Declarações da secretária do PTN, Kelly Mar, do município de Manicoré, resultaram na sua prisão nesta quarta-feira (10)
| Inconformados com a derrota nas urnas, militantes do PTN de Manicoré ameaçaram invadir e atear fogo no cartório |
O
procurador eleitoral Edmilson Barreiros confirmou na tarde desta
quarta-feira (10), a prisão da secretária do PTN do município de
Manicoré – situado a 333 quilômetros de Manaus -, Kelly Mar,
após a declaração ao jornal A Crítica, de uma possível invasão seguida
de incêndio ao cartório do referido município, em vitude de possíveis
fraudes nas eleições da cidade.
Conforme
Edmilson, a declaração foi o suficiente para que o juiz eleitoral de
Manicoré, Jeferson Galvão de Melo, acatasse o pedido de prisão da
militante do PTN, que foi solicitado pelo Ministério Público Eleitoral.
“A
declaração desta senhora de invadir e tocar fogo no cartório de
Manicoré é algo criminoso, é um atentado à democracia”, disse ele,
durante uma coletiva de imprensa, que também contou com a presença do
presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM), desembargador Flávio
Pascarelli, e o juiz eleitoral de Lábrea, Jorcenildo Dourado.
Segundo
Barreiros, ainda na tarde desta quarta-feira, ele e Pascarelli se
deslocariam com uma equipe da Polícia Federal até Manicoré, para
acompanhar a prisão da militante do PTN, e verificar se há outras
pessoas envolvidas na possível tentativa de invasão ao cartório local,
que não chegou a ser concretizada.
“Há
meios civilizados para que aquelas pessoas que tenham se sentido
prejudicadas pelo resultado das eleições possam questionar. Aqueles que
atentarem contra a democracia serão punidos” asseverou Pascarelli.
Tanto
ele quanto Edmilson Barreiros asseguraram que não há como as urnas
eletrônicas, utilizadas na votação do último domingo (7), terem sido
violadas, como alegaram vários candidatos derrotados no interior do
Amazonas.
Distúrbios
Alem de Manicoré, outros distúrbios em virtude do resultado das
eleições também foram verificados nos municípios de Amaturá Anamã, Borba
e Lábrea.
Neste último, de acordo
com o juiz eleitoral Jorcenildo Dourado, foi necessário o reforço na
segurança do cartório, pelas policias Militar e Civil, para garantir não
só integridade do prédio, bem como dos servidores. Dourado também
solicitou à polícia a investigação e identificação dos envolvidos nas
ameaças.
Segundo ele, alguns
simpatizantes políticos ameaçaram os servidores do cartório, após as
eleições, além de insuflar a população espalhando o boato de que 1.300
títulos de eleitor da Zona Rural do referido município seriam entregues
antes das eleições.
“Me certifiquei
com o chefe do cartório e o que havia eram apenas a segunda via de 11
títulos de eleitores para serem entregues”, informa o magistrado.
Dias
antes das eleições, relembrou Jorcenildo, alghumas prisões foram
efetuadas na cidade, entre elas a de um empresário, por porte ilegal de
arma de fogo. Em sua residência também foram encontrados a quantia de R$
30 mil escondidos dentro do banheiro. Ele não descarta a possibilidade
de que o dinheiro apreendido seria utilizado na compra de votos.
“Quem
se sentiu prejudicado nestas eleições tem medidas legais para contestar
o resultado. O que não pode é insuflar o povo à prática de crimes”,
observa.
De acordo com o
desembargador Flávio Pascarelli, apesar da ocorrência de alguns casos
isolados, não ocorreram conflitos violentos no interior do Amazonas,
pois houve um levantamento prévio dos locais onde poderiam ocorrer
conflitos.
“Visitei 14 municípios
antes das eleições e onde foi identificado algum tipo de problema mais
sério, foi solicitado o reforço policial para lá”, destacou.
Nenhum comentário:
Postar um comentário