apetite de concorrer à Prefeitura de Manaus?
Não
é uma coisa que me mate de desejo. Me dá muito mais apetite ajudar a
construir um projeto que sirva de norte, bússola, para orientar uma
candidatura legítima para a cidade de Manaus.
Então, são especulações as indicações de que o senhor será candidato a vereador?
Eu
posso lhe assegurar que vereador eu não tenho a menor vontade de ser.
Não vejo muito sentido. Tenho minha posição. O tempo vai dizer. Os
processos sobre a fraude eleitoral em 2010 vão ser julgados. Não tenho
que sair correndo atrás de um mandato de qualquer jeito. Na pior das
hipóteses, se chegar a hora da eleição, eu disputo e se eu achar que tem
que disputar. Na sou daqueles que se não é isso, serve aquilo.
O
partido recebeu nos seus quadros Mário Frota, Plínio Valério e Paulo
De’Carli. Esses nomes aceitariam sair com candidaturas à reboque de
outras legendas?
Tudo tem
que ser um processo de construção. Você ser apoiado por alguém não
significa colocar alguém à reboque. Apoiar a alguém não significa ir a
reboque. Significa nós termos Manaus em primeiro lugar e um olho
político estratégico. Não buscarmos o isolamento do partido. Vamos ter
2014 e 2016. Temos que olhar um conjunto de fatores, entre os quais o
não isolamento do partido. Não é uma coisa boa trabalhar para se isolar.
Esses nomes são preparados para disputar uma eleição de prefeito. Eles
estão tendo um comportamento exemplar do ponto de vista de compreender
esse momento todo.
O senhor formaria chapa com o vereador Hissa Abrahão?
Quanto
a seguir partidos aliados, tenho duas coisas a ponderar: Cada eleição é
uma eleição e nem sabemos ainda quem será - ou não - nosso aliado. E a
preferência básica é por candidatura própria. Logo, a hipótese
envolvendo alianças sem o PSDB na cabeça vem atrás da hipótese de
alianças com o PSDB liderando a chapa.
Qual é o resultado das conversas do PSDB com PPS?
As
conversas com o PPS de Hissa, Guto Rodrigues, Luiz Castro, Zé Maria (no
plano regional) e Roberto Freire (no plano nacional) são construtivas e
fraternas. Não necessariamente resultam em alianças automáticas em
todas as eleições. Mas representam o diálogo entre dois partidos que se
respeitam e têm vários pontos em comum. O mesmo se dá com o PSB de
Serafim Corrêa, Marcelo Ramos e Marcelo Serafim. Com o Partido Verde do
prefeito Ângelus Figueira. Com o DEM do deputado Pauderney Avelino, que é
tradicional aliado nacional do PSDB e mantém conosco, no Amazonas,
relações corretas e de estima recíproca.
Com
o prefeito Amazonino Mendes fora da disputa e um afastamento entre o
senador Eduardo Braga e o governador Omar Aziz nas eleições desse ano é
bom para o PSDB?
Não muda
nada de substancial. Um partido não se deve pautar nas decisões de
terceiros. Quanto à Amazonino, as manchetes dos jornais amazonenses
estamparam declarações do prefeito Amazonino dizendo-se enfermo e
completamente impossibilitado de disputar novas eleições. Neste momento
cabe a minha solidariedade de ser humano e meu desejo de que esse homem
público fique perto dos seus familiares queridos, entre os quais o
Armandinho, filho dele que, apesar de todas as cruas divergências que
mantive com o ex-governador, sempre foi meu amigo fraterno e sincero.
O senhor formaria aliança com o grupo do governador Omar, com o senador Braga fora das eleições deste ano?
Sou
amigo pessoal do governador Omar Aziz. Não gosto de falar do que não
está sendo alinhavado. Mas não tenho preconceito contra ele. Mesmo que
tenhamos de ficar em lados opostos, sei que prevalecerá o respeito mútuo
e isso já não é pouco. Ele é mais aberto que Eduardo. Soube, agora
mesmo, que uma figura importante do PSD - ministro? Não sei bem, Dilma
tem exagerados 39 ministros, nem dá para saber os nomes de todos eles de
cor - esteve em Manaus e Omar teve a gentileza de chamar o Serafim para
participar do almoço. É um gesto hábil, pois o credencia diante do
visitante, e um gesto de boa abertura, pois, no mínimo, desarma o
Serafim. Essa marca do atual governador, que é a cordialidade, é boa
para a imagem dele. Em tempo: eu jamais me disporia a formar aliança
“contra” Braga ou quem mais fosse. Sou por alianças “a favor” de Manaus e
do Amazonas. Negar é menos nobre do que ser positivo, do que afirmar.
Busca do mandato continua
Com
a certeza de que teve, em 2010, a reeleição surrupiada pela compra de
votos nos rincões do interior do Amazonas, o senador Artur Neto (PSDB)
afirma que, concorrendo ou não à Prefeitura de Manaus, não desistirá da
denúncia do que chama da “torpe fraude eleitoral de que já se teve
notícia no Estado, desde a democratização até hoje”.
“Houve
fraude deslavada, comprovada pelo Ministério Público e pela Polícia
Federal. O Ministério Público Eleitoral do Amazonas, então, propôs cinco
ações reparadoras, que tiveram absoluto respaldo da Procuradoria-Geral
da República. Não propus nenhuma ação. O MPE, sim. Sou apenas assistente
do MPE. Entendo que é um dever levar isso até o fim, até que a Justiça
se faça”, disse o ex-senador.
Artur
Neto perdeu a segunda vaga para o Senado na eleição de 2010 para a
deputada federal Vanessa Grazziotin (PCdoB). A primeira cadeira foi
conquistada pelo ex-governador Eduardo Braga (PMDB), apontado pelo
senador tucano como o artífice de um esquema de compra de votos. Vanessa
foi eleita senadora, com 672,9 mil votos, contra 644,3 mil votos de
Artur. Em pontos porcentuais, a diferença entre os dois foi de 2,1%, o
equivalente a 28.580 votos, dos 1.317.260 votos válidos.
O
ex-senador volta a fixar moradia no Brasil a partir de junho. Vai morar
em Brasília, onde ficará à disposição do Itamaraty, mas disse que
estará frequentemente em Manaus.

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