Os serviços deficientes têm prejudicado os alunos da Universidade Estadual do Amazonas (UEA)
![]() |
Sinal fraco, ou até mesmo a ausência total de cobertura, serviços de telefonia fixa e internet (Divulgação/Internet) |
Durante a audiência, realizada na Câmara de Municipal do Careiro Castanho (a 88 quilômetros de Manaus), vereadores, comerciantes, agricultores e a população em geral das quatro cidades relataram as constantes falhas de cobertura das operadoras que atuam nas localidades.
Atualmente com uma população em torno de 32 mil habitantes, segundo dados do Instituo Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), o município do Careiro Castanho possui a cobertura de três operadoras: Vivo, Oi e Claro. No entanto, conforme relatos, quem precisa dos serviços de telefonia móvel, fixa e internet amarga a ausência dos mesmos, a cobrança de preços altos e o “sumiço” dos créditos pré-pagos.
Os serviços deficientes têm prejudicado os alunos da Universidade Estadual do Amazonas (UEA). “Enfrentamos dificuldades em concluir os cursos. Por conta da internet precária, não conseguimos enviar documentos ou realizar provas por teleconferências. Temos telecentros totalmente prontos à disposição, mas não funcionam devido à falta de comunicação móvel e internet”, afirmou a bacharel em saúde coletiva, Rosiane Castro de Almeida, 31.
Situação semelhante foi verificada no município do Manaquiri (a 60 quilômetros de Manaus) que, segundo depoimento do vice-presidente da Câmara Municipal, vereador João Moura (PHS), mais de 50% dos estudantes da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) já perderam seus cursos por não conseguirem enviar trabalhos e provas.
Na área rural, a situação é mais grave. Isso porque, a partir do Km 10 da rodovia BR-319, não existe sinal. “Em 1995, tínhamos o sinal da Amazônia Celular na nossa comunidade. Mas depois que passou para empresa Oi, acabou tudo. Estamos isolados”, lamentou a agricultora Telma Correia Cunha. Na comunidade do Céu Azul, 50 famílias vivem o mesmo drama do isolamento da área rural do município.
“Se a situação chegou a esse nível, apesar da responsabilidade ser das operadoras, a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) também tem sua parcela de culpa, pois apesar das queixas já oficializadas, a agência reguladora não atua com uma fiscalização rigorosa para combater esses descasos. Mas estamos apurando essa questão e isso também vai constar no relatório final”, afirmou o presidente da CPI da Telefonia, deputado estadual Marcos Rotta (PMDB).
Na avaliação do deputado Marcelo Ramos (PSB), relator da internet na CPI, constatar fatos como esses em uma cidade que possui um cabo de fibra ótica passando no subsolo é um absurdo. “Vamos sugerir que esse cabo seja aberto para que a população do Careiro Castanho possa utilizar e ter à disposição um serviço de internet de qualidade”, afirmou Ramos.
Além de Rotta e Ramos, os deputados Adjuto Afonso (PP) e Orlando Cidade (PTN), relator da telefonia móvel e vice-presidente da CPI, respectivamente, também participaram da audiência.
Humilhação
Segundo Rotta, os moradores das quatro cidades visitadas pela CPI se sentem humilhados por pagar caro por serviços ineficientes. “Há casos em que o consumidor percorre quilômetros e quilômetros ou tem de se deslocar até a parte mais alta da ponte para buscar sinal de telefonia. Isso é um absurdo, não podemos mais ser humilhados desta forma.
Vamos lutar por respeito”, afirmou Rotta, ao acrescentar que durante as oitivas, a CPI irá questionar as operadoras pela ausência de compartilhamento de antenas nos municípios. “Há cidades em que há antena da Vivo, Oi e Claro e mesmo assim não há sinal da TIM. Isso porque a legislação não está sendo cumprida. Deve haver o compartilhamento de antenas”, ressaltou.
As audiências da CPI têm como meta coletar dados para subsidiar o relatório final da comissão parlamentar que investiga a qualidade dos serviços de telefonia (móvel, fixa e internet) ofertados pelas operadoras no Amazonas.
Com Informação da Assessoria

Nenhum comentário:
Postar um comentário