Reportagem ouviu a história de uma detenta do Amazonas sobre a péssima experiência de ser mãe longe dos filhos e ser filha longe dos pais
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| Aline Ferreira* diz que sempre evitou que filhos fossem à cadeia por amor |
Mulheres
que vivem atrás das grades também poderão comemorar o Dia das Mães com
os filhos, em especial aquelas que receberam liberação da Justiça para
passar a data com a família. Uma delas é Aline Ferreira*, 40, presa há
quatro anos e cinco meses em regime fechado, na cadeia pública
Desembargador Raimundo Vidal Pessoa. Pela primeira vez após sua prisão,
ela vai comemorar a data com os três filhos, no Município de Novo Airão
(a 115 quilômetros da capital).
Respondendo
pelo crime de homicídio, ela conta, em meio a lágrimas, que durante os
mais de quatro anos presa, os filhos nunca puderam visitá-la, quanto
mais em uma data especial como essa. “Eu sempre escutei a orientação das
psicólogas da cadeia, que não é bom meus filhos frequentarem esse tipo
de ambiente. Eu aguentei até hoje porque os amo demais e quero que eles
se lembrem de coisas boas a meu respeito”, revelou.
Aline
conta que já passou por vários momentos ruins na cadeia, mas sempre
“focou” em seus objetivos: reconquistar a confiança da mãe e dos filhos.
“Eu cometi um crime e estou pagando por ele. Quero, a partir de agora,
mostrar que sou uma nova filha e uma nova mãe”, contou.
De
acordo com a assessora jurídica da Secretaria de Justiça e Direitos
Humanos (Sejus), Seilani Almendos, a detenta sempre teve um excelente
comportamento. “A Aline nunca se envolveu com brigas desde que entrou
aqui, sempre obedeceu as regras e nunca tentou fugir, diferente de
várias outras”.
Atualmente, Aline
trabalha no almoxarifado e cozinha da cadeia, e ainda coordena outras 17
detentas. “Desde que entrei aqui sempre ocupei minha mente com o
trabalho. Eu decepcionei muito a minha família e por isso sempre
procurei fazer as coisas diferentes de quando estava solta”, desabafou.
Para
Aline, o presente ideal, com o qual ela sonha há mais de quatro anos,
seria ter de volta a confiança dos pais. “Eu quero provar para eles que
mudei, não sou a mesma pessoa de anos atrás. Minha prisão serviu para
mostrar a mim mesma, o valor que tem a família, de poder ter uma mãe e
também de ser mãe”, disse, emocionada.
Ela
ainda conta que, quando ganhar a liberdade, pretende morar com os
filhos na capital e estudar enfermagem. “Eu tenho fé em Deus que quando
sair pela porta da cadeia, terei uma vida diferente”.
Programação
Nos
dias 12 e 13, o Centro de Detenção Provisória de Manaus (CDPM) terá uma
programanção especial voltada para as mães dos presos, que envolverá
culto em homenagem ao Dia das Mães, apresentação de coral dos internos e
palestra sobre Qualidade de Vida, com foco motivacional e na
autoestima. O CDPM funciona no km 8 da BR-174, próximo ao Complexo
Anísio Jobim. A unidade só possui internos masculinos. No dia 15
acontecerá Culto da Assembleia de Deus em homenagem às mães, na
Penitenciária Feminina da cadeia pública Des. Raimundo Vidal Pessoa.
*Nome fictício

