O arqueólogo Carlos Augusto Silva disse que o local onde foram achadas as urnas, possivelmente com restos humanos, trata-se de um sítio arqueológico e cemitério indígena da era pré-colombiana
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Os pesquisadores concentram os trabalhos na escavação das urnas, na rua Padre Mário, na Colônia Antônio Aleixo |
Pelo menos
duas urnas funerárias com aproximadamente dois mil anos foram encontradas
ontem, em um sítio arqueológico localizado na rua Padre Mário, Comunidade 11 de
Maio, no bairro Colônia Antônio Aleixo, Zona Leste. A expectativa, de acordo
com uma equipe da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) que está no local desde
a última terça-feira, é que mais artefatos sejam achados naquela região, visto
que esse tipo de sepultamento era coletivo, feito em semicírculo.
O
arqueólogo Carlos Augusto Silva disse que o local onde foram encontradas as
urnas, possivelmente com restos humanos, trata-se de um sítio arqueológico e um
cemitério indígena da era pré-colombiana. Conforme ele, a região foi, no
passado, uma grande área de habitação de populações pré-colombianas que lá
deixaram seus vestígios enterrados. “Esse material começou a aparecer no século
IV e foi até mais ou menos o século IX, depois desapareceu”, relatou.
Além de
Silva, três alunos do curso de arqueologia da Ufam estão dando apoio nas
escavações. Eles mostram aos comunitários como o trabalho é feito e como se
deve preservar os artefatos encontrados mediante a legislação brasileira, a
qual determina que todo patrimônio arqueológico precisa ser preservado pelos
vivos. “Começamos a trabalhar com a comunidade para tentar tirar esse material
que corre risco de desaparecer”, lembrou o arqueólogo.
Relações
Para Silva,
é importante que os alunos vejam o material encontrado, uma espécie de cerâmica
ecológica, que não impactou no meio ambiente, para entender a Amazônia. “Eles
colocaram restos possivelmente de pessoas dentro desse pote e enterraram. É um
dado interessante para entender essa Amazônia, ao invés de matar uma árvore
para fazer o caixão para enterrar alguém fizeram uma urna de cerâmica”,
destacou.
O
arqueólogo ressaltou que as urnas encontradas na Colônia Antônio Aleixo vão
para o Museu Amazônico da Ufam, situado no Centro de Manaus. Mas a ideia é que
os artefatos voltem ao seu local de origem.
“Logo que a
comunidade conseguir um espaço adequado, é possível que essa peça volte para
cá, para ser apresentada ao público pelos próprios moradores daqui”, enfatizou.
Resgate de um patrimônio
cultural
O
arqueólogo Carlos Augusto Silva relatou que as obras do Programa de Água para
Manaus (Proama), realizadas pelo Governo do Estado, provocaram diversos
impactos ao sítio arqueológico Lajes, situado na Zona Leste.
Por conta
dessa situação, conforme ele, em 2009, o Instituto do Patrimônio Nacional e
Artístico (Iphan) e o Ministério Público Federal fizeram um Termo de
Ajustamento de Conduta (TAC) para que o Estado revisse a questão do patrimônio
arqueológico daquela região. “Foi a partir desse TAC que a Ufam entrou como
parceira para contribuir com o resgate dessa história antes que fosse
destruída”.
O
arqueólogo destacou que ele e a professora Helena Pinto Lima fizeram o projeto
“Resgate do Patrimônio Arqueológico na área da Zona Leste”, e a primeira
atividade começou justamente com as escavações no sítio arqueológico Colônia
Antônio Aleixo, próximo das Lajes.
Fonte: A crítica.com

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