Polo cerâmico em Iranduba e Manacapuru, que gera 3,5 mil empregos diretos, sofre as consequências da subida dos rios
| Funcionamento de uma olaria no distrito de Cacau Pirera em período normal. Águas agora invade os galpões |
Afetadas
pelas cheias dos rios Negro e Solimões, pelo menos cinco olarias estão
com a produção praticamente paralisadas no polo ceramista de Iranduba e
Manacapuru e outras sete estão na iminência de sofrer os mesmos
problemas. Por enquanto, não há falta de produto no mercado e a
manutenção do emprego de cerca de 200 trabalhadores formais dessas
cerâmicas está em negociação com a Superintendência Regional do Trabalho
e Emprego (SRTE-AM) para que seja assegurada via bolsa qualificação,
uma modalidade do seguro-desemprego.
De
acordo com o diretor da Associação de Ceramistas do Amazonas (Aceram),
Sandro Santos, as olarias Violeta, Nova Veneza, Praiano, Trimanche e
Vale Nevado estão com as atividades praticamente paralisadas, já que as
águas estão “invadindo” as cerâmicas e deixando algumas “ilhadas”. Em
breve, outras sete cerâmicas devem ter as atividades limitadas, como a
Santo André, Rio Negro e Amazônia. “Como o processo de queima acontece
através de canais, os fornos são os primeiros que param”, disse Santos.
Na cerâmica Nova Veneza, no Cacau Pirera (distrito de Iranduba), as
águas do rio Negro entraram na olaria afetando as atividades, sendo que a
produção de 150 milheiros por semana caiu mais da metade. “A cerâmica
está alagada e estamos trabalhando só com um galpão. Na semana que vem
acredito que vou fechar a cerâmica toda”, contou Fabiana Viana,
proprietária da olaria.
Conforme
Santos, não está descartada a possibilidade de faltar o tijolo no
mercado manauara, mas como o período é de baixa nas vendas e as empresas
já tem um estoque para aproximadamente um mês (4 mil milheiros ou 4
milhões de tijolos) o risco fica mais distante, desde que não haja
nenhum outro fator tão impactante. Segundo Fabiana, exceto os casos
pontuais, a argila não tem sido um problema para o setor, que procura
fazer estoque no verão. Porém, a escassez de insumos para queima
(cavaco, serragem, palete, resto de madeira de construção) só se agrava.
O preço do milheiro do tijolo nas olarias está “estável”, variando
entre R$ 340 e R$ 370. Em Manaus, nas lojas de materiais de construção
ouvidas pela reportagem o mesmo tijolo chega ao consumidor até 65% mais
caro, tomando por base os valores mais altos da olaria (R$ 370) e da
capital (R$ 612).
Polo
Atualmente, 28 olarias compõem o polo ceramista que gera cerca de 3,5 mil empregos diretos. Sandro estima que 200 vão precisar entrar na bolsa qualificação, na qual para evitar os custos da demissão o contrato do trabalhador é suspenso por até cinco meses e nesse período ele recebe uma bolsa equivalente ao seguro-desemprego. “Estamos aguardando a lista com o nome dos trabalhadores e das empresas”, disse o titular da SRTE-AM, Dermilson Chagas.
Atualmente, 28 olarias compõem o polo ceramista que gera cerca de 3,5 mil empregos diretos. Sandro estima que 200 vão precisar entrar na bolsa qualificação, na qual para evitar os custos da demissão o contrato do trabalhador é suspenso por até cinco meses e nesse período ele recebe uma bolsa equivalente ao seguro-desemprego. “Estamos aguardando a lista com o nome dos trabalhadores e das empresas”, disse o titular da SRTE-AM, Dermilson Chagas.
Outro
pleito das olarias atingidas é a suspensão do contrato de demanda para
fornecimento de energia firmado com a concessionária Amazonas Energia,
tendo em vista que a produção será eliminada em muitas empresas ou
ficará limitada. Na grande cheia de 2009, a mesma medida foi adotada e
parte das olarias pagou a fatura pelo consumo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário