“Este
foi o dia mais emocionante que vivi. Kiel já deu os primeiros passos no
andador”. A ótima notícia veio direto de Campinas, na última
quinta-feira, da orgulhosa mãe Rosângela Fernandes. A história
emocionante e vitoriosa dessa psicóloga com seu filho adotivo - que
sofreu paralisia cerebral após os maus tratos da mãe biológica - inspira
a viver, a amar e a não desistir diante dos obstáculos.
Tudo
começou em 2007 quando a então estagiária Rosângela trabalhava no
abrigo Moacyr Alves. Foi lá que conheceu Izaquiel Conte Fernandes
(carinhosamente chamado de Kiel), uma criança que quando tinha um ano
foi jogado contra a parede várias vezes num ataque de fúria de sua mãe
biológica. A agressão acabou danificando partes do seu cérebro.
No
abrigo foi amor à primeira vista. “Seu rostinho, sorriso e olhar me
tocaram profundamente. A partir daquele dia, não conseguia mais me
imaginar sem ele. Sinceramente, não observei sua deficiência e nem o
quanto seria trabalhosa e árdua a jornada”, relembra a mãe.
O sonho
Desde
o primeiro momento, Rosângela alimentou o sonho de ver o seu filho do
coração voltar a andar, a sentar e a brincar. Mas as dificuldades para
buscar o tratamento não demoraram a aparecer. A começar pelo custo: R$
60 mil.
“Não tínhamos esse
investimento. Mas como mãe, não poderia desistir de lutar pelo meu
filho. As dificuldades sempre foram meus maiores desafios e, ao mesmo
tempo, meu combustível de perseverança”, conta Rosângela que mobilizou
amigos, familiares e até anônimos para conseguir o tratamento.
No
dia 28 de abril deste ano e com parte do investimento nas mãos,
Rosângela e Kiel partiram para Campinas levando na bagagem muito amor,
esperança imensa e confiança de que tudo valeria a pena.
Avanços incríveis
Na
última quinta-feira, após várias sessões de tratamento chamado
TheraSuit, Kiel já apresenta avanços muitas vezes inexplicáveis, segundo
a própria mãe.
“Kiel já deus os
primeiros passos no andador, já senta sozinho, consegue sustentar melhor
o pescoço, engatinhar e está treinando a ficar de pé. Ele não voltará a
ser uma criança normal, pois as sequelas são grandes. Mas o tratamento o
ajudará a ter mais qualidade de vida e independência”, conta Rosângela
que ainda precisará de mais investimentos para voltar com ele ainda
outras vezes para Campinas.
“Não me
arrependo de nada do que fiz e, se fosse possível, faria tudo novamente.
Juntos já enfrentamos muita coisa, principalmente o preconceito e a
rejeição. Vivo hoje os dois amores de mãe: o de mãe de coração e o de
mãe biológica. Kiel me ensinou a ser mais mãe, a entender melhor o
significado das palavras mãe e amor incondicional. Não precisei gerá-lo e
nem senti-lo dentro de mim por nove meses para amá-lo. Simplesmente
este amor foi crescendo a cada dia, quando descobri que eu pudia ser a
mãe que ele esperava que eu fosse”, relata.
Presente
E
no Dia das Mães, Rosângela faz um pedido a Deus: “que Ele possa
continuar nos dando forças, determinação e a possibilidade de buscarmos a
tão sonhada independência para o meu pequeno grande guerreiro. Tenho
entendido e aprendido que o amor cura, transforma, reabilita e salva. E,
quando estiver rapaz, vai olhar para mim e, da forma dele, me dizer:
‘Mamãe, obrigado por jamais teres desistido de mim!’”, finaliza
Rosângela.
Que belo exemplo! Feliz Dia das Mães!
Para torcer e ajudar
Quem
quiser acompanhar a evolução do tratamento de Kiel basta acessar o
www.face- book.com /corrente dobemamor. Neste endereço, Rosângela
publica fotos e vídeos de todo o processo. E quem quiser ajudar pode
fazer doações na conta corrente da Caixa, agência 1548 - operação 013 -
conta 14266-7. Kiel precisa de um andador de última geração, que custa
R$ 30 mil.
ISRAEL CONTE