Maioria das mais de 1,1 mil toneladas de peixes vendidas nas feiras da capital do Amazonas durante o feriado santo foi comprada de produtores de Rondônia e Roraima.
Manaus - Mais de 80% do pescado que está sendo comercializado nas feiras de Manaus para atender a demanda da Semana Santa foi comprado de produtores dos Estados de Rondônia e Roraima. A informação é do Sindicato dos Feirantes do Estado do Amazonas (Sindfeiras/AM). Segundo a entidade, mais de 1.100 toneladas de peixes devem ser comercializadas nas feiras de Manaus, até domingo.
O presidente do Sindfeiras/AM, David Lima, destacou que a produção local é afetada pela falta de investimento do governo e que há muitos pscicultores falidos. “Em Porto Velho, o quilo da ração custa R$ 17, aqui é R$ 34. É muito caro produzir aqui, por isso que 88% vêm de fora”, explicou Lima.
Lima afirmou que, nesse ano, a venda de peixes para a Semana Santa deve ser 50% superior a igual período de 2011. De acordo com ele, o crescimento das vendas está relacionado à maior oferta de pescado, que fez com que o preço ficasse menor que no ano anterior. “O que aconteceu é que, em 2011, os feirantes ficaram aguardando o peixe local para as vendas da Semana Santa e não tinha o suficiente, porque tinha acabado de sair do período de entressafra e aí tivemos pouco peixe, preços elevados e, em consequência, pouco consumo. Em 2012, os feirantes começaram as negociações com os Estados de Rondônia e Roraima ainda no começo do ano, por isso que agora tem grande oferta de peixe e o preço está melhor”, explicou o dirigente
Nas principais feiras da cidade, os peixes mais procurados são os tambaquis, com preços que variam de R$ 30 a R$ 200; pirarucu fresco de R$ 15 a R$ 25 o quilo e o seco de R$ 25 o quilo, e a matrinxã de R$ 20 ( de 2,5 kg a 3kg) ou a menor de cinco unidades por R$ 20. Outras espécies procuradas são o jaraqui, dez unidades a R$ 10 e dez por R$ 20; a sardinha, de 16 por R$ 20 e 20 por R$ 20; e pacu de sete por R$ 20 e dez por R$ 20.
“Nesse período no ano passado, o tambaqui não era encontrado por menos de R$ 50, o jaraqui eram seis, sete unidades por R$ 10, ou até R$ 20. Há duas semanas, o pescado estava mais caro, porque disponibilizaram uma quantidade menor nos barcos para garantir a maior oferta na Semana Santa”, declarou Lima.
O presidente da Federação dos Pescadores do Estado do Amazonas (Fepesca), Walzenir Falcão, disse que a compra de peixe em outros Estados ocorre porque o Amazonas não possui um estoque regulador. “Até agora o nosso Terminal Pesqueiro não está funcionando. Se estivesse, teríamos um estoque regulador e aí poderíamos abastecer o mercado local no período de entressafra”, disse.
Demanda por bacalhau na Páscoa supera a do Natal
Além do pescado regional, a busca pelo bacalhau também deve ser grande nos supermercados e redes de atacado na cidade, visto que a demanda pelo produto chega a aumentar 60% nessa época do ano. A procura do bacalhau na Páscoa chega a ser maior do que no Natal, conforme empresários do setor.
De acordo com o sócio-proprietário da Panificadora e Importadora Nossa Senhora das Graças, Joaquim Nogueira, o quilo do bacalhau não teve alteração se comparado com o ano passado e isso refletiu nas vendas.
Segundo ele, cerca de 80% de toda a quantidade comprada pela empresa já foi comercializada previamente e que apenas alguns retardatários deixam para comprar na sexta-feira e no sábado. Importados da Noruega e de Portugal, o bacalhau salgado seco custa a partir de R$ 43, o quilo, enquanto o lombo de bacalhau salgado congelado pode sair a R$ 70, o quilo. “Nós utilizamos o bacalhau do tipo Gadus Morhua, que é a melhor espécie existente no mercado”, salientou o empresário.
Anualmente, as empresas se preparam previamente para as compras da época de Páscoa, incluindo o bacalhau. Nogueira informou que as empresas neste ano começaram a fazer a programação dos pedidos desde fevereiro.

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