Mais uma vez, o ex-presidente defendeu a relação do governo com o partido e voltou a cobrar dos militantes que defendam o PT, afirmou que o partido pode fazer “uma surpresa” em 2016
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Lula sai em defesa das medidas fiscais duras aplicadas por Dilma e Levy |
O ex-presidente Luiz Inácio Lula
da Silva usou seu discurso na abertura da 3ª Conferência da Juventude do PT, na
manhã desta sexta-feira, para alertar o partido que não há como pensar em 2018,
ano eleitoral, sem resolver a crise política e econômica atual e ajudar a
presidente Dilma Rousseff, mas pôs a culpa dos problemas na oposição.
“Antes de a gente pensar em 2018 nós temos que ajudar a
companheira Dilma a sair da encalacrada que a oposição colocou a gente depois
das eleições”, afirmou, para um plateia que o recebeu com gritos de “Lula de
novo com a força do povo”.
“O que precisamos
ter consciência é que a primeira tarefa é ajudar a companheira Dilma. Deus
queira que seja aprovado tudo o que ela quer até o final do ano para que gente
possa virar a página do ajuste e colocar a página do crescimento no lugar, para
que a gente possa fazer esse país voltar a crescer”.
Crítico dos métodos
ortodoxos do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, Lula diz constantemente e
interlocutores que é preciso ir além do ajuste fiscal. No entanto, nas últimas
semanas tem moderado as cobranças a pedido da própria presidente e do ministro
da Casa Civil, Jaques Wagner, de acordo com auxiliares palacianos ouvidos pela
Reuters.
A avaliação
feita por Wagner a Lula antes do encontro do Diretório Nacional, há duas
semanas, é que o vazamento de conversas do presidente minava o poder do
ministro, responsável por negociar o ajuste fiscal.
Já na reunião do
diretório Lula sai em defesa das medidas fiscais duras aplicadas por Dilma e
Levy. Esta manhã, voltou à carga. “Se nós estamos passando por um momento
delicado, é hora de nos juntarmos e ajudar a Dilma a vencer todos os
obstáculos”, disse.
Antes do
ex-presidente chegar ao Congresso, no entanto, os jovens reunidos não deixaram
de lado os gritos de “Fora, Levy”, e “Fora Cunha”, referindo-se ao presidente
da Câmara, Eduardo Cunha.
Lula ironizou os
pedidos. “’Fora Levy’ ou ‘fora PMDB’ é muito pouco, me desculpem, é muito
pouco. Eu quero saber quais as propostas da nossa juventude para educação, para
o país, o que esse congresso vai propor para geração de emprego”, disse. “Essas
palavras de ordem até eu com 70 anos falo, eu sei. Eu quero que vocês me digam
o que eu não sei”.
Logo que o
presidente chegou ao local do Congresso, um clube em Brasília, foi recebido com
gritos de “Lula de novo”, mas também com cobranças para que o partido rompa com
o PMDB. “Lula eu quero ver você romper com o PMDB”.
Mais uma vez, o
ex-presidente defendeu a relação do governo com o partido. Ao cobrar que o PT
precisa ter candidatos em todos os lugares nas eleições municipais de 2016,
“com chances de ganhar”, afirmou que se não for possível é necessário sim fazer
alianças. “O ideal seria se pudesse disputar e ganhar a presidência, 27
governadores, 81 senadores e 513 deputados com um partido só. Seria
maravilhoso”, disse.
“Quando a gente
ganha precisa construir a governabilidade. Seria maravilhoso se a Dilma sozinha
pudesse votar tudo, mas entre a política e o sonho, entre o meu desejo
ideológico e partidário e o mundo real da política tem uma distância enorme, e
a gente tem que governar”.
Lula voltou a cobrar
dos militantes que defendam o partido, afirmou que o PT pode fazer “uma
surpresa” em 2016 aos que acham que partido está derrotado e chegou a defender
o ex-tesoureiro petista, João Vaccari, preso por suspeita de corrupção na
Petrobras pela operação Lava-Jato, dizendo que “tem que se parar de dizer que
só o dinheiro do PT veio de empresas.“Quero saber se o dinheiro do PSDB foi
buscado numa sacristia”, disse.
REUTERS BRASIL

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