Falta do uso da camisinha ainda é o maior meio de transmissão.Heterossexuais representam maior incidência dos casos.
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1º de Dezembro é celebrado Dia Mundial de Combate à Aids (Foto: Fernanda Zanetti/G1) |
O Amazonas é
atualmente o terceiro estado do Brasil com números de detecções de pessoas com
HIV, segundo dados apresentados no Boletim Epidemiológico 2015 Aids e Sífilis,
produzido pela Coordenação Estadual de DTS/Aids e Hepatites Virais.
Em um ano, houve redução de 37,7% no número de
casos. Homens com idades entre 20 e 39 anos representam a maior parte das
pessoas com o vírus no estado. A falta do uso de camisinha é apontada como
maior responsável pela transmissão.
Atualmente, 10.048 pessoas em todo o estado fazem tratamento para Aids.
De janeiro a outubro deste ano foram notificados 1.025 novos casos. No mesmo
período de 2014, foram 1.644 casos detectados.
Desde o inicio da realização dos exames em 1986, o
Amazonas registrou 13.534 exames positivos para o vírus.
O relatório aponta que entre 2001 e 2014 o
Amazonas teve 8.642 casos de Aids. Do total, 81,8 % (7.069) das pessoas são de Manaus.Parintins vem em segundo lugar com 2,4 % (210),
seguido de Tabatinga com
1,9 % (167),Itacoatiara também
com 1,9 % (163) e Tefécom 1,5% (130)
casos constatados.
A principal forma de contaminação da Aids é a
falta do uso de camisinha, sobretudo com os homens jovens, de acordo com o
relatório. A faixa etária de 20 a 39 anos apresenta maior número de pessoas
conviventes com o vírus.
Dados comparativos de 2002 e 2013 mostram que os
heterossexuais são a maior parte das pessoas infectadas pelo HIV, no entanto, a
incidência entre homossexuais subiu de 12,5% para 23,7% no estado. Em
contrapartida, os usuários de drogas injetáveis passou de 1,7% para 0,8% no
decorrer dos anos.
De acordo com Silvana Lima, coordenadora estadual de DST/Aids
e Hepatites Virais, uma pesquisa mostrou que 40% dos jovens optam por não usar
camisinhas durante as relações sexuais, mesmo sabendo do risco de contaminação.
Maria Gomes Ferreira tem 43 anos e há 16 convive com o
vírus. Ela faz tratamento na Fundação de Medicina Tropical (FMT) e diz que
muitas vezes os medicamentos do tratamento estão em falta, o que gera
preocupação nela e em outros pacientes.
"O estado é responsável pelos medicamentos para
pacientes de alta complexidade, aqueles que estão internados, e o município é
responsável pelos medicamentos que são de nível ambulatorial", esclareceu.
Exames
Do dia 2 ao dia 4 de dezembro a Unidade Móvel Itinerante
da FMT estará posicionada em frente ao Colégio Militar, no Centro de Manaus,
para realização de teste de HIV. Nos dois primeiros dias o atendimento será de
9h às 16h e na sexta, das 9h às 12h.
Prevenção
"O jovem é meio inconsequente. Ele não tá muito preocupado com a
Aids. Alguns dizem: 'Ah, tem remédio para tratar, se tiver contraído Aids a
gente toma o remédio e pronto', ou seja, as pessoas preferem o tratamento à
prevenção. Temos que ter políticas voltadas para esse público, para que
não venham se contaminar logo na primeira relação como temos alguns casos. A
prevenção é a maior dificuldade. Precisamos de uma linguagem que chegue no
profissional do sexo, nos jovens, nos privados de liberdade, nos homossexuais,
em todos os públicos", enfatiza Lima.
Falta de
medicamento
"Os medicamentos antirretrovirais não faltam, mas os que combatem
infecções oportunistas vivem em falta. A gente reclama, cobra e eles mandam em
pouca quantidade, ou mandam só para quem está internado. É um direito nosso, o
que a gente quer é que seja preciso cobrar, que sempre tenha para todos. Às
vezes fica uns seis meses em falta", critica.
Silvana Lima ressaltou que os antirretrovirais, coquetéis que vêm do
Ministério da Saúde, não faltam, e que reclamações sobre a falta de outros
medicamentos usados para tratar doenças associadas à Aids serão checadas.
O titular da Secretaria de Estado da Saúde (Susam) afirmou que vai
verificar a denúncia da falta de medicamento e dar atenção especial ao caso.
G1 Amazonas

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