Desenvolver a responsabilidade dos filhos e, à medida em que crescem, aumentar aos poucos o leque de sites é a melhor alternativa
| Internet pode ser uma rica fonte de informações, mas crianças e adolescentes devem ser orientados |
Crianças
e adolescentes devem ter limites. Principalmente na internet. Mas o que
podem acessar e até qual idade devem ser supervisionados? “A internet
não deve ser vista como um monstro pelos pais", explica a psicóloga
Elisa Villela. "Ela pode ser uma rica fonte de informações e
descobertas, mas há cuidados a serem tomados”. Desenvolver a
responsabilidade dos filhos e, à medida em que crescem, aumentar aos
poucos o leque de sites é a melhor alternativa. Também é uma questão de
segurança conhecer as senhas das redes sociais e de e-mails dos filhos,
que devem ser usadas apenas quando julgar necessário. “Muitos não exigem
as senhas por medo de chatear os filhos", diz Maria Edna Scorcia,
diretora pedagógica do colégio Joana D’Arc, em São Paulo. "É a mesma
coisa que perguntar a eles com quem pretendem sair, a que horas voltam e
para onde vão”.
Conhecer bem os
relacionamentos dos filhos e ter um diálogo aberto evita também
situações mais complicadas. "O cyberbullying tem sido uma realidade cada
vez mais constante, principalmente entre adolescentes”, afirma Elisa
Villela. “Desde muito cedo, a criança deve ser orientada a se colocar no
lugar dos outros para não fazer o que não gostaria que fizessem a ela",
diz. Isolamento, crises de choro ou reações exageradas de raiva
demonstram que algo está errado com o filho. Cabe aos pais desvendarem o
motivo.
Redes sociais são perigosas
Para
muitos especialistas, o ideal é que apenas os maiores de idade possam
fazer parte das redes sociais. O problema é que, como esses sites não
exigem comprovação da data de nascimento, qualquer um pode criar um
perfil com informações alteradas. O melhor a fazer é supervisionar e
conversar sobre os perigos contidos ali para toda a família. “Fotos de
uma viagem ou mesmo da sua própria casa evidenciam o padrão de vida da
família, o que é um chamariz para bandidos", afirma a psicopedagoga
Cristiane Ferreira. Ela alerta também para o risco ao publicar imagens
da criança vestindo o uniforme, pois isso revela onde ela estuda. Pais
devem sempre orientar os filhos a adicionar e entrar em contato apenas
com pessoas já conhecidas. “A criança pequena é orientada a não
conversar com estranhos na rua”, diz a psicóloga Elisa Villela. "O mesmo
vale para a internet".
Até 6 anos
O que acessar: sites de conteúdo infantil e educativo. “Algumas crianças já sabem ler com fluência antes dos 6 anos, e a escola pode até utilizar a internet como ferramenta para o processo de alfabetização”, diz a psicopedagoga Cristiane Ferreira, membro da Associação Brasileira de Psicopedagogia.
O que acessar: sites de conteúdo infantil e educativo. “Algumas crianças já sabem ler com fluência antes dos 6 anos, e a escola pode até utilizar a internet como ferramenta para o processo de alfabetização”, diz a psicopedagoga Cristiane Ferreira, membro da Associação Brasileira de Psicopedagogia.
Tome cuidado com: o
excesso. “O computador não deve ser uma babá eletrônica, e sim um
aparelho para promover descobertas e lazer para a família. E não pode
substituir a atividade física”, alerta a psicóloga clínica Elisa
Villela.
Bloqueie: acessos a sites
proibidos que contenham conteúdo pornográfico, de violência ou que não
estejam de acordo com os princípios de educação ou de cultura da
família. “Não há privacidade nessa fase, pois o filho não é capaz de
discernir entre o certo e o errado”, afirma a psicóloga e psicopedagoga
Eliana de Barros, diretora do colégio Global, em São Paulo. Use as
ferramentas de filtragem para barrar esse tipo de informação.
Tempo de navegação: de 15 minutos a, no máximo, uma hora por dia -sempre com a supervisão constante de um adulto
De 6 a 8 anos
O
que acessar: sites de jogos infantis que estimulem a criatividade e a
coordenação motora. O próprio filho pode indicar endereços, mas cabe aos
pais explorar o conteúdo e verificar se é adequado. “Mostrar interesse
pelas descobertas das crianças cria um espaço a ser compartilhado entre
pais e filhos”, comenta a psicopedagoga Elisa Villela. Mas o julgamento
dos pais sobre o conteúdo é essencial. “Crianças até essa idade não têm o
sistema de julgamento moral suficientemente desenvolvido para saber o
que é bom ou ruim para elas", afirma.
Tome
cuidado com: visitas à casa de amigos ou familiares com acesso à
internet. Certifique-se de que os pais dos amiguinhos bloqueiam sites ou
limitem o uso dos computadores. Vale lembrar ainda que alguns celulares
possuem acesso à rede. "Não recomendo o uso de celulares para essa
idade, mas se os pais acharem muito necessário ter um, devem escolher um
modelo mais simples”, diz Cristiane Ferreira.
Bloqueie:
jogos que incentivem a violência, sites com conteúdo para maiores de 18
anos, salas de bate-papo e redes sociais. Mensagens instantâneas, só
com o acompanhamento dos pais e com amigos previamente aprovados.
Tempo de navegação: até uma hora e meia por dia, desde que a lição de casa já tenha sido feita.
De 9 a 10 anos
O
que acessar: sites aprovados pelos pais e mensagens instantâneas -desde
que os contatos sejam de conhecidos. Aos nove anos, é importante dar
mais autonomia à criança. Se for do interesse dela, crie uma conta de
e-mail com senha compartilhada pela família. Estabeleça regras de
uso. “A criança já pode compreender melhor quais são os riscos que a
utilização inadequada da internet pode trazer”, diz Cristiane Ferreira.
"Mas os pais devem continuar usando o programa de controle ao acesso à
internet e ter diálogo aberto com os filhos".
Tome
cuidado com: sites de pesquisa, pois o risco de acesso a conteúdos
inadequados aumenta. "Redes sociais podem ser acessadas, mas com
supervisão direta e integral dos responsáveis. Vale lembrar que quanto
mais amplo o universo digital, maior o risco”, alerta Eliana de Barros.
Conheça os amigos e o conteúdo das conversas.
Bloqueie:
salas de bate-papo, sites para maiores de 18 anos ou endereços que não
condizem com a educação e cultura da própria família.
Tempo de navegação: entre uma e duas horas, com supervisão dos pais.
De 11 a 13 anos
O
que acessar: redes sociais, sites de pesquisa, jogos educativos, emails
e mensagens instantâneas -desde que observados pelos pais. “Uma boa
tática é colocar o computador em ambientes de uso comum da família, como
a sala”, diz a psicóloga Elisa Villela. Supervisione sem comentar o
conteúdo. A psicopedagoga Eliana Barros recomenda cuidado para não expor
o adolescente ao fazer comentários sobre sua atividade digital.
"Lembre-se que está apenas garantindo a segurança e não 'bisbilhotando' a
intimidade dele”, diz. Cristiane Ferreira, também psicopedagoga,
explica que nessa idade aumenta o interesse pela utilização de internet,
que deixa de ser apenas um meio de informação e passa a ser também uma
maneira de interação social. Fotos de festas, pensamentos e sentimentos
são facilmente colocados em Facebook, Twitter, YouTube e Orkut, e isso
faz com que a criança sinta necessidade de copiar os amigos. Cabe aos
pais incentivar os filhos a interagir mais com os colegas por meio do
convívio físico.
Tome cuidado com: a
postagem de fotos, informações pessoais ou telefone em redes sociais.
“Faça uma lista e converse sobre os itens que são proibidos, como não
divulgar senhas ou dados pessoais, não marcar encontros, não fazer
compras e não desrespeitar os outros”, diz a psicóloga. Explique a
importância da preservação da privacidade e mostre que há armadilhas na
rede.
Bloqueie: downloads, salas de
bate-papo, endereços de compras, localizadores geográficos e sites com
conteúdos como pornografia, anorexia ou bulimia.
Tempo de navegação: no máximo duas horas.
Acima dos 14
O
que acessar: redes sociais e sites de pesquisa de informações. “O
computador deve ser monitorado constantemente pelos pais, mas de forma
muito sutil, sem afrontamento”, diz Eliana de Barros. Observe as
mudanças de comportamento, respeite a privacidade e cobre
responsabilidade. “Nessa idade já não se tem controle sobre os acessos
dos filhos a muitos conteúdos. Por isso as regras sobre o uso da
internet devem ser conversadas e explicadas" explica a psicóloga Elisa
Villela. "Assuntos pertinentes aos riscos e benefícios da internet devem
ser constantes entre os familiares”.
Tome
cuidado com: sites de download e links desconhecidos. Se notar no jovem
uma tendência ao isolamento, estimule sua participação em situações
compartilhadas pela família. Os pais devem dar o exemplo e não ficar
somente no mundo virtual, aproveitando os momentos com os filhos para
conversar pessoalmente. Evite fazer comentários não pertinentes ao mundo
digital do adolescente -elogiar ou publicar frases como “meu filhote
está um gato!” é constrangedor. Alguns sinais servem de alerta para os
pais: observe se o histórico de páginas acessadas some toda vez que o
adolescente entra na internet ou se eles se comportam de forma estranha
quando estão diante do computador.
Bloqueie:
jogos de apostas ou que estimulem a violência, sites de compras,
localizadores geográficos, salas de bate-papo e endereços com conteúdo
para maiores de 18 anos, com cenas violentas e chocantes ou que fazem
apologia a crimes.
Tempo de navegação: não exceder o período de duas horas, com a condição de antes cumprir compromissos escolares e caseiros.
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