Autônoma foi mordida por um animal, no lago do Aleixo, em Manaus, ficou internada em observação. No entanto, biólogo garante que a espécie não é venenosa
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A piramboia é um peixe pulmonado ósseo encontrado na bacia amazônica e em regiões pantanosas nos períodos da vazante |
Um ataque curioso causou
apreensão nos moradores da comunidade Bela Vista, bairro Puraquequara, Zona
Leste de Manaus, no início do mês. A autônoma Angela Maria Barros, 34, foi
mordida por um animal, no lago do Aleixo, e ficou três dias internada em observação.
Os pescadores da área acreditam que o ataque tenha sido de ‘piramboia’, uma
espécie de peixe pulmonado da Amazônia.
A piramboia (Lepidosiren paradoxa) também é conhecida pelos
ribeirinhos como pirarucu-bóia, traíra-bóia ou caramuru. É um peixe pulmonado
ósseo encontrado na bacia amazônica e em regiões pantanosas nos períodos
de vazante dos rios. É nessa época que o peixe abandona sua respiração
branquial, se enterra na lama e passa a respirar pelo sistema pulmonar.
No período da vazante, as famílias utilizam o lago seco que
divide o bairro Puraquequara e Colônia Antônio Aleixo. Angela estava indo com a
filha, a cunhada e o irmão ao cemitério do bairro Colônia Antônio Aleixo, no
dia de finados.
“Uma moradora que construiu uma única ponte para atravessar
o lago estava cobrando pedágio. Ela não achou certo ter que pagar para
atravessar e resolveu atravessar pela lama”, conta a cunhada dela, Greici
Amazonas, 24.
No primeiro passo que deu, Angela atolou a perna e no mesmo
momento sentiu a mordida do peixe. “Foi muito rápido, eu não lembro de muita
coisa e nem vi que bicho era porque desmaiei”, conta. A filha dela, Samira
Barros, 12, presenciou o ataque, no entanto, também afirma que ninguém viu a
espécie do suposto peixe. “Ninguém conseguiu ver porque o peixe estava na lama.
Na hora saiu muito sangue da perna da minha mãe e um vizinho a levou para o
Serviço de Pronto Atendimento (SPA) Chapot Prevost”, relata.
Por precaução, Angela precisou ser encaminhada para a
Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado. “Fiz vários exames
lá e foi detectado um tipo de veneno. Porém, não conseguiram identificar de que
espécie era o veneno”, comentou a vítima.
No bairro, todos ficaram sabendo do ocorrido e temem novos
ataques. O marido da vítima, Claudinei Barbosa, 37, disse que nunca ouviu
relatos de ataques do pirarucu-boia. “Sou do interior e nunca ouvi falar nesses
ataques. Por isso ficamos suspresos e receosos. É preciso ter cuidado ao andar
por essas várzeas, pois muitas crianças aproveitam a seca para brincar no
lago”, alerta.
“Espécie
é inofensiva”, diz biólogo
Embora o acidente tenha causado repercussão e medo entre os
moradores do Puraquequara, o biólogo do Instituto Nacional de Pesquisas da
Amazônia (Inpa), Jansen Zuanon, garante que a espécie não é venenosa, muito
menos possui um aparelho bucal que injete veneno em seres humanos.
Segundo o pesquisador, a agressividade do animal é zero, mas não
descartou a possibilidade de contato com a espécie.
“Já aconteceu uma vez um caso que repercutiu aqui no Estado.
Foi numa grande cheia e muitas pirambóias começaram a ser encontradas. As
pessoas as matavam, dizendo que era uma espécie venenosa. Mas ela é inofensiva,
não tem perigo algum, muitas pessoas pegam com a mão e ela não ameaça morder”.
Apesar de quase não ser encontrada, por viver em moitas de capim alagado,
Jansen afirma que o peixe não é uma espécie rara. “É muito comum, mas não é
fácil de ser encontrada”.
Saiba
mais
O estado de Angela é estável, porém o ferimento
continua muito inflamado. A Secretaria de Estado de Saúde (Susam) informou que
a paciente deu entrada no FMT Doutor Heitor Vieira fora de perigo e que foi
constatado duas perfurações na panturrilha de Andrea.
Antes de ser encaminhada para a Fundação de Medicina
Tropical, Angela foi atendida no Serviço de Pronto Atendimento (SPA) Chapot
Prevost, no bairro Colônia Antônio Aleixo, Zona Leste. Após exames na FMT, ela
retornou ao SPA onde ficou em observação por três dias.
LUANA CARVALHO

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