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sexta-feira, 13 de abril de 2012

Companhias de petróleo investirão R$ 6,9 bilhões no AM até 2015

Para o quinquênio 2011-2015, a Petrobras prevê investimentos de R$ 5,7 bilhões, segundo plano de negócios
 

Segundo o plano de negócios da Petrobras para o quinquênio 2011-2015, a empresa prevê investimentos de US$ 3,2 bilhões (R$ 5,7 bilhões)
Segundo o plano de negócios da Petrobras para o quinquênio 2011-2015, a empresa prevê investimentos de US$ 3,2 bilhões (R$ 5,7 bilhões) (Clóvis Miranda)

Petróleo não é um mercado para amadores. Nem para quem tem pouco dinheiro no banco. Por isso as cifras envolvidas estão sempre nas casas dos bilhões de reais. Mas como as principais companhias do setor com atuação no Amazonas vão investir? De acordo com levantamento feito junto às principais operadoras do segmento, até 2015, pelo menos R$ 6,9 bilhões serão injetados no Estado.
Segundo o plano de negócios da Petrobras para o quinquênio 2011-2015, a empresa prevê investimentos de US$ 3,2 bilhões (R$ 5,7 bilhões). Desse total, US$ 900 milhões serão destinados à pesquisa de novos campos exploratórios, US$ 1,6 bilhão para desenvolvimento e produção e US$ 700 milhões para infra-estrutura e suporte. As atividades se concentram na Bacia do Solimões, onde a companhia tem  quatro concessões exploratórias e sete contratos de áreas em desenvolvimento da produção nos municípios de Coari, Tefé e Carauari, além das obras de modernização da Refinaria de Manaus (Remam).
Na Bacia Sedimentar do Amazonas, a Petrobras tem três concessões exploratórias e dois contratos de áreas em desenvolvimento da produção. Essas atividades estão sendo desenvolvidas nos municípios de Rio Preto da Eva, Itacoatiara, Silves, São Sebastião do Uatumã, Itapiranga e Urucurituba.
Entre dezembro de 2011 e março de 2012, a Petrobras anunciou a descoberta de dois poços que estão sendo encarados como os precursores de um polo de exploração petrolífero no Amazonas. O poço Igarapé Chibata I e Leste de Chibata, localizados na região de Tefé (a 523 quilômetros de Manaus), apresentaram vazões acima da média (2,5 mil e 1,4 mil barris diários) dos poços encontrados em Urucu. O petróleo extraído também é considerado pelos especialistas como de altíssima qualidade.
Estratégia
Apesar dos investimentos, uma das obras mais aguardadas da região vai ter de esperar. O gasoduto Juruá-Urucu, que inteligaria o campo Juruá (Carauari e Tefé) ao polo de Coari, e de lá até Manaus, está com suas obras suspensas, apesar de o licenciamento ambiental já ter sido liberado desde o ano passado.
Questionada sobre a obra, a companhia informou que “os estudos para desenvolvimento do campo de Juruá estão em estágio avançado, porém ainda não há mercado consumidor para o gás proveniente desse campo. Por outro lado, o campo de Araracanga, que era parte integrante do desenvolvimento de Juruá, terá suas obras iniciadas ainda em 2012”.
Além dos investimentos em exploração e produção, a Petrobras também avalia a possibilidade de implantar um complexo gás-químico no Amazonas, mas esses investimentos não deverão ser feitos no curto prazo. Os estudos, porém, deverão ser finalizados ainda este ano. De acordo com a assessoria de imprensa da companhia, “A Petrobras vem conduzindo estudos de algumas oportunidades de negócios em gás-química objetivando avaliar a viabilidade técnica, econômica e ambiental do aproveitamento do gás natural produzido no Amazonas”.
Adversidades no caminho
Os resultados tímidos colocaram a HRT em uma situação complicada, mas o CEO da companhia, Márcio Mello, tranquiliza os investidores. “Companhias pré-operacionais são investimentos de alto risco e estão sujeitas à volatilidade do mercado. No entanto, a HRT tem sólida posição financeira para executar o seu programa na Bacia do Solimões”. 
Para os próximos dois anos, a companhia pretende investir até R$ 923 milhões na campanha exploratória do Solimões. A estimativa é de que a companhia gere 2.450 empregos diretos e indiretos nos municípios de Carauari, Coari e Tefé.
O acordo com a TNK-BP impôs ainda mais pressão sobre a empresa. Para receber o dinheiro, a companhia terá de cumprir cinco metas, entre elas, “monetizar” (fechar contratos de compra e venda) o gás que sequer foi encontrado. Para complicar ainda mais a situação da empresa, ainda não está claro para os investidores qual será a estratégia de escoamento do óleo e do gás que, espera-se, a companhia venha a encontrar. Entre as alternativas apresentadas pela companhia estão a construção de um gasoduto até o rio Solimões e posterior transporte por balsas ou a construção de um gasoduto direto para Porto Velho, em Rondônia.
HRT mostra suas armas
Caçula no mercado de gás e petróleo na Amazônia, a HRT Oil & Gas foi buscar na europa o capital necessário para continuar sua campanha exploratória na Bacia Sedimentar do Solimões. A HRT é uma companhia fundada pelo geólogo Márcio  Rocha Mello, ex-funcionário da Petrobras. Aliás, é da Petrobras e da Agência Nacional de Petróleo (ANP) que vem a maior parte do corpo executivo da companhia. A empresa foi fundada em 2008 e em 2009, adquiriu 51% dos direitos de exploração de 21 blocos do Amazonas. Além deles,  a companhia também tem blocos na Namíbia, na costa africana.
Em 2011, a HRT iniciou sua campanha exploratória na Bacia do Solimões. Todos os poços foram perfurados nos municípios de Carauari, Coari e Tefé, até agora, as mais propensas a produzirem óleo e gás.
No final do ano passado, a companhia vendeu 45% de sua participação nos blocos do Solimões para a empresa anglo-russa TNK-BP por US$ 1 bilhão.
Atualmente, sete poços já foram perfurados ou estão em processo de perfuração. Os resultados, porém, não foram exatamente o que os executivos da companhia esperavam. Dois poços perfurados pela companhia encontraram gás natural, mas a vazão não foi revelada. Em outro poço, a companhia encontrou óleo e gás, mas a vazão também não foi informada. Em janeiro deste ano, a companhia anunciou a descoberta de um poço com vazão de 300 barris diários, muito abaixo dos 2,5 mil do poço Igarapé Chibata I, da Petrobras. 
 
LEANDRO PRAZERES

terça-feira, 20 de março de 2012

O novo ‘boom’ do petróleo e do gás no Amazonas

De acordo com a Agência Nacional de Petróleo (ANP), o Amazonas, único estado a produzir gás e petróleo na Amazônia brasileira, tem reservas totais de 187,5 milhões de barris de petróleo e 89,7 bilhões de metros cúbicos de gás natural distribuídas nas Bacias Sedimentares do Solimões e do Amazonas

Segundo o plano de negócios da Petrobras para o quinquênio 2011-2015, a empresa prevê investimentos de US$ 3,2 bilhões (R$ 5,7 bilhões)
Segundo o plano de negócios da Petrobras para o quinquênio 2011-2015, a empresa prevê investimentos de US$ 3,2 bilhões (R$ 5,7 bilhões) (Clóvis Miranda)

 
Uma nova corrida do petróleo está em curso na Amazônia brasileira. Vinte e cinco anos depois da descoberta da província petrolífera de Urucu, na Bacia do Solimões, município de Coari (a 363 quilômetros de Manaus), empresas privadas brasileiras e estrangeiras voltam seus investimentos para a região. Somente no Amazonas, este mercado deverá receber investimentos bilionários nos próximos três anos. A expectativa é de que pelo menos oito mil novos empregos sejam criados até lá. E ao contrário do que ocorreu no passado, quando a Petrobras desbravava esse mercado sozinha, agora, ela tem concorrentes.
Em jogo, está um mercado considerado estratégico pelo governo brasileiro. De acordo com a Agência Nacional de Petróleo (ANP), o Amazonas, único estado a produzir gás e petróleo na Amazônia brasileira, tem reservas totais de 187,5 milhões de barris de petróleo e 89,7 bilhões de metros cúbicos de gás natural distribuídas nas Bacias Sedimentares do Solimões e do Amazonas. Apesar da altíssima qualidade do petróleo encontrado em Urucu, são as reservas de gás que fazem da região um mercado tão importante. O Brasil ainda importa boa parte do gás natural consumido no país da Bolívia e, hoje, o Amazonas responde por 18% de toda a produção nacional.
A Petrobras é a empresa com mais tempo de atuação na Amazônia brasileira. Com pesquisas que começaram ainda nos anos 50, a estatal iniciou a exploração comercial de petróleo e gás em 1988, na região do rio Urucu. Hoje, a estatal produz 56,5 mil barris de petróleo por dia e 9,7 milhões de metros cúbicos de gás natural diários dos poços que ela mantém no município de Coari. Desde 2005, retomou perfurações em regiões próximas às reservas de Urucu e, no ano passado, descobriu poços de petróleo altamente rentáveis.
No entanto, pelo menos duas empresas privadas estão entrando agressivamente nesse mercado e a principal delas tem capital estrangeiro, mas é brasileira por nascimento: HRT Oil & Gas. A companhia é operadora de 21 blocos localizados na Bacia Sedimentar do Solimões. Atualmente, a petrolífera vem prospectando em áreas nos municípios de Carauari, Tefé e Coari. No ano passado, a empresa vendeu 45% de suas operações na Amazônia para a anglo-russa TNK-BP, resultado de uma joint venture entre a TNK (Rússia) e a British Petroleum (Reino Unido), que prometeu injetar US$ 1 bilhão na empreitada.
Além da HRT, a Petrogal Brasil também vem atuando no Amazonas. Ela é uma subsidiária da companhia de energia portuguesa Galp. A Petrogal tem a concessão de dois blocos em parceria com a Petrobras e vem fazendo pesquisas na Bacia Sedimentar do Amazonas, entre os municípios de Rio Preto da Eva, Itapiranga e Silves.

Investimentos
Segundo o especialista Walter De Vitto, da Tendências Consultoria, o mercado de gás e petróleo no Amazonas vai continuar aquecido nos próximos anos. “O preço do barril de petróleo está em alta no mercado internacional e isso tende a encorajar as empresas a se lançar nessa empreitada. Observamos que como o foco da Petrobras, que é o principal ator desse mercado, vai estar voltado para os investimentos na camada do pré-sal, empresas menores, como a HRT, poderão encontrar boas oportunidades de negócio na região”, afirma De Vitto. 

Polo
Para o economista e secretário de Estado da Fazenda, Isper Abrahim, o aquecimento do mercado deverá continuar pelos próximos anos e ele já vislumbra a criação de um novo polo econômico que poderá ser tão importante para o Amazonas quando é hoje o Polo Industrial de Manaus (PIM): o gás-químico. “No curto prazo, nós teremos todos os insumos para implantarmos um polo gás-químico importante no Estado. Teremos o gás natural, energia elétrica vinda do linhão de Tucuruí e a silvinita. Poderemos entrar fortes no mercado de fertilizantes, onde o Brasil ainda é um dos maiores importadores desse tipo de produto”, afirma Abrahim.
Walter De Vitto, da Tendências Consultoria, diz que até mesmo pelas dimensões das reservas encontradas no pré-sal, será normal que os investimentos na exploração na costa brasileira sejam maiores que os destinados para a Amazônia, mas ele ressalta que os montantes previstos são consideráveis. “Estamos falando de um mercado de bilhões de dólares em busca de uma matéria prima que o mundo todo está procurando. As perspectivas são extremamentes positivas, ainda que este seja um mercado altamente desafiador”, afirma De Vitto.
O consultor diz ainda que as empresas do setor estão atentas às sinalizações do governo brasileiro, que havia prometido, no ano passado, realizar um leilão de novos blocos exploratórios nas regiões Norte e Nordeste. Calcula-se que serão licitados algo em torno de 174 blocos nas duas regiões. “Os leilões são fundamentais para medir a temperatura do mercado. Acreditamos que um novo leilão deverá ser feito ainda neste ano e que o interesse das empresas ficará evidente nas ofertas que elas farão”, afirma De Vitto.

LEANDRO PRAZERES