Nativas
da Amazônia, elas estão de volta às feiras livres. Por alguns meses, o
camu-camu, o maracujá-do-mato, ingá-açu e o buriti, por exemplo, ficaram
sumidos e, até mesmo, esquecidos pelos amazonenses. Agora, a boa
notícia é que esses frutos estão em período de safra, e isso significa
fartura em sabores variados pelas feiras da cidade.
O
engenheiro florestal, especializado em sistemática de palmeiras e
fruteiras nativas da Amazônia, da Coordenação de Biodiversidade do
Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Afonso Rabelo,
explica que temos frutas nativas da região que aparecem o ano todo e
outras que aparecem apenas numa determinada época.
“Isso está ligado à própria biologia da espécie e, também, a plantas cultivadas e não cultivadas”, esclareceu.
“Durante
o ano inteiro podemos encontrar nas feiras a castanha-do-Brasil, o
cubiu, o jenipapo e o açaí do Amazonas, por exemplo, porque são
cultivadas pelos produtores”, disse o especialista.
Sabores em páginas
Este
ano, Afonso Rabelo publicou o livro “Frutos nativos da Amazônia -
comercializados nas feiras de Manaus”, no qual apresenta 38 espécies
diferentes de fruteiras nativas da Amazônia, catalogadas em dez feiras
livres na cidade de Manaus.
Mas
existe uma variedade de frutas que não são encontradas nas feiras
durante o ano todo. Em meio a tantas conseqüências graves da cheia dos
rios no Amazonas, que castiga a população, surge o que se pode chamar de
“lado bom” desse fenômeno da natureza, ressalta o pesquisador.
“O camu-camu está na época de safra. Como não existe cultivo deste
fruto em área de terra firme, ele aparece apenas entre fevereiro e maio,
período de cheia”, comenta.
Benefícios
O
engenheiro reforça, em seu livro, que o camu-camu “é a fruta mais rica
em Vitamina C que se tem conhecimento. Pesquisas apontam que ele tem até
30 vezes mais vitamina C que a laranja e também muito fósforo, cálcio e
potássio”.
Durante a pesquisa, o
camu-camu foi encontrado nas feiras nos meses de fevereiro, março, abril
e maio. O mesmo ocorre com o ingá-açu cuja árvore é encontrada nos
ecossistemas de várzea dos principais rios da bacia amazônica. Rabelo
constatou que a comercialização desse fruto ocorre somente entre os
meses de março e julho. O maracujá-do-mato também reapareceu nas feiras.
Na
publicação sobre as frutas nativas, Rabelo destaca que “a água é a
principal dispersora e responsável pela frequência e abundância de
buritizais em áreas periodicamente inundadas ”.
Neste
caso, a pesquisa constatou que somente no primeiro semestre do ano
ocorre a comercialização do buriti. De acordo com Rabelo, “a venda desse
fruto foi constatada em 50% das feiras de Manaus entre janeiro e
junho”.
Esquecidos, frutos têm baixa procura
De
acordo com Afonso Rabelo, embora estejam numa época de fartura, muitos
desses frutos têm uma baixa procura da população e acabam “caindo” no
esquecimento. Para ele, a falta de conhecimento sobre esses produtos faz
com que o consumo seja voltado apenas para frutos de outras regiões.
Mas
ele destaca que nem sempre é vantajoso trocar os frutos regionais por
outros que vêm de fora. “As frutas que são trazidas para o Amazonas e
que são de outras Regiões (como Sudeste e Sul), muitas vezes contêm
agrotóxicos. Para produzir maçã, uva e, principalmente, morango, eles
têm que usar esses recursos. E os da nossa região, com certeza, são
orgânicos”, frisou.
O feirante José
Fernandes também acrescenta que a procura em sua banca é bem maior por
frutas de outras regiões, como o morango e kiwi.
“Eu
faço questão de trazer pra minha banca as frutas da Amazônia, como a
pupunha, cubiu, cupuaçu e outros, mas tem fregueses que têm certa
desconfiança com esses produtos”, disse.
CAROLINA SILVA