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segunda-feira, 9 de março de 2015

TJ-AM lança edital do concurso público com 25 vagas para o interior do Amazonas

Os municípios contemplados são Anamã, Anori, Autazes, Beruri, Caapiranga, Coari, Codajás, Manaquiri e Novo Airão

As inscrições serão feitas nos Fóruns das Comarcas, entre 6 de Abril a 6 de Maio. As taxas de inscrição variam de R$ 20 a R$ 25 (Raphael Alves)


O Tribunal de Justiça do Amazonas lançou o edital do concurso público para nove comarcas do interior do Estado com 25 vagas, sendo uma para portador de necessidades especiais. Os salários variam de R$ 2.045,11 a R$ 3.907,50, além do auxílio-alimentação de R$ 1.345,65 e do auxílio-saúde de R$ 316,10. A presidente do TJAM, Desembargadora Graça Figueiredo, designou o coordenador da Escola de Aperfeiçoamento do Servidor (Eastjam), Desembargador Paulo Lima, como presidente da comissão organizadora do certame.

Os municípios contemplados são Anamã, Anori, Autazes, Beruri, Caapiranga, Coari, Codajás, Manaquiri e Novo Airão. A nomeação, investidura, lotação, relotação e remoção para as vagas ficarão restritas à 7ª Sub-região, ou seja, o servidor não será promovido para trabalhar em Manaus.
São 13 vagas para Auxiliar Judiciário II (Nível Fundamental), uma para o mesmo cargo, mas para portador de necessidades especiais, e 11 para Assistente Judiciário (Nível Médio). Com exceção de Coari, todas as comarcas terão uma vaga para Nível Fundamental e uma para Nível Médio. Em Coari, serão cinco vagas de Auxiliar Judiciário, uma para Auxiliar Judiciário portador de necessidades especiais, e três para Assistente Judiciário.

As inscrições serão efetuadas exclusivamente nos Fóruns das Comarcas, no período de 6 de Abril a 6 de Maio de 2015. A taxa de inscrição é R$ 25 para Nível Médio, e R$ 20 para Nível Fundamental. Para efetuar o pagamento da taxa de inscrição, o candidato deverá realizar depósito no Banco Bradesco, Agência: 3739, Conta Corrente: 12231-9, que deverá obrigatoriamente ser identificado com o nome e CPF do candidato.

Estão isentos do pagamento da taxa de inscrição os candidatos que perfaçam renda mensal de até três salários mínimos ou estão desempregados. O candidato que desejar isenção da taxa de inscrição deverá apresentar, no ato da inscrição, a cópia de seu contracheque ou documento similar, o qual comprove o valor de sua renda mensal, caso esteja regularmente empregado; ou a declaração de renda expedida por Contador, devidamente registrado no seu órgão de classe, caso seja trabalhador autônomo; ou cópia autenticada da carteira de trabalho (página da fotografia, da identificação do último do contrato de trabalho e página seguinte em branco) ou não tendo a carteira de trabalho, declaração pessoal de desempregado de próprio punho, caso seja desempregado. Os documentos apresentados serão analisados pela Comissão Organizadora do Concurso.

A prova para todos os cargos terá duração de quatro horas, com horário de início às 8h30. Para o cargo de Nível Médio serão 50 questões de múltipla escolha: 20 de Língua Portuguesa, 10 de Noções de Informática, cinco de Noções de Direito Constitucional, cinco de Direito Administrativo, cinco de Direito Civil e cinco de Institucional.
Já para o cargo de Nível Fundamental serão 40 questões de múltipla escolha: 20 de Língua Portuguesa, 10 de Informática Instrumental e 10 de Legislação aplicada ao TJAM e Institucional.

A crítica.com

 

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

“Nenhum município do Amazonas dá a destinação correta aos resíduos sólidos”


Segundo o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), já houve um avanço na questão

A população também tem de participar da seleção, coletando o seu lixo(Ilustração)


O deputado estadual Tony Medeiros (PSL) mostrou preocupação na Assembleia Legislativa do Amazonas (ALEAM), nesta quinta-feira (1) ao falar sobre o prazo para o cumprimento da lei 12.305/10, a Política Nacional sobre Resíduos Sólidos. “Até o dia 2 de agosto de 2014 todas as cidades do Brasil terão de efetivar uma política de destinação correta de seus resíduos sólidos e o Amazonas ainda está muito aquém de se enquadrar nesta norma, por conta também de questões geográficas”, afirmou.

No entanto, o deputado salientou o posicionamento do Ministério Público Estadual (MPE) de não permitir a construção de aterros sanitários em municípios que são ilhas, como Nhamundá, Silves e Parintins, mas lembrou cidades que são área de várzea como Anamã e outras sujeitas a alagamento, como Barreirinha que também precisam de atenção especial em relação ao tema. “Temos de enfrentar essas adversidades e resolver o problema definitivamente”, declarou.

“Segundo o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), já houve um avanço na questão, quando 30 cidades já indicaram o local para a construção de aterros e já existe um pré-recenseamento.

No entanto, precisamos avançar para a parte prática, porque atualmente nenhum município dá a destinação correta aos resíduos sólidos”, declarou Medeiros, lembrando a entrega de caminhões coletores de lixo em cidades como Anori, Anamã, Barcelos, Eirunepé, Fonte Boa, Ipixuna e Urucará como um avanço na questão da coleta de lixo.

O deputado citou ainda o fechamento de aeroportos por causa da presença de urubus, levando transtornos para a população. “Aeroportos já foram fechados justamente por causa da destinação inadequada do lixo, como Tefé e Parintins.

Por isso precisamos resolver essa questão definitivamente”, sugeriu, acrescentando que apesar de passados três anos, o Amazonas ainda não teve avanços práticos.

O deputado José Ricardo (PT) acrescentou que é necessário que as prefeituras incentivem a população a terem responsabilidade sobre o lixo produzido nas residências. “Na maioria dos municípios o lixo é descartado de qualquer jeito, a céu aberto e até misturado com lixo hospitalar.

A população também tem de participar da seleção, coletando o seu lixo separadamente, como já foi feito em alguns municípios que já visitei. É uma oportunidade de se fazer uma educação ambiental”, declarou.



Com Informação da Assessoria

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Militante do PTN é presa após ameaçar atear fogo em cartório

Declarações da secretária do PTN, Kelly Mar, do município de Manicoré, resultaram na sua prisão nesta quarta-feira (10)

Inconformados com a derrota nas urnas, militantes do PTN de Manicoré ameaçaram invadir e atear fogo no cartório
Inconformados com a derrota nas urnas, militantes do PTN de Manicoré ameaçaram invadir e atear fogo no cartório (Arquivo A Crítica)
O procurador eleitoral Edmilson Barreiros confirmou na tarde desta quarta-feira (10), a prisão da secretária do PTN do município de Manicoré – situado a 333 quilômetros de Manaus -, Kelly Mar, após a declaração ao jornal A Crítica, de uma possível invasão seguida de incêndio ao cartório do referido município, em vitude de possíveis fraudes nas eleições da cidade.

Conforme Edmilson, a declaração foi o suficiente para que o juiz eleitoral de Manicoré, Jeferson Galvão de Melo, acatasse o pedido de prisão da militante do PTN, que foi solicitado pelo Ministério Público Eleitoral.

“A declaração desta senhora de invadir e tocar fogo no cartório de Manicoré é algo criminoso, é um atentado à democracia”, disse ele, durante uma coletiva de imprensa, que também contou com a presença do presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM), desembargador Flávio Pascarelli, e o juiz eleitoral de Lábrea, Jorcenildo Dourado.

Segundo Barreiros, ainda na tarde desta quarta-feira, ele e Pascarelli se deslocariam com uma equipe da Polícia Federal até Manicoré, para acompanhar a prisão da militante do PTN, e verificar se há outras pessoas envolvidas na possível tentativa de invasão ao cartório local, que não chegou a ser concretizada.

“Há meios civilizados para que aquelas pessoas que tenham se sentido prejudicadas pelo resultado das eleições possam questionar. Aqueles que atentarem contra a democracia serão punidos” asseverou Pascarelli.
Tanto ele quanto Edmilson Barreiros asseguraram que não há como as urnas eletrônicas, utilizadas na votação do último domingo (7), terem sido violadas, como alegaram vários candidatos derrotados no interior do Amazonas.

Distúrbios
 
Alem de Manicoré, outros distúrbios em virtude do resultado das eleições também foram verificados nos municípios de Amaturá Anamã, Borba e Lábrea.

Neste último, de acordo com o juiz eleitoral Jorcenildo Dourado, foi necessário o reforço na segurança do cartório, pelas policias Militar e Civil, para garantir não só integridade do prédio, bem como dos servidores. Dourado também solicitou à polícia a investigação e identificação dos envolvidos nas ameaças.

Segundo ele, alguns simpatizantes políticos ameaçaram os servidores do cartório, após as eleições, além de insuflar a população espalhando o boato de que 1.300 títulos de eleitor da Zona Rural do referido município seriam entregues antes das eleições.

“Me certifiquei com o chefe do cartório e o que havia eram apenas a segunda via de 11 títulos de eleitores para serem entregues”, informa o magistrado.

Dias antes das eleições, relembrou Jorcenildo, alghumas prisões foram efetuadas na cidade, entre elas a de um empresário, por porte ilegal de arma de fogo. Em sua residência também foram encontrados a quantia de R$ 30 mil escondidos dentro do banheiro. Ele não descarta a possibilidade de que o dinheiro apreendido seria utilizado na compra de votos.

“Quem se sentiu prejudicado nestas eleições tem medidas legais para contestar o resultado. O que não pode é insuflar o povo à prática de crimes”, observa.
De acordo com o desembargador Flávio Pascarelli, apesar da ocorrência de alguns casos isolados, não ocorreram conflitos violentos no interior do Amazonas, pois houve um levantamento prévio dos locais onde poderiam ocorrer conflitos.

“Visitei 14 municípios antes das eleições e onde foi identificado algum tipo de problema mais sério, foi solicitado o reforço policial para lá”, destacou.


sábado, 5 de maio de 2012

Interior do Amazonas está debaixo d’água

Enchente dos rios no Amazonas deixam cidades completamente debaixo d´água. O caso mais grave está no Careiro da Várzea, na região do baixo rio Solimões. O fenômeno, contudo, é forte no Amazonas, Maués-açu e no Paraná do Ramos

Município do Careiro da Várzea está praticamente submerso
Município do Careiro da Várzea está praticamente submerso (Chico Batata)

No interior do Amazonas municípios inteiros estão debaixo d´água. É  o caso de Manaquiri, Careiro da Varzea, Anamã e Anori. As cidades da calha do Solimões estão próximas de atingir a cota recorde de 2009: 17m27.
Em Manaquiri (a 65 quilômetros de Manaus), mais de 60% do município estão debaixo d´água que atingiu as casas de, pelo menos, 1.097 famílias já cadastradas pela prefeitura municipal.
Além da cheia, as fortes chuvas que atingiram  a cidade estão fazendo com que as famílias procurem ajuda  de entidades religiosas de auxílio da população.
“Estamos com pelo menos 40 famílias aqui na igreja e diariamente temos recebido mais famílias em busca de abrigo, principalmente, as habitantes de áreas mais distantes do município, todas atingidas pela subida dos rios. Dentro do que podemos fazer nós tentamos ajudar. Tentamos alojar as pessoas que nos procuram ou encontrando algum lugar para elas ficarem. A situação da cheia está muito difícil para a população daqui do município e estamos empenhando todas as igrejas do município para ajudar”, disse o padre da Igreja Católica de Manaquiri, Martin James Laulaman .
No total, 1.200 alunos de 12 escolas de Manaquiri estão sem aula devido a cheia dos rios. A cidade que tem vocação agrícola perdeu mais de 40% da produção de mandioca e abóbora.
No Município de Careiro da Várzea (a 29 quilômetros de Manaus),  a situação da cheia do rio Solimões está próxima de atingir o caos registrado em 2009. Quase todo o território da sede está  inundado. Casas, ruas e comunidades inteiras  foram tomadas pelas águas. Pecuaristas estão tentando transferir a criação deles para terras mais altas, mas a água sobe muito rapidamente
Dos 62 municípios do Amazonas, 38 cidades, incluindo Manaus, decretaram estado de emergência devido as cheias dos rios, que promete ultrapassar todos os limites registrados em 2009. Segundo o balanço da Defesa Civil do Amazonas, dez  novos municípios que decretaram situação de emergência  serão contemplados com a ajuda humanitária: Cestas básicas, kits de higiene pessoal, kits de limpeza, kits de medicamentos, kits dormitório, kits de medicamentos, filtros microbiológicos, hipoclorito de sódio.
Ao todo são 120 toneladas de  material  e o Governo do Estado já disponibilizou a R$ 850 mil em  aporte financeiro, R$ 100 mil para  os primeiros municípios em estado de emergência na calha do rio Juruá (Envira, Eirunepé, Guajará, Ipixuna, Carauari, Itamarati, Juruá) e R$ 150 mil para Boca do Acre, no Purus. Na primeira etapa do Cartão Amazonas Solidário foram entregues R$ 400 para cada família do Juruá e Purus.
As enchentes que afligem as populações do interior do Amazonas não preocupam apenas por conta das perdas das moradias, equipamentos e utensílios domésticos, plantações e criação de animais, mas também pelas doenças adquiridas pelas crianças, jovens, adultos e idosos como a leptospirose, hepatites, febre tifóide, dengue, cólera e diarreias. O dilema das famílias aumenta porque não existem médicos para tratar e curar as enfermidades das cheias nem as outras doenças.
Essa realidade foi discutida na Comissão de Assuntos Sociais (CAS), do Senado (CAS). Mesmo com infraestrutura e plano de carreira, médicos não se interessam em trabalhar no interior do Amazonas. “Temos um déficit de 360 equipes no programa médico da família, por exemplo. Há prefeitos pagando R$ 25 mil em salário e não encontram profissionais interessados. Fizemos um concurso público em 2005 e sobraram vagas. Nesse período também perdemos 188 médicos”, declarou o secretário adjunto de atenção especializada do interior, da Secretaria de Saúde do Amazonas, Evandro Oliveira.

MARIA DERZI E JONAS SANTOS

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Moradores de Anamã aguardam liberação de recursos do Governo do Amazonas

Sem acesso a serviços básicos, com 100% de ruas alagadas, as aulas das 33 escolas das redes municipal e estadual (zonas rural e urbana) foram suspensas

Segundo comissão de assistência integrada à enchente, criada em março, mil famílias necessitam de canoa própria, mas apenas 60 serão distribuídas via sorteio
Segundo comissão de assistência integrada à enchente, criada em março, mil famílias necessitam de canoa própria, mas apenas 60 serão distribuídas via sorteio (Alexandre Fonseca)

Município do Amazonas mais impactado pela enchente de 2012 da bacia amazônica, Anamã é reflexo da desolação. Todas as ruas estão inundadas, sem exceção. O que se vê são famílias presas em suas residências (muitas delas com novos assoalhos erguidos, pois as casas foram alagadas), muitas casas abandonadas, animais perdidos e muitos serviços básicos paralisados.
Para se deslocar, apenas em canoas. Às 19h, não se vê mais viv’alma nas ruas alagadas. As únicas que se divertem são as crianças, que aproveitam para pular n´água, brincar até tarde e contribuir para o aumento de casos de virose, diarreia e vômito.
As aulas das 33 escolas das redes municipal e estadual (zonas rural e urbana) foram suspensas. Elas retornam quando as águas baixarem, o que pode ocorrer somente no meio do ano. Um cronograma letivo já vem sendo elaborado.
Apenas o hospital municipal, um dos poucos imóveis ainda não atingidos pela água, continua funcionando. A previsão, contudo, é que em menos de 15 dias o prédio seja desativado, já que o nível do rio continua subindo. A prefeitura aguarda para esta semana ainda a chegada de uma balsa hospitalar enviada pela Secretaria Estadual de Saúde (Susam), para onde os atendimentos serão transferidos.
Várzea
Localizado na confluência dos rios Solimões e Purus, em uma área de várzea, Anamã tem como característica a sua topografia alagadiça. É o município que mais sofre com as cheias de grande magnitude no Estado do Amazonas. Em 2009, ano da maior cheia em 100 anos, ficou debaixo d´água, isolado e, assim com em 2012, teve toda sua economia prejudicada.
Relatos de agricultores ouvidos pela reportagem – confirmados pelos gestores públicos do município – apontam a perda de toda a produção agrícola. Plantações de mandioca, melancia, macaxeira, banana foi destruída pela chegada “inesperada” (segundo os moradores). Muitos produtores de juta e malva também perderam sua produção. Também há relatos de que os animais (sobretudo pequenos rebanhos) estão morrendo porque as marombas onde ficam durante este período não estão suportando.
Na zona rural, a cheia atingiu 28 comunidades. Mais de 100 casas estão inundadas. As famílias, aguardando auxilio. Na zona urbana, 100% das residências estão atingidas. Um barco com capacidade para receber 50 famílias já está alojando oito. Dois ginásios cobertos estão preparados para abrigar outras famílias.
Segundo o coordenador geral da comissão integrada de assistência à enchente de 2012, criada em março, José Luiz Batista da Costa, até o momento a prefeitura já distribuiu 500 dúzias de tábuas para aproximadamente 250 famílias construírem seus assoalhos.
Uma das maiores queixas das famílias ouvidas pela reportagem é o isolamento e falta de transporte para o deslocamento – na maioria dos casos, canoas que podem transitar nas ruas. Segundo Costa, aproximadamente mil famílias da sede do município necessitam de canoa própria, mas a prefeitura pode disponibilizar apenas 60.
A distribuição deverá ocorrer nos próximos dias por meio de sorteio.
Ajuda
A principal expectativa da prefeitura é a liberação prometida pelo governo do Estado do cartão SOS Enchente, cujo valor é estimado em R$ 400. O levantamento parcial indica que 4 mil famílias precisarão ser atendidas com este cartão. A lista dos necessitados ainda será repassada ao governo, mas a prefeitura já aguarda a confirmação dos recursos, segundo Laércio de Souza Bitencourt, vice-presidente da defesa civil do município.
“O tamanho dessa cheia de 2012 que estamos vivendo em abril veio somente em maio em 2009. A gente não estava esperando tão cedo. Soubemos até que ela pode ultrapassar a daquele ano”, disse Laércio.
Presos
A enchente em Anamã provoca cenas inusitadas. Uma delas foi identificada na delegacia do município, onde 13 presos dividem duas celas. A delegacia, que é de alvenaria, recebeu três andares de novos assoalhos de madeira para que os detentos não sejam afetados. O município não tem como fazer a transferência dos presos.
Nesta quarta-feira, a reportagem presenciou dois presos já julgados tomando conta da delegacia enquanto os policiais faziam a ronda pelas ruas (de barco) pelas ruas e entorno do município. Um deles, Antônio Caetano de Souza Filho, 57, disse que a vigilância é feita de forma alternada. A reportagem não teve acesso às celas com outros presos porque elas estavam trancadas. Ele afirmou que não tinha a pretensão de fugir porque não tem para onde ir e sua família mora em Anamã.
Mudança
A cheia de grande magnitude como promete ser a de 2012 causou surpresa até mesmo em que já está acostumado com o ciclo hidrológico do Amazonas. O agricultor Ovídio Cordeiro Souza, 79, falou que não esperava uma segunda grande cheia em apenas três anos.
“Estamos atravessando uma época diferente. Tudo está mudado. Aí para fora as coisas estão mudando. Ou o sol está muito baixo ou a terra está muito alta. Eu nunca tinha atravessado uma época como essa”, comentou.
Adaptação
Elevado à categoria de município há 30 anos, Anamã é fruto de famílias que migraram de diferentes áreas do Estado do Amazonas. Muitas pessoas entrevistadas se disseram provenientes das calhas do Juruá ou do Purus. Curiosamente, sua localidade não foi uma das melhores escolhas, embora o motivo não se sabe ao certo.
O superintendente do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), Marco Antônio de Oliveira, conta que Anamã foi fundada nesta região porque deveria ou deve haver alguma vantagem. Seja por causa de algum recurso natural ou pela localização estratégica.
Diante da perspectiva de novos eventos climáticos extremos na região, ele recomenda que o município e sua população se adaptem. Para ele, a cidade deveria dispor de uma infra-estrutura urbana adaptada às condições de cheias e vazantes, como a instalação de poços tubulares que não sejam submersos no período da enchente, nem sequem ou tenha água fora dos padrões de potabilidade.
“Os equipamentos públicos como escolas, postos de saúde, entre outros, também devem ser construídos em palafitas que não alaguem nas cheias. Moradias que flutuem mas permaneçam ancoradas no mesmo local também podem ser alternativas. Penso que uma mudança de sede só mesmo em casos sem solução”, comentou.
Localidade
A transferência da sede para outra localidade já vem sendo sinalizada pelo prefeito Gecimar Pinheiro. Ele conta que, em 2009, quando era vereador (ele assumiu o cargo recentemente, após o prefeito anterior ser cassado), sugeriu essa possibilidade, aparentemente impraticável, em uma audiência pública.
Pinheiro sugere a expansão e a transferência paulatina para uma área localizada a três quilômetros da atua sede do município. “Fica do outro lado onde tem um paraná, que facilitaria o acesso. Poderíamos reconstruir a parte administrativa e depois a transferência ia acontecendo. Se continuar onde está a cidade vai continuar recebendo esse impacto sempre”, comentou.
Picadas
Com a subida do rio, o número de pessoas picadas por cobra e arraia atendidas no hospital aumentou, segundo a diretora da unidade de saúde, Silvane de Aguiar. No entanto, os casos mais comuns ainda não são virose e diarreia.

ELAÍZE FARIAS

sexta-feira, 23 de março de 2012

Governo do AM apresenta Plano Estadual de Contingência para a Cheia 2012

O vice-governador, José Melo, recebeu os prefeitos e representantes para orientá-los sobre os procedimentos legais que deverão ser adotados para acessar a ajuda financeira em caso de emergência

Reunião aconteceu na tarde desta sexta-feira
Reunião aconteceu na tarde desta sexta-feira (Chico Batata/Agecom)

O governo do Amazonas reuniu, nesta sexta-feira, 23 de março, prefeitos e representantes de 24 municípios do Estado, que deverão ser afetados pela enchente deste ano, para apresentar o Plano Estadual de Contingência para a Cheia 2012, elaborado pelo Subcomando de Ações de Defesa Civil (Subcomadec). A medida segue orientação do governador Omar Aziz de preparar as prefeituras para enfrentar a cheia deste ano.

O vice-governador, José Melo, recebeu os prefeitos e representantes para orientá-los sobre os procedimentos legais que deverão ser adotados para acessar a ajuda financeira em caso de emergência.  “As chuvas vão continuar e muitos municípios que ainda não estão em situação de emergência deverão entrar. Essa é uma ação preventiva. Antecipamos trazendo os prefeitos, com as suas defesas civis para explicitarmos todos os procedimentos, do ponto de vista legal, que eles precisam tomar para que o Estado e a União possam intervir para atender as famílias atingidas”, explicou Melo.

A previsão da Defesa Civil do Estado é que a cheia deverá atingir cerca de 286 mil pessoas, causando impactos nos municípios de Anamã, Anori, Autazes, Barreirinha, Boa Vista do Ramos, Borba, Caapiranga, Careiro, Careiro da Várzea, Coari, Codajás, Iranduba, Itacoatiara, Manacapuru, Manaquiri, Manaus, Maués, Nhamundá, Nova Olinda do Norte, Novo Airão, Novo Aripuanã, Parintins, Urucará e Urucurituba serão prejudicados.

Cheia em Manaus
Conforme o balanço, Manaus deve ter o maior número de afetados, aproximadamente 26 mil pessoas. Até o momento, 11 municípios amazonenses tiveram situação de emergência decretada e outros 15 estão com o pedido em fase de análise.
Segundo o secretário Estadual de Defesa Civil, tenente-coronel Roberto Rocha, o plano de ações emergenciais para enfrentamento a enchente elaborado pelo Governo do Estado tem capacidade para atender até 40 municípios. “Não queremos criar pânico, mas a simbiose da responsabilidade e do comprometimento dos prefeitos. Já temos um plano específico e lançamos para os prefeitos justamente para prepará-los, dirimir todas as dúvidas. O Governo conta com estrutura específica para as ações e contamos com a participação da Defesa Civil Nacional para acompanhar todos esses desdobramentos”, disse.

Ajuda Humanitária
Municípios das calhas do Juruá e do Purus estão sendo as mais afetadas pela subida do nível do rio. Na calha do Juruá sete municípios estão em situação de emergência (Eirunepé, Guajará, Envira, Itamarati, Carauari e Juruá), totalizando 6.048 famílias afetadas. Na região do Purus três municípios também decretaram situação de emergência (Boca do Acre, Lábrea, Canutama e Pauini). Ao todo, o Governo já destinou a essas regiões cerca de 100 toneladas de ajuda humanitária com cestas básicas, kits de limpeza e de higiene pessoal, medicamentos e kits dormitório.

Para auxiliar os municípios, o Governo do Estado anunciou a liberação de R$ 700 mil para atender municípios da calha do Rio Juruá. Os recursos são para aquisição de estoque de mais de 40 tipos de medicamentos da atenção básica para distribuição gratuita e compra de combustível para utilização nas ações de remoção das famílias das áreas atingidas pela cheia. Além disso, em tratativas com o Governo Federal, o governador Omar Aziz solicitou um aporte de recursos na ordem de R$ 12 milhões.


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