Decisão judicial derruba ‘Lei Seca’ Juíza afirma que não existe lei que proíba a venda e o consumo de bebidas alcoólicas em dia de eleição
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Medida polêmica Decisão judicial derruba ‘Lei Seca’
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Duas
decisões emitidas pela juíza Lia Guedes de Freitas derrubam a aplicação
da “Lei Seca” em dias de eleição. A magistrada entendeu, baseada em
parecer do Ministério Público Eleitoral (MPE), que não tem amparo legal
proibir a venda e o consumo de bebidas alcóolicas, em locais públicos,
nesse período. As sentenças constam da edição de ontem do Diário
Eletrônico do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM). Titular
da 65ª Zona Eleitoral de Manaus, Lia de Freitas determinou o
arquivamento de dois processos movidos pelo MPE contra Wallen Silva de
Souza e Sílvio Maciel da Silva.
Os
dois foram flagrados ingerindo bebida alcóolica no dia do primeiro turno
da eleição de 2008. Desobedeceram portaria emitida pela Secretaria
Estadual de Segurança (SSP), chancelada pela Justiça Eleitoral. Para Lia
de Freitas, essa proibição, por ser feita mediante portaria ou
resolução, “fere princípios basilares do Estado Democrático de Direito ,
em especial o princípio da legalidade. Não existe crime sem lei
anterior que o defina, nem pena sem previsão cominação legal”. Passível
de punição, enfatiza a magistrada, “seria a conduta legalmente
reprovável que tivesse sido encorajada ou desencadeada pelo uso do
álcool”.
Os dois eleitores haviam
concordado em cumprir penas alternativas. Sílvio da Silva deveria
fornecer cestas básicas ao Lar Batista Doyle. E Wallen de Souza a
prestar serviços de limpeza, por dois meses, ao Centro de Formação Vida
Alegre. As diretorias das duas organizações não-governamentais
informaram à Justiça Eleitoral que os acordos foram descumpridos. Ao
saber disso a juíza enviou o processo ao MPE, que pediu o arquivamento.
Saiba mais
Manter
a ordem A “Lei Seca” vem sendo adotada, nos dias de eleição, como
medida para manter a ordem pública. Na eleição municipal de 2008, por
exemplo, a Secretaria Estadual de Segurança (SSP) mobilizou, em Manaus,
150 policiais civis e militares e cem veículos para realizar a Operação
Lei Seca nos dois turnos do pleito. No primeiro turno, 93 bares foram
abordados e 63 acabaram sendo fechados.

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